Gris de Payne, 2010 óleo s/ tela 50 x 70 cm

 

A exposição mais badalada do momento em São Paulo é de uma artista muito ruim: Paula Rego. Ela erra a mão na técnica, sobretudo no empasto do giz pastel, apela pra temática moralmente impactante e se mostra uma chata de galocha. Mas a cidade tem muita coisa legal pra ver.

Na Caixa Cultural, na Praça da Sé, há uma boa amostra de trabalhos recentes de Tatiana Blass, pude conhecer também o trabalho de residências da Red Bull, com boas surpresas e desenvolvimentos empolgantes de artistas que acompanho, como Ana Prata. No CCBB, a exposição sobre o Islão tem um bom andar sobre caligrafia e uma parte razoável de indumentária. Gostei e me surpreendi com o filme de Yoshua Okon, na Baró, e curti as pinturas de Rodrigo Borges, mas gostei mesmo é do cubão dele,  na Emma Thomas. As duas galerias  ficam no mesmo prédio.

Agora, ainda não vi a mostra nova do Waltercio Caldas , na nova Raquel Arnaud e nem a do William Kentridge na Soso. Não passa da semana que vem. Mas fui mais de três vezes ver os filmes do Anri Sala e as pinturas do Paulo Pasta. Aliás, tive a honra de escrever o texto sobre a última exposição do artista que parece falar muito das particularidades da arte contemporânea daqui.  O texto segue abaixo. Antes, celebro. Semana que vem abrem duas coletivas que prometem: segunda no Paço das Artes e quarta na Galeria Millan. Essa, vem com o melhor conceito curatorial de todos os tempos: Porque sim.

Segue o texto sobre o Paulo Pasta:

Azul três cruzes, 2010 óleo s/ tela 50 x 70 cm

 

As escolhas recentes de Paulo Pasta nos deixam a impressão de que ele busca maior clareza em sua pintura. Há alguns anos, as tintas estão menos opacas, as cores são menos nebulosas e as formas têm contornos nítidos. O traçado turvo das figuras deixou de existir. A passagem tonal permanece suave, mas é evidente.

Agora, a tela é feita de áreas de cor que se inscrevem umas dentro das outras. Antes, o artista partia da natureza-morta, como sugestão, agora usa a pintura de espaços interiores. Está mais para Vermeer do que para o Morandi anterior. No entanto, aqui é difícil saber o que envolve o que. Por isso, mesmo que pareça menos embaçada, a estrutura ainda é indefinida.

Num díptico, a viga que estrutura o primeiro quadro aparece como um retângulo miúdo na tela vizinha. Não sabemos que cor está dentro, que cor está fora. O artista partiu de uma pintura em que as formas não parecem plenamente constituídas, amadurecidas, para outra, feita de espaços intrincados.

Parte da pintura brasileira tem como tema central essa indeterminação da imagem. Por exemplo, nas paisagens de Guignard, a cor lavada não esclarece qual é a extensão do lugar que pinta. A profundidade parece ter sido suspensa. Tudo é neblina. Neblina pontuada por casas, figuras miúdas. Os personagens das últimas pinturas de Iberê Camargo também são massas de tinta que tentam se mostrar como corpos. Ciclistas que se movimentam em busca de uma forma definida para uma massa disforme.

Paulo Pasta é o artista que melhor lida com essa indefinição do espaço e quem trouxe isso de maneira mais evidente para a reflexão da arte contemporânea. Mais ainda, fez dela contraponto claro às formas recentes de arte que vendem decoração luxuosa, planos mirabolantes e prazeres momentâneos como formas de sugerir espaços deslumbrantes. Mas também não parte daí para um elogio ao ascetismo ou à dificuldade. Só afirma que para encontrar beleza e harmonia, é preciso se haver com um mundo violento. Lugar encantador, mas onde sacadas espertas não bastam.

Este é um texto singelo que conta um pouco sobre a exposição Quase Figura. Uso para convidá-los para a abertura na quinta-feira, às 19h, na Galeria Marília Razuk.

mapa

A semana começou com trenas, martelos e marcadores de nível. Durante a montagem de uma exposição, impossível não agradecer quem estabeleceu as unidades de medidas e quem criou os aparelhos de mensuração. Depois que todos os artistas foram escolhidos, todos os problemas de transporte resolvidos e toda a infraestrutura checada, as questões dizem respeito à distância entre um trabalho e outro.

Desde o semestre passado bolo essa exposição. Quando fui convidado pela marchand para montar uma coletiva no novo espaço de sua galeria fiquei animado, não é uma tarefa que me deixa muito seguro, mas sempre eu aprendo.

É que nunca me pensei como curador e é algo que eu pelejo um pouco pra fazer direito. Todas as vezes em que emplaquei uma exposição, eu fui convidado. Aprendo a cada vez, mas sempre me penso como o rapaz da plateia convidado a participar do espetáculo. O ofício sempre me deixa muito satisfeito.

Como não raciocino como um montador de exposições, sempre tento fazer as opções mais simples. O meu olhar para montar a exposição é o mesmo ao visitar uma exposição. Ver trabalhos com individualidade e, se possível, mas só se possível, permitir que a relação entre uma obra e outra, um artista e outro, nos revele aspectos menos conhecidos de uma poética,. de um país, de um período histórico.

As escolhas, como disse antes, sempre são simples. Nesta exposição, resolvi trabalhar apenas com artistas do elenco da galeria. Como o trabalho de muitos artistas me interessava, resolvi trabalhar com muito poucos nomes e selecionei alguns pequenos grupos de três ou quatro para ver o que era possível fazer.

A combinação escolhida permitiu um número maior de relações no espaço. Eram artistas muito sólido, mas variados. Com identidade visual marcada, mas que, ao mesmo tempo, levantava muitas questões sobre a arte recente.

A princípio, a curadoria não tinha tema, era só a conversa entre bons artistas. Na medida em que simulava relações entre diferentes trabalhos, uma certa liquidez na discrição das imagens se tornava comum a todos os trabalhos. A figura sugeria algo reconhecível, mas logo depois desfazia. Fui encontrando isso ao acaso. Muitos dos trabalhos não guardam relação. é difícil, por exemplo, definir o que as esculturas e desenhos de grandes artistas como Cabelo e Paulo Monteiro têm em comum.

Mas ao serem colocados lado a lado, descobrimos coisas que talver os próprios artistas nunca tenham se atinado. Bem, isso é o mais legal de fazer exposições. Aprende-se como aprendemos ao ir muitas vezes na mesma mostra de artistas que gostamos. Nesta exposição, escolhi artistas que admiro muito. Por isso, sinto-me muito seguro para convidar todos vocês. Ficaria muito feliz de saber a opinião de todos.

Embaixo, segue o release e o convite on-line:

QUASE FIGURA
CURADORIA TIAGO MESQUITA 

Quase figuras é o nome da primeira exposição de 2011 que reunirá trabalhos de seis artistas do elenco da Galeria Marília Razuk: Cabelo, Fabio Miguez, Gustavo Rezende, Marina Weffort, Paulo Monteiro e Wagner Malta Tavares.A princípio a mostra não foi organizada por nenhum eixo temático e nenhum tema específico. Segundo o curador Tiago Mesquita, na medida em que ele procurava relações espaciais entre um trabalho e outro, certa indefinição da linha, do espaço ou até mesmo uma ambigüidade dos elementos utilizados foi revelado um aspecto comum. São lugares que não se revelam por inteiro, figuras que parecem estar a se desfazer ou nunca estiveram prontos.

Nesta coletiva Fabio Miguez apresenta fotografias mais recentes do conjunto iniciado nos anos 90 chamado ‘Á Deriva’, Cabelo uma escultura inédita, Paulo Monteiro pinturas à óleo e  esculturas em chumbo fundido, Marina Weffort um objeto novo da série de prateleiras, Gustavo Rezende uma serigrafia e Wagner Malta Tavares fotografias da série Nave e o vídeo “Uma diversão, um tormento, uma ocupação” mostrado em sua individual na Instituto Tomie Ohtake em 2010. A exposição ocupa as duas salas do novo espaço da Galeria Marília Razuk.

PS1:Aqui, vídeos do programa de improvisação audiovisual nos calçadões de Pouso Alegre

Ken Vandermark, Mark Sanders e Luc Ex, do site http://www.maissoma.com

Ken Vandermark, Mark Sanders e Luc Ex, do site http://www.maissoma.com

Pra fechar um ano de shows antológicos, amanhã o Centro Cultural São Paulo encera sua irretocável programação de improvisação (tocada pelo grande Juliano Gentile) com duas apresentações históricas organizadas pela Desmonta (assim mesmo, com muitos adjetivos):

A primeira com Ken Vandermark (sax e clarinete – EUA), Luc Ex (baixo – Holanda) e Mark Sanders (bateria – Inglaterra). Outra, com dois gigantes da improvisação, que se conhecem faz décadas, mas nunca tocaram juntos: Han Bennink (bateria – Holanda) e Phil Minton (voz – Inglaterra).

Os motivos para não perder são vários. É a primeira vez que Vandermark toca no Brasil. A formação dele com metade do Speeq tem tudo pra ser explosiva. Han Bennink vem dessa vez pra improvisar, não pra tocar o repertório de outros grupos. O Phil Minton é sempre genial. Aliás, é a quarta vez que ele vem ao Brasil.

Abaixo, seguem vídeos dos músicos em diferentes formações. Três do Speeq (com Sanders, Minton e Luc), um de Vandermark com seu Vandermark 5 e outro dele com uma nova formação, com os músicos do The Ex (antigos colegas do Luc). Por fim, dois do Han Bennink: um com a pianista suíça Irene Schweizer e dois com o ICP e o parceirão deles, e gênio mor, Anthony Braxton (pra começar o movimento pra trazer o compositor e improvisador ao Brasil).

Pra fechar um grande ano para a música, a arte, a política e a vida.

ABAIXO, O SERVIÇO

HORÁRIO:

  • Dia 10/12 – sexta: 19h Ken Vandermark (sax e clarinete – EUA), Luc Ex (baixo – Holanda) e Mark Sanders (bateria – Inglaterra)

  • Dia 11/12 – sábado: 19h Han Bennink (bateria – Holanda) e Phil Minton (voz – Inglaterra)

Atualização: Se quem gosta de música nova ainda acha pouco, saiba que no domingo, às 16 horas, a Camerata Aberta se apresenta no Masp e executa peças de Ligeti, Oliver Schneller, Dufourt e Tristan Murail.

    Nos últimos dias finalmente todos nós do Guaciara conseguimos dar um tempinho e correr um pouco da febre de Internet da campanha eleitoral. Os dois turnos das eleições presidenciais (principalmente o segundo) trabalharam em uma chave de teste de convicções e de uma necessidade intrínseca do eleitorado buscar provas e argumentos convincentes pra desmontar qualquer tipo de especulação levantada na imprensa. Em geral, especulações distantes do que poderia vir a ser o governo do pós-Lula.

    Não é estranho que os ataques americanos ao câmbio no mundo inteiro, questões de infraestrutura, segurança e educação só tenham aparecido depois das urnas abertas.

    Como pouco se discutiu programa de governo, o tom era de fofoca, de buscar possíveis ilações e denúncias, mas isso todo mundo que passa por aqui com alguma frequência já sabe. O problema é que mal acabou o período eleitoral e o discurso permanece igual. Pouco se fala dos resultados práticos na vida das pessoas de cada decisão governamental e continua se apostando na espuma: uma hora é um bloco governamental novo, outra a ficha da presidenta, outra uma reunião do José Dirceu, o julgamento do caso Celso Daniel, os mal-estares do PT com o PMDB,  o que disse alguém para outro e coisas assim.

    Por isso, o que eu mais gostei da entrevista do Lula aos blogueiros foi quando ele se dispôs a falar de governo, como no caso de seu posicionamento contra o AI-5 digital, sobre a abertura de documentos sigilosos – sobretudo dos documentos sobre a ditadura -, as relações internacionais, Copa do Mundo, reforma política,  STF e seu critério de nomeações e principalmente seu compromisso em apresentar tudo que foi feito nos últimos oito anos, mostrando como a institucionalização das medidas é uma das marcas desse governo.

    Essa ação coordenada pelos blogueiros progressistas – e articulada pelo Renato Rovai - poderia ser replicada a uma entrevista com a nova presidenta e mesmo em entrevistas temáticas sobre educação, saúde, ciência e tecnologia, economia, desenvolvimento, ação afirmativa, agricultura familiar, jornada de trabalho,  relações internacionais, comércio exterior etc.

    Há entre os blogueiros gente muito qualificada para discutir todos esses assuntos. Agora é hora desses blogs se organizarem e colocarem essas questões. Na verdade, a Internet é uma ótima possibilidade para divulgarmos pautas consistentes e levantarmos um debate sobre os destinos do Brasl de agora.

    O respeitadíssimo Miguel Nicolelis, por exemplo, acaba de divulgar uma agenda muito relevante  para a ciência e tecnologia brasileira, o Manifesto da Ciência Tropical. O documento pode ser lido na íntegra neste link, mas vale a pena ler as suas 15 metas:

    1) Massificação da educação científica infanto-juvenil por todo o território nacional;
    2) Criação de centros nacionais de formação de professores de Ciência;
    3) Criação da carreira de pesquisador científico em tempo integral nas universidades federais;
    4) Criação de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia espalhados pelo país;
    5) Criação de 16 Cidades da Ciência;
    6) Criação de um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia;
    7) Criação de oito “Cidades Marítimas” ao longo da costa brasileira;
    8 ) Retomada e Expansão do Programa Espacial Brasileiro;
    9) Criação de um Programa Nacional de Iniciação Científica;
    10) Investimento de 4-5% do PIB em ações de ciência e tecnologia na próxima década;
    11) Reorganização das agências federais de fomento à pesquisa;
    12) Criação de “joint ventures” para produção de insumos e materiais de consumo para prática científica dentro do Brasil;
    13) Criação do Banco do Cérebro;
    14) Ampliação e incentivo a Bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado dentro e fora do Brasil;
    15) Recrutamento de pesquisadores e professores estrangeiros dispostos a se radicar no Brasil.

    Além disso, o site do governo brasileiro implantou um canal sobre a transição. Ainda é pouco centrado nas propostas de governo e acaba reproduzindo o que sai no noticiário, mas é na Internet que a gente deve levantar propostas e pensar o que queremos do governo Dilma e dos próximos.

    Desde o começo do ano, tenho tocado a revista Novos Estudos, publicada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o Cebrap, aqui em São Paulo. A Novos Estudos está prestes a fazer 30 anos, uma façanha para publicações desse tipo no Brasil: desde sua criação, em 1981, a revista procura ser um espaço multidisciplinar de discussão de temas cruciais da atualidade nos campos da política, economia, cultura e sociedade, brasileira e mundial.

    Tenho me esforçado para manter o padrão de qualidade da revista: ensaios e artigos científicos originais, que contribuam de forma definitiva para suas áreas e que ajudem o público leitor a entender melhor a realidade em suas várias facetas, além da tradução de artigos com o mesmo perfil.

    Na minha ainda breve gestão como editor, me orgulho de ter publicado nos três números de 2010 artigos como o relato sobre o terremoto no Haiti e suas consequências, pelo antropólogo da Unicamp e ex-editor da Novos Estudos Omar Ribeiro Thomaz (acompanhado de um ensaio fotográfico de Cris Bienrrenbach, da equipe de Omar, que registrou o terremoto); uma avaliação profunda e engajada do 3o Programa Nacional de Direitos Humanos, feita pelo professor Sérgio Adorno, da Universidade de São Paulo; e um ensaio de Jacques Rancière, sobre realismo literário e democracia, todos os três no número 86, de março deste ano. A edição de julho (87) trouxe um dossiê de avaliação do governo Lula, com artigos de Glauco Arbix (sobre política de ciência, tecnologia e pesquisa), do embaixador Rubens Ricupero (sobre política externa), do professor Ricardo Abramovay (sobre políticas de desenvolvimento sustentável) e uma análise política de Fábio Wanderley Reis, além de ter colocado pela primeira vez à disposição do público brasileiro traduções para o trabalhos do historiador da ciência norte-americano Steve Shapin, um artigo sobre a “darwinmania” que tomou conta da Inglaterra em 2009 e o que ela revela sobre o entendimento (e principalmente a sobre a falta de entendimento) do lugar da ciência na cultura moderna e do seu conterrâneo e crítico e historiador da arte Michael Fried, sobre o filme Zidane, de Douglas Gordon e Philippe Parreno. E ainda um breve ensaio do sociólogo sueco Göran Therborn, onde formula uma tipologia da desigualdade.

    O último número deste ano (novembro/88), que chega aos assinantes e às livrarias no fim dessa semana, me deixou bastante satisfeito, também: o número me parece bastante atual e atento a questões urgentes. Eugênio Bucci preparou uma análise sobre as experiência com TV pública no Brasil; Fernando Limongi e Rafael Cortez analisam os resultados das eleições de 2010; o professor André Singer dá continuidade às suas reflexões sobre o governo Lula em artigo sobre os rumos do PT; Eunice Durham resgata a trajetória das políticas educacionais das últimas décadas; Tadeu Chiarelli fornece algumas razões para que se comece a repensar as interpretações mais estabelecidas da arte moderna brasileira, e o eminente cientista social mexicano Victor Manuel Durand Ponte analisa a origem da presente crise social mexicana.

    Ainda, a revista traz um dossiê com três artigos sobre Joaquim Nabuco, em homenagem aos 100 anos de sua morte, com artigos de Marco Aurélio Nogueira, Angela Alonso e Leslie Bethell. Por fim, a NEC (como carinhosamente a chamamos, pelo menos por escrito) de fim de ano traz um relato do dia a dia nos territórios palestinos e as limitações colocadas à vida cotidiana de seus habitantes pela política de controle territorial do governo israelense, escrito pelo intelectual palestino radicado nos EUA e professor da Universidade da Califórnia Saree Makdisi.

    A arte da capa e o ensaio visual dessa edição ficaram a cargo de Fabio Zimbres, encerrando com classe o ano, que trouxe também os trabalhos de João Loureiro (no. 86) e Ana Prata (no. 87).

    Assinar a revista é incrivelmente barato. Graças ao auxílio da Fundação Carlos Chagas, temos conseguido viabilizar a revista a um preço justo. Se você se interessou, considere a possibilidade de fazer uma assinatura.

    Instituições de ensino e centros de pesquisa podem também receber, gratuitamente, uma coleção de Novos Estudos. É só pedir com jeitinho.

    E, nessa sexta, a Novos Estudos e o Cebrap recebem o professor André Singer para o seminário “A segunda alma do Partido dos Trabalhadores”, às 16h. O evento marca também o lançamento do novo número da revista. Confira aqui o artigo de Singer.

    Boa leitura.

    Cena de "The Cool World", de Shirley Clarke

    Começa amanhã e vai até o dia 28 de novembro em BH, o evento de cinema em que eu mais aprendi na vida, o forumdoc.bh. Neste ano, são 145 filmes em 18 dias sem dar refresco para o comodismo e com filmes raramente exibidos no assim chamado circuito de arte brasileiro.

    Apesar de também se chamar Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte e ter ganhado prestígio por isso em suas 14 heróicas edições consecutivas, o forumdoc é acima de tudo um festival de investigações visuais sobre a sociedade, com uma programação sempre relevante e reveladora. Por causa disso, os catálogos da mostra (a últma versão está disponível na Bibliotoca Telê Santana) tornaram-se publicações importantes para quem se interessa por cinema, antropologia, artes etc. Além disso, é necessariamente organizado por um grupo de verdadeiros aficionados pelo que assistem e é um dos eventos mais legais, divertidos e interessantes que eu já participei.

    O Guaciara irá publicar outros artigos sobre as mostras que acontecem na Sala Humberto Mauro e na UFMG até o dia 28/11. Para começar, publicamos o artigo sobre a Direto.doc, maior mostra sobre o cinema-direto norte-americano já realizada no Brasil, com cineastas como Fredrick Wiseman, Ed Pincus, Pierre Perrault, Michel Brault, Robert Drew, Richard Leacock, D.A Pennebaker, e irmãos Maysles.

    No dia 20 de novembro, no Cine Humberto Mauro,  Ed Pincus, João Moreira Salles, Ruben Caixeta de Queiroz e Paulo Maia debatem as obras exibidas na mostra.

    No texto abaixo o curador da mostra direto.doc, nosso amigo de fé e descontração Paulo Maia (que também é etnólogo e professor do Departamento de Ciências Aplicadas à Educação – Faculdade de Educação / UFMG), fala um pouco sobre a mudança de perspectiva do cinema direto que citando a falsa analogia entre cores  formulada por Jean-Jacques Rousseau em seu famoso Ensaio sobre as origens das línguas: “sem saber pintar para as orelhas, decidiu-se cantar para os olhos”.

    Como Paulo conclui: “o cinema-direto coloca o ouvido no lugar do olhar”. O texto, publicado no catálogo do  forumdoc.bh.2010, é imperdível ( e o pessoal do Guaciara inseriu cenas de alguns filmes comentados) e garanto que muita gente vai querer passar dias enfurnado na Sala Humberto Mauro depois dele para ver, escutar e pensar o mundo na frente da tela de cinema. Vale a pena ler até o final.

    Salve o direto!1

    Paulo Maia2

    A perspectiva dominante nas mais diferentes vertentes do documentário é aquela que admite que o cinema se difere de antemão do real e que postula função do documentário capturar a realidade. O efeito de filmar, segundo essa vertente, é o de capturar o real na forma de sons e imagens, a mediação da câmera e do gravador (e do operador), sincrônicos ou não, tende a ser mascarada, em favor de um estilo-técnico-utópico que, como sugere João Moreira Salles de modo arguto, deseja representar um mundo sem consciência de estar sendo filmado.

    Essa é, aliás, a impressão, sob suspeita, que temos a respeito de uma filmografia, convencionalmente chamada de cinema-direto norte-americano. O forumdoc.bh.2010 tem a ousadia de arranjar sob a alcunha de direto.doc uma mostra inteiramente dedicada a apresentar e discutir parte da filmografia de uma dezena de realizadores dos Estados Unidos e do Quebéc, que de formas diversas, associadas ou dissociadas, durante os anos 1960, souberam levar a cabo o sonho de através de uma nova técnica, nova possibilidade, potencializar o cinema em direção ao projeto naif, diriam os críticos mais severos, de filmar na duração, som e imagem sincrônicos, os mundos e as pessoas reais.

    Um dos desejos da curadoria dessa mostra é o de superar visões totalizantes sobre essa filmografia, vez que os mais de 50 filmes apresentados, nem todos normalmente dependurados sob o guardachuva do cinema-direto, denotam modos criativos e heterogêneos, mantendo a hipótese de um espectador ativo e um cinema que, mais que representa, cria um mundo consciente de que está sendo filmado.

    O elemento contumaz, a linha de fuga desse cinema, é menos a imagem, e mais o som, sobretudo o som direto e sincrônico à imagem: eis a nova técnica a serviço do homem. A diferença original entre filmar (imagem, cor) as pessoas, os animais, as plantas e os objetos em um espaço e gravar-lhes o som tende a ser reformulada na medida em que o som “filmado” é linkado, i.e., sincronizado às imagens e o regime da claquete/palma torna-se padrão. Curioso retorno à falsa analogia entre cores e sons tal como formulada por Jean-Jacques Rousseau em seu famoso Ensaio sobre as origens das línguas: “sem saber pintar para as orelhas, decidiu-se cantar para os olhos”. O cinema-direto coloca o ouvido no lugar do olhar.

    Les Raquetteurs (1958), de Michel Brault e Gilles Grouxl, é considerado um precursor do direto, filme experimental e de passagem – assim como La Lutte (1961) – em direção ao som direto, sincrônico às imagens. Apesar de ter levado a fama de ícone gerativo do direto – considerando o efeito que viera a causar a   Rouch anos depois –, é o próprio Michel Brault, em entrevista, quem adverte que, ao pé da letra, Les Raquetteurs tem pouco de direto, na medida em que não são muitos os momentos do filme em que o som é sincrônico. Filmada em 35 mm, a produção não pôde contar com uma câmera leve e silenciosa. Nessa fase de transição, o cinema quebequense ainda estava lidando com limitações tecnológicas relacionadas à câmera – sobretudo o barulho acentuado das de 35 mm e das primeiras câmeras portáteis em 16mm que interferiam na captação do som –, e os gravadores de áudio, pesados demais, além da dificuldade inicial em sincronizar, ainda que a posteriori, o som e suas imagens. Foi certamente o silêncio das câmeras portáteis que permitiu que o cinema falasse.

    A história do cinema-direto narra o engajamento gradual em uma nova dimensão sonora, dona das imagens, que passa a ter o mesmo peso ontológico que estas últimas no cinema. Nos filmes de Pierre Perrault, por exemplo, a relação imagem e som é utilizada de forma bem peculiar. A imagem em alguns momentos simplesmente ilustra uma cena sonora. Um exemplo: Perrault recorda que certa vez havia gravado em seu famoso magnetofone uma história contada por “Le Grand-Louis” a respeito de um galo que lhe intrigou imensamente. Era fantástica, contudo, “pas des image!”. O jeito, confessou, foi a posteriori arranjar imagens não filmadas durante o momento em que o velho narrava a história, capturadas exclusivamente para ilustrar a história contada por Grand-Louis, um homem do povo. No Canadá, o direto corria na corrente contrária às peças de rádio, rompera com a linguagem formal e artificiosa das representações ordinárias, em favor de levar para a tela de cinema o povo quebequense, pois o verdadeiro, diríamos, não é um ser imaginado e roteirizado de forma a encarar uma personagempadrão, mas como nos diz Marcel Mauss, o verdadeiro é o melanésio de tal ou tal ilha, é Roma, é Atenas. Verdadeiro, nos termos desse cinema, é a fala de Alexis, Marie e Leopoldo da Île-aux-Coudres no magistral Pour la suite du monde (1962). Um bom filme de cinema direto é aquele que sabe escutar e dar palavra a toda gente, como sugere Nísio Teixeira em ensaio para este catálogo. Novo cinema, nova nação.

    A mostra direto.doc está dividida em duas ou três vertentes do cinema-direto norte-americano dos anos 1960. A americana, propriamente dita, teve em Robert Drew e naqueles realizadores que se reuniram em torno dele sua expressão mais emblemática. Primary (1960) foi realizado por ele e pelo coletivo Drew Associates, cujos parceiros mais conhecidos eram Robert Leacock (grande fotógrafo que em 1948 já filmara com Robert Flaherty sua última obra, Louisiana history), os irmãos Albert e David Maysles (famosos por terem filmado juntos um dos maiores documentários do rock, Gimme Shelter, que narra de forma dramática a tragédia no concerto dos Stones em dezembro de 1969 em Almont) e D.A. Pennebaker (que imortalizou as imagens de outra estrela do rock, jovem, charmoso e, por vezes, arrogante: o lendário Bob Dylan, no conhecido Dont look back (1967), focado em uma turnê pela Inglaterra dos anos sessenta).

    Clique no link ao lado para ler o resto do texto (more…)

    Eu vou lá, e você pra onde vai?

    Eu vou lá, e você pra onde vai?

    A campanha da Dilma está na reta final. Se você está assustado com o tom do que vem contra a Dilma,  se prepare, ainda vai piorar. O que a gente tem de fazer é responder na internet e na rua.

    Por isso, participe do máximo de eventos pela campanha da Dilma. Amanhã(sábado, dia 23), o pessoal de BH organiza o Abraço na Contorno. Tem tudo pra ser um dos acontecimentos mais bonitos da campanha.

    E na quinta, dia 27, acontece o Dia Nacional de Mobilização Dilma Presidente! Não dá pra perder, consulte o diretório do PT em sua cidade ou os sites da campanha da Dilma (ou este). Se não souber de nada, junte seus amigos, suas bandeiras, camisetas e adesivos e vá pra rua festejar em favor da candidatura.

    Eu, irei participar do Abraço à bandeira na Praça dos Três Poderes em Brasília, às 19h. O pessoal do DF que acompanha o Guaci é convidadíssimo a participar. A mobilizaçãoé indispensável para garantirmos a vitória no dia 31 de outubro. Vamos pra rua pessoal, faltam nove dias. Até lá, não dá pra parar.

    Atualização por Tiago Mesquita: Eleitores da Dilma, segue o lindo material de campanha feito pela minha querida amiga Julia Liberati no espírito DIY: http://diylma.com/

    Joseph Kosuth: "Arte Como ideia"

    Este é o primeiro texto que pretendo escrever sobre a temporada de arte. Ainda quero fazer algo sobre o trabalho de Rodrigo Andrade e resenhar o livro de Francis Alÿs e mais, mas cada coisa em sua hora. Vontade sobra pra falar  de mais coisas.

    Muita gente boa fala sobre a obsolescência deste tipo de exposição. Não são palermas que acham que sabem onde começa e onde termina a arte, mas gente que entende o circuito muito melhor do que eu. Os argumentos são ótimos.

    Mesmo assim, não posso evitar, gosto muito de época de Bienal. A cidade fica repleta de boas exposições e discussões sobre arte. Um público que não dá tanta bola para a produção contemporânea presta atenção no assunto e uma garotada começa a cultivar o gosto pelas linguagens visuais.

    Estive duas vezes nesta Bienal, na quarta-feira da semana passada (24 de setembro) e na abertura. Ainda falta muito, muito mesmo, pra ver, mas o que vi já foi o suficiente pra me deixar animado. Mais do que a ideia da exposição, é muito trabalho bom. Só o que pude testemunhar de Tatiana Blass, Nuno Ramos, Rodrigo Andrade, Anri Sala, Francis Alÿs, Steve McQueen, Cinthia Marcelle, Sara Ramo, Mateus Rocha Pitta, Moshekwa Langa, Joseph Kosuth, Nan Goldin, fora o terreiro de Carlos Teixeira e obras históricas de Antonio Manoel, Oswaldo Goeldi, Carlos Vergara, Antonio Dias, Hélio Oiticica e dos grupos de arquitetos Archigram e Superstudio é pra encher os olhos e ficar feliz.

    Além disso, a cidade está pegando fogo. Exposições de primeira estão em cartaz, como a retrospectiva do Antonio Dias na Pinacoteca, a obra de Thomas Hirschhorn na Escola São Paulo, a Paralela (que é sempre legal de ver), mostras de Tunga, Sérgio Sister, Arthur Lescher, Raymundo Colares, Mauro Restiffe, Zerbini (que eu ainda não vi), do Ernesto Neto (que também não vi) e coletivas como a da Galeria Mendes Wood, a da Baró/EmmaThomas, do Instituto Tomie Ohtake e a excelente da galeria Luísa Strina (organizada pelo grande Rodrigo Moura). Aliás, quase me esqueço, o MASP parece mudar de ares. Abriu uma mostra só com a pintura contemporânea alemã, com nomões como Albert Oehlen, Neo Rauch e, sobretudo, Gerhardt Richter (goste-se ou não, ele é um dos maiores artistas vivos).

    Só a oportunidade de ver duas belas mostras do Fred Sandback e uma retrospectiva do Sérgio Camargo, aliás, já era motivo de alegria há menos de um mês atrás. Olhem, ainda não sai de São Paulo.

    Joseph Kosuth: "Arte"

    Quem se interessa, como eu, pelo esforço de se aproximar ou distanciar vida e arte, a cidade também está um prato cheio. A começar pela obra de Hirshhorn. Tenho a impressão que um dos artistas mais militantes do século XXI vai na contramão de boa parte da arte contemporânea. Sua obra, cada vez mais, toma distância da vida para pensá-la criticamente. Trata das ideias de participação, de obra militante e de forma mesmo. Tem muitas outras exposições sobre o assunto na cidade. Acho que as melhores obras contemporâneas sobre o assunto são as que levam adiante esses limites da militância. Sobretudo as que questionam obras de arte que se pretendem politizadas mas só falam do meio de arte e do circuito.

    Agora, a discussão é levada a sério na mostra de Joseph Beuys no SESC Pompéia. A maior parte da exposição é feita de documentos do período em que ele deixou de ser artista no sentido tradicional e se tornou escultor social, um militante. Para ilustrar isso, existe uma anedota. Dizem que durante a Documenta de Kassel que ele expôs junto com Richard Serra, perguntaram a ele o que ele achava do grande escultor. ele teria respondido: “É ótimo, mas é arte”.

    Aliás, o assunto me faz pensar as últimas três reações conservadoras às obras da Bienal. Por conta de motivos extra-artísticos setores diferentes da sociedade quiseram embargar três obras. Independente da qualidade das obras, acho que o gesto é inadmissível.

    Tudo começou por uma ação da OAB – SP, encabeçada pelo famigerado D’Urso. Além de ter um sobrenome legal, o devogado foi protagonista do já esquecido movimento cansei. E sua pena pediu para censurar os desenhos do artista pernambucano Gil Vicente. Nos trabalhos o artista se retrata torturando e assassinando figuras políticas importantes como o presidente Lula, o ex-sociólogo Fernando Henrique Cardoso, Kofi Annan, Ahmadjinejad, Jarbas Vasconcelos e outros. Não é o melhor trabalho do artista, mas é engraçado e parece um gibi. Daquelas obras que são típicas da Bienal de SP.

    Agora, por razões morais, o nobre doutor acha que o trabalho deve ficar longe dos olhos do público. Segundo o infeliz, traria ideias perigosas aos visitantes. Convenhamos, nem uma ostra raciocinaria coisa tão primária.

    Depois, parece que a justiça eleitoral pediu a retirada da intervenção El Alma Nunca Piensa Sin Imagen, do argentino Roberto Jacoby. Lá, ele reuniu um grupo para fazer, explicitamente, campanha para Dilma Roussef nos pavilhões da Bienal. Sou eleitor da Dilma e fiquei satisfeito em ver as madames torcerem o nariz para a obra na abertura. Mas não acho que isso seja boa arte. É uma bobagem.

    Fred Sandback: esse sabia das coisas

    É claro que o sentido político é mais efetivo do que de gente que discute o cubo branco, mas é pouco. Agora, independente da qualidade, ajoelhou tem que rezar. Mantenham os caras lá. Eles se aproveitam da estrutura pra veicular uma causa. Tal como os artistas que se ligam em meio ambiente, minorias, direitos dos animais, se trata de oportunistas, mas esse é o meio de arte. Nesse caso, entretanto, parece existir um problema legal. Como se trata de um prédio público, é proibido fazer campanha eleitoral. Mas seria legal sustentar um trabalho, mesmo que ruim, até o final.

    Este  é só mais um daqueles trabalhos típicos de Bienal. Obras engraçadas de artistas não tão relevantes mas que nos fazem dar risadas e lembrar das histórias anos depois. Isso é outra boa notícia dessa exposição: os trabalhos rídiculos estão de volta. Cabeças de bicho do horóscopo chinês, lutador gay de luta livre, gente namorando desenhada em spray, muita coisa divertida. Prefiro este ridículo do que o bom gosto de discussões de departamento sobre arte e o seu circuito.

    Por fim, soube da nova tentativa de censura hoje. Querem fechar agora o belíssimo trabalho de Nuno Ramos no vão do edifício do Ibirapuera. A obra é composta de peças monumentais de areia queimada que formam um espaço de edifícios fechados e abandonados. A cor os envelhece e o fato de não se abrirem para o seu entorno tornam-lhes assombrosos. Em si, já é bastante aterrador. Sobre a obra caixas de som emitem músicas como Carcará, Boi da Cara Preta e outra que eu não me lembro. São exemplos dessa narrativa associada ao pessimismo e uma tristeza constitutiva da nação. Lembra-me as obras de Oswaldo Goeldi, alguns poemas do Drummond e os desfechos do Machado de Assis.

    O caso é que urubus sobrevoam os volumes e pousam sobre eles. Com as melhores intenções militantes em favor dos bichos quiseram interditar a obra. A censura se fez presente de novo. Acho que qualquer reivindicação legítima, mas tenho certeza que a obra cumpre as designações legais associada ao cativeiro dos bichos. Acho que esse precedente pode ser muito perigoso. Se começam a proibir todas as obras que ofendem concepções morais de determinados grupos a liuberdade de criação ficaria muito restrita. A arte ficaria chata como os desenhos animados. Hoje os personagens não podem fumar, bater em bichos e ficarem doidões nos desenhos infantis.

    Tenho certeza que esses limites tornaram essa linguagem muito chata. Acho que essas restrições violentas à criação podem fazer o mesmo com as ideias no Brasil. Assim, mais que as loucuras da oposição ao governo federal, o autoritarismo mora aí. Fora que, como já nos ensinou de forma muito esclarecedora um sujeito que comentou aqui no blogue, o moralismo é o melhor refúgio dos canalhas.

    PS: Saiu no Brasil um dos filmes mais emocionantes que já vi: Step Across the Border, de Nicholas Humbert e Werner Penzel. Aqui no Brasil ele recebeu um nome engraçado: Conexões desconexas. É sobre um dos meus ídolos, o guitarrista e compositor Fred Frith. No filme ele trata sobretudo de uma ética dele que associa sua posição frente ao mundo às suas discussões sobre a música popular e a música de vanguarda. Comovente.

    PS2: Amanhã o Joseph Kosuth fala na Bienal, não dá pra perder.

    Maurício, Mesquita e Raimundão

    Maurício, Mesquita e Raimundão na frente, Marcãos e Claudinho atrás

    Quem ainda não sabe do que se trata, é só ler aqui. Já falamos muito sobre esse grupo fundamental para música do Sul de Minas no blog do Guaciara e eu garanto que o show do Imbuia vai emocionar quem aparecer no Teatro Municipal de Pouso Alegre nesta sexta e sábado.

    Por causa da correria que anda por aqui, nós esquecemos de divulgar o incrível show de lançamento que o Davi Bernardo fez em Pouso Alegre. A sensação geral entre os que foram é que uma coisa muito importante começa a acontecer na cidade e isso me entusiasma demais.  Cliquem aqui e vejam alguns vídeos produzidos pela galera de Pouso Alegre que serviram como cenário do show do Davi, muita coisa legal.

    Semana que vem, para divulgar outro evento sul-mineiro, eu falo mais de bons discos dos amigos .

    Eu sei que o blog do Guaci anda em falta com os leitores principalmente em relação à campanha eleitoral que a cada dia ganha contornos mais dramáticos e sangrentos.

    O tempo anda muito curto e a disponibilidade para participar do debate também. Já a gente volta. Enquanto isso sigam lendo gente que entende muito mais dessas tretas como o Idelber, o Brizola Neto, o Celso, o Rapha e o Hupsel.

    O Tiago ainda indica o VVORK sobre arte contemporânea e o divertidíssimo Caracteres com Espaço da Helô Lupinacci, um blog sobre tudo, ao contrário do que diz sua autora.

    Gostou dos quadrinhos? Então saca o reclame! Oportunidade boa:

    Segue a programação dos cursos que vou ministrar esse semestre, com o intuito de pagar a mensalidade de um Opala novinho que descolei lá no forró do tadeu. vai pela ordem dos dias da semana:

    1- segundas-feiras, das 19 e 30 às 21 e 30 na Loja Cachalote (vide anexo). é um curso de “História da Arte Contemporânea” em um ambiente informal. turmas pequenas onde vamos discutir alguns temas da arte contemporânea com um computador a tiracolo onde eu passo imagens e filminhos e até musiquinhas. maiores informações no fone (11) 3676 0796 e no (11) 2738 4057.

    2- terças-feiras das 13 e 30 até 15 e 30 no Collégio das Artes. chama “análise de portfólios” ou análise de projetos”. lá debatemos as obras dos artistas participantes e até da sua. se vc quiser participar. foi uma idéia que roubei da Juliana Monachesi e do Guy Amado e não pretendo devolver tão cedo. a não ser que eles peçam, é claro. contatos: (11) 3064 4740 e (11) 2738 4057

    3- quartas-feiras, das 18 e 30 às 20 30, no instituto Tomie Ohtake. esse é um “Curso de História da Arte Contemporânea” também. um pouco diferente, por motivos que vocês vai ter que, literalmente, pagar pra ver. o curso vai de 11 de agosto e 24 de novembro. contatos pelo fone: (11) 2245 1900 e (11) 2738 4057.”


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