Uncategorized


 

 

Aceitamos de elogios a xingamentos, passando pelo xaveco e pela provocação, qualificada ou barata, nomes completos ou completo anonimato, mentiras, sexo explícito e violência gratuita. Mas não admitimos pessoas tentando se passar por outras. Essas a gente exclui e bloqueia.

Sem mais,

A Direção

Eu ouvi demais esse disco em 2011-2012. Já tinha pirado com Sighs trapped by liars, de 2007, disco da mesma parceria entre Mayo Thompson e o grupo de arte conceitual anglo-americano, mas essa sequência de retratos musicais de uma lista idiossincrática de figuras icônicas norte-americanas  - Wile E. Coyote, George W. Bush, Jimmy Carter, John Wayne e Ad Reinhardt – grudou na cabeça. Abaixo a íntegra do disco.

 Esse comentário foi escrito em resposta a uma reportagem de Uirá Machado, na Folha de São Paulo, à época das eleições municipais de 2012. Nela o jornalista relatava – ironizava, sejamos justos – a suposta petulância de passagens da tese de doutorado do então candidato Fernando Haddad, defendida no departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, em que ele comentava com viés crítico a obra de filósofos, clássicos e contemporâneos, globais e locais. Me incomodou nela não apenas o subtexto amarrozado, por assim dizer – José Serra despencava rumo à derrota, Haddad subia nas pesquisas, o que pode ter ou não incomodado parte da equipe, ou mais propriamente da direção, daquele jornal, e daí a pauta meio gratuita – mas a falta de compreensão da natureza da própria vida intelectual, institucionalizada em universidades e suas dinâmicas e ritos, puramente acadêmicos ou nem tanto. O texto fez que ia sair na própria Folha mas não saiu, e ficou guardado na gaveta. Tomando carona na iniciativa do Lauro, o guardião eterno do Guaciara, resolvi postar o bichinho para ele pelo menos tomar um ar. É meio metido a sério e posudo, talvez, mas a intenção era tentar não contaminá-lo com o calor das eleições. Eu o dediquei na época, e dedico aqui novamente, à memória do professor Antônio Flávio Pierucci.

            A vida intelectual é fundada no conflito. Inovação e criatividade, em todas as áreas da vida acadêmica, pressupõem oposições e rivalidades. A imagem convencional do filósofo ou do cientista metido com seus pensamentos em seu gabinete, ou tomando notas solitariamente durante a pesquisa de campo ou no laboratório para depois apresentar, triunfalmente, seus resultados a uma audiência embasbacada, satisfaz nosso desejo de paz e concórdia na Torre de Marfim (o já folclórico azedume da política acadêmica à parte) – afinal, seus habitantes estariam desde sempre envolvidos em uma busca compartilhada pela Verdade –, mas é falsa. “Não devemos nos esquecer”, escreveu o economista Joseph Schumpeter, “que escolas de pensamento são realidades sociológicas. Elas possuem estruturas próprias – relações entre líderes e seguidores – suas bandeiras, seus gritos de guerra, seus humores, seus interesses demasiado humanos. Seus antagonismos fazem parte da sociologia dos antagonismos de grupo e das guerras de facções. Vitória e conquista, derrota e perda de território, são em si mesmos valores para todas as escolas de pensamento, e parte de sua existência”.

Dar um passo atrás e olhar com certa distância sociológica os episódios de disputa intelectual pode nos deixar menos assombrados com sua aparente violência ou falta de modos e entender melhor os motivos estruturais que levam a vida acadêmica a se organizar em torno dessas rivalidades.

Territórios em disputa

Intelectuais têm em comum com gangues juvenis e Estados o fato de disputarem espaços escassos. No caso destes últimos, estão em jogo áreas de controle e influência – seja o do comércio ilegal em um bairro ou de recursos naturais estratégicos – via o monopólio, legítimo ou de fato, do exercício da violência. No caso dos primeiros, está em disputa o que se convencionou chamar de espaço de atenção intelectual – o lugar da “ação intelectual” –, igualmente escasso. Assim, onde há criatividade intelectual há rivalidade em função da disputa por recursos via de regra minguados. O campo intelectual se divide historicamente em no mínimo duas posições (uma andorinha só não faz verão) e no máximo seis. Abaixo disso há estagnação intelectual, pouca ou nenhuma criatividade, repetição e ortodoxia, o fantasma de alguma figura proeminente que esqueceu-se de deixar tarefas instigantes para a geração posterior; acima desse patamar máximo, há uma cacofonia que se sustenta por pouco tempo e indica um período de crise e reorganização dos espaços de atenção. Não é de surpreender, então, que, assim como no caso gangues e Estados, o padrão básico da vida intelectual seja o de formação de alianças e o estabelecimento de rivalidades.

 Gentileza e acrimônia

Essa rivalidade pode assumir, no entanto, pelo menos duas formas diferentes. Quando se trata de demarcar uma nova posição a partir de um capital cultural herdado, ao qual o membro de uma nova geração queira se associar sem se subordinar, o racha pode ser gentil: “Platão é um grande amigo”, teria dito Aristóteles a respeito de seu mestre, “mas a Verdade uma amiga ainda maior” (verdade aqui sendo um código para “minha posição”).

Mas as rivalidades podem ser mais intensas e azedas, em especial quando se trata de intelectuais que por força das circunstâncias, e não por falta de talento, se viram excluídos dos espaços de atenção disponíveis. Schopenhauer dava pulos de ódio ao ver seu colega Hegel assumir a posição de super star do Idealismo alemão, arrastando pequenas multidões para suas conferências enquanto as de Schopenhauer ficavam literalmente às moscas. Ambos foram alunos de Fichte, ambos estavam na linha de sucessão prontos para assumir o papel de nova eminência da filosofia na Alemanha. Mas tratava-se de uma cidade pequena demais para os dois, e Schopenhauer teve sorte de viver o bastante para ser redimido pela geração seguinte de intelectuais (entre eles, famosamente, Wagner e Nietszche) e salvar-se de uma provável condenação a uma posição secundária no panteão do Idealismo.

Boa parte do caráter corrisivo da prosa de Marx também pode ser atribuída ao sentimento de ter ficado, em vida, de fora do agito. Os alvos de sua crítica ácida em A ideologia alemã – Feuerbach, Bruno Bauer, Stirner – haviam sido seus companheiros de círculo de discussão filosófica, e todos saíram na frente com a publicação de seus sistemas. Bakunin e outras figuras do movimento revolucionário que provaram do veneno de sua pena também haviam conseguido se sentar primeiro na cadeira que Marx julgava ser sua por direito. (Postumamente, Marx assumiria o papel de padroeiro de (quase) toda revolução, real ou imaginária).

Há ainda uma outra espécie de acrimônia na disputa intelectual, quando o que está em jogo é um embate não intra, mas intergeracional. Aspirantes correm o risco de parecer pouco originais, ainda mais quando trabalham sob as asas de um intelectual eminente. Nesses casos o embate pode ser mais incisivo, quando o aspirante pressente no ar a abertura de novos espaços a serem ocupados por quem tiver mais talento ou chegar primeiro. Muitas vezes a estratégia de sobrevivência de quem não quer assumir o lugar mais modesto de seguidor é atirar para todos os lados. O conflito é constitutivo do mundo intelectual, e condição para que seja um ambiente marcado pela criatividade e não pela repetição escolástica de ortodoxias.

Lutando morro acima

Esses lembretes sobre a natureza conflitiva do mundo intelectual ajudam a repensar o sentido das anedotas acadêmicas recontadas por Uirá Machado em artigo nesta Folha, envolvendo o professor e candidato a prefeito Fernando Haddad e outras figuras importantes da faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, o filósofo José Arthur Giannotti entre elas, assim como dos comentários supostamente pretensiosos de sua tese de doutorado.

É claro que, feitas as contas, academicamente Haddad, enquanto aspirante, estava lutando morro acima. Gerações anteriores – Giannotti, Ruy Fausto e Paulo Arantes, para ficar com exemplos locais – estabeleceram um padrão altíssimo para os estudos de clássicos da filosofia moderna, Hegel e Marx entre eles.

Discordar de um intelectual e elegê-lo como rival, no entanto, é reconhecer sua centralidade no debate.“Para manter-se na linha de frente da ação intelectual”, escreveu o sociólogo norte-americano Randall Collins, que reconstruiu em detalhes esses vínculos de conflito que atravessam a longuíssima história universal dos intelectuais, “é preciso estar antenado com o ponto onde as linhas de oposição estão em mutação; um intelectual formula não apenas a sua posição, mas a sua posição enquanto distinta de posições que são muito parecidas com as suas, e também enquanto ponto de oposição às de seus  rivais proeminentes.”

Intelectuais estabelecidos e aspirantes entram necessariamente em oposição. Muitas vezes são pesos-pesados, e o ruído dos sopapos que trocam, muitas vezes em público, pode assustar uma audiência menos acostumada à rispidez dessas situações. Um murro de George Foreman poderia custar a vida a mim e a você; Muhammad Ali, no entanto, aguentou oito rounds seguidos de jabs, diretos, cruzados e uppercuts do então campeão até levá-lo à lona. Foreman jamais deixaria isso acontecer se seu rival não soubesse bater e apanhar como gente grande.

Refração

É claro que o debate intelectual reflete – ou antes, refrata – outros posicionamentos: políticos, por exemplo. Como o próprio artigo nos lembra, a tensão espelha uma outra, entre PSDB e PT. Essa é a principal lição do estudo de Pierre Bourdieu sobre a “ontologia política” de Martin Heidegger. A interpenetração de crise econômica, política e universitária dos anos 1920 na Alemanha se traduziu, na obra de Heidegger e de outros pensadores conservadores contemporâneos seus, numa metafísica da decadência. Da mesma maneira, quando um intelectual favorece uma ou outra interpretação de um clássico (como Marx ou Habermas) também indica onde repousam suas lealdades, filosóficas mas também políticas.

As regras do jogo

O que soa como desrespeito e pretensão é, nessa perspectiva, indício da autonomia do debate intelectual num país cuja democracia mostra sinais de boa saúde, no qual política e universidade se interpenetram sem se colonizar. Um ambiente que permite que intelectuais conduzam seus embates em termos puramente – ou quase – disciplinares, disputando interpretações e pretensões de validade no seu jargão próprio, jogando um jogo cujas regras todos reconhecem como legítimas, ainda que vez por outra alguém na geral grite “falta!”.

Para dar continuidade aos excelentes trabalhos que a improvisação livre vem prestando à cidade, amanhã teremos a apresentação do Sokkyo Trio. O concerto encerra a passagem do genial percussionista Sabu Toyozumi na América do Sul.Ele já se apresentou na cidade e surpreendeu muita gente boa, como podemos ver no blog do professor Rubens Akira e no ótimo Free Form, Free Jazz.

A apresentação é mais um dos resultados da mobilização da vanguarda da cidade em abrir o diálogo e fazer o que um organizador de shows devia sempre fazer: apresentar artistas que o curador defende para um público maior. em uma época em que o discurso de produtores parece tão institucional, é muito bom ver que ainda tem gente que só promove o que acredita ser o melhor sendo feito no mundo.

Desta vez, Sabu se apresenta com os não menos geniais Thomas Rohrer e Rodrigo Montoya. Ambos são velhos conhecidos deste site e gente com que eu aprendo sempre. Abaixo, deixo-lhes o convite, o release  e um pequeno trecho de Sabu tocando Amanha Segunda-feira, dia 30 de janeiro, encontro de improvisação livre no OTTO Bistrot com: SOOKYO TRIO: Sabu Toyozumi – erhu e percussão Thomas Rohrer – rabeca e saxofone Rodrigo Montoya – shamisen e violão Último concerto do músico japonês Sabu Toyozumi em sua turnê pela América do Sul. Sabu Toyozumi nasceu em 1943, em Yokohama. Iniciou a sua carreira nos anos 60 como baterista da lendária banda japonesa de Rock Progressivo, “Os Samurais”. Em 1970 focou-se inteiramente para a música de improvisação livre e desde então tocou e viajou ao redor do mundo com grandes músicos do gênero como Kaoru Abe, Misha Mengelberg, Wadada Leo Smith, Derek Bailey, Paul Rutherford, Sunny Murray, John Russell, Fred Frith, Takehisa Kosugi. Em 1971 se tornou membro da AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians de Chicago). No final dos anos 70 formou um duo com o saxofonista Kaoru Abe, um duo muito aclamado pela crítica da época.

http://www.j-music.com/sabu

http://www.geocities.jp/sabu_toyozumi

Local : OTTO Bistrot R. Pedro Taques, 129 – travessa entre Consolação e Bela Cintra 21:00hs, Entrada 5 Reais

A revista Mais Soma publicou esse texto, resultado de um primeiro contato com o trabalho dessas duas artistas. No fim, não sei se ele ficou a altura da qualidade da revista. Mesmo assim, depois de um longo intervalo, resolvi publicá-lo no blog. Acho que merece. Primeiro, porque tapa o buraco. Nos últimos tempos, estou muito ocupado  e a coisa aqui está devagar. Além disso, um pouco depois de entregar o texto, escrevi um parágrafo que estava fora da versão original e incluí aqui. O escrito ficou mais longo, com um degrau a mais. 

Jessica Jane Barlow

Muitos conheceram lugares distantes através da arte. Por exemplo, é bem provável que a maioria dos jovens falantes de língua alemã do começo do século XX tenha tido seu primeiro contato com o Oriente Médio através das estereotipadas aventuras de Hadji Alef Omar (Bin Hadji Abul Abbas, ibn Hadji Dawul Dalgossara), da série de romances iniciada com “Através do Deserto”, de Karl May (o mesmo de Winetou).

Fico a pensar no impacto que os relatos de Marco Polo ou as pinturas de Rugendas tiveram para construir a visão europeia sobre o extremo oriente chinês e a floresta tropical brasileira. O curioso é que a maior parte dos relatos foi feito por gente que nunca tirou os pés de seus domínios. Gente que inventava esses espaços distantes ou que imaginava como sua terra natal havia sido décadas atrás, séculos atrás.

Esse uso da imagem, da imaginação, para recriar lugares onde nunca se esteve é muito antigo. A arte lida com isso desde que não tinha esse nome. Criar passados ideais, futuros assustadores e terras distantes. Muitas vezes se tratava apenas de uma oposição destinada a exaltar o lugar onde se vivia, depreciar as pessoas que vinham de fora ou expor acontecimento poucos elogiáveis da história de determinado local. Nesse caso, o uso de Gauguin de imagens da vida do dia a dia da Polinésia parece ser exemplar.

Mas, se até algumas décadas atrás o recurso servia para atiçar a curiosidade dos lugares desconhecidos, hoje não parece ter a mesma função. A arte contemporânea continua a recriar lugares distantes, sobretudo lugares distantes que nunca estiveram em lugar nenhum, nem na história e nem na cartografia. No entanto, hoje essa criação não aponta para formas de vida que neguem as formas de organização da sociedade.

No ano passado, em Londres, pude conhecer duas artistas inglesas muito jovens que tentam, a partir de sua produção visual, reinventar um lugar distante no tempo e no espaço daquilo que elas imaginam que seja Londres. Uma faz isso no tempo, a outra, no espaço. Uma inventa o que seria uma arte contemporânea brasileira, e a outra, o que seria a produção gráfica de décadas atrás.

Gabrielle Sellen inventa um Brasil mítico em suas esculturas, penetráveis e instalações. Já Jessica Jane Barlow não parece interessada em fazer a arte de outro país em sua terra natal, mas recria uma estética a partir da precariedade da linguagem de fanzineiros que publicaram seus trabalhos antes que ela nascesse. Sua estética parte das deficiências técnicas das artes gráficas da cultura xerográfica do punk hardcore da década de 1980. Assim, uma trabalha como se fizesse arte de um outro país, e a outra ilustra como um artista de outra época. Porém, esse uso de elementos de outros lugares aqui se assemelha mais a uma fantasia do que à recriação de outro lugar, o que me parece muito interessante.

Gabrielle Sellen

Gabrielle tem razões íntimas para refazer as experiências sensoriais do Brasil em sua obra. Filha de uma brasileira, só conheceu o país há bem pouco tempo. Conhecia as histórias e os sabores nacionais através da mãe, nascida no interior de Minas Gerais. Assim, antes de começar o curso de artes plásticas em Camberwell, pesquisou a cultura brasileira e se deliciava com a pronúncia de uma língua tão macia como o português do Brasil.

Gabrielle se identificou com a arte sensorial produzida pelos neoconcretos e seus herdeiros. A obra de Hélio Oiticica dos anos 60 seria seu totem, mas ela associaria essa produção (sobretudo a instalação Tropicália, exposta na Tate) às obras de outros artistas contemporâneos brasileiros, como Ernesto Neto, Laura Lima, Cildo Meireles e Beatriz Milhazes.

Mas Hélio Oiticica e as ações terapêuticas de Lygia Clark eram o que ela queria fazer. Interessava-se pelo uso de materiais baratos e a soma de sensações visuais, táteis, corporais. Ou seja, de um uso da arte como forma de atiçar todos os sentidos. No Brasil, se encantou com os tecidos de chita, e a escultura passa a ser algo para vestir e para entrar, para ter uma experiência mais íntima que a do olhar distanciado.

O curioso é que, ao contrário do que ocorre com Oiticica, por exemplo, não se trata de uma experiência de enfrentamento, mas do uso de materiais e formas bastante codificadas que emulem uma experiência de “brasilidade”. O risco de resvalar no estereótipo é tão grande como os dos europeus que fizeram dos desertos asiáticos um lugar “exótico”.

De forma distinta, Jessica Jane Barlow se vale da produção punk DIY, cujo aspecto formal é o alvo de seu interesse. A artista tem como linguagem principal a produção de impressos, aos quais associa imagens improváveis. Um desenho feioso (os desenhos são a pior parte de sua produção) passa a atribuir sentido a uma foto misteriosa. Somos surpreendidos ao descobrir que a artista está reconstruindo narrativas da literatura contemporânea usando um expediente que parece precário e provisório.

Ela se vale do modo de compor dos fanzines. É muito interessante observar, através de seu trabalho, como o punk agora se tornou um discurso completamente incorporado à cultura dos jovens ingleses. Não é mais feio, nem agressivo, mas um modo de reunir materiais.

Jessica cria ilustrações e as associa ao texto como se fosse a editora de um fanzine que líamos (nós com mais ou menos 30 e 40 anos) quando adolescentes. Não vemos mais a linguagem como uma deficiência, ou fragilidade, mas como estilo.

Assim, suas composições monstruosas e com forte comentário social acabam pensando o punk como somente mais um capítulo da história da arte. Curiosamente, é essa a versão que domina o pensamento crítico inglês hoje. Uma maneira de recriar o punk como uma forma estética como qualquer outra, que não parece ir contra nada, apenas o mau gosto. Acho inclusive que críticos como Simon Reynolds são responsáveis por essa associação entre a podreira e o bom gosto. Entendo que tal recriação do punk como estilo e não mais como uma forma crítica de pensar tem seus limites, mas isso fica para outro dia.

Mas incomoda, pro bem e pro mal, o modo como essas duas meninas façam de realidades que pouco conhecem, lugares para tentar se diferenciar quem as circunda. Claro que o papo é entre gente honesta. Mesmo assim, mostra uma nova e, ao meu ver menos interessante, relação que a arte e a subjetividade parecem ter no início do século. Vamos depois pro que parece valer mais a pena.

Porque voltas de que lei (Amália Rodrigues e Mário Pacheco)

Porque voltas? De que lei?
Vem este sentir profundo
Por te saber como sei
Me sinto dona do mundo

Porque espada? De que rei?
Meu amor é fogo posto
És tanto de quanto amei
Que és tudo de quanto gosto

Por este amor que te tenho
Por ser assim como sou
És inferno de onde venho
És o céu para onde vou

Por que voltas? De que lei?
És tudo de quanto gosto
Me perdi e me encontrei
Nas voltas que tem teu rosto

Por que voltas? De que rei?
Em meu peito teu desenho
És tanto de quanto amei
Que és todo o mundo que tenho

E de tão rica que estou
Nunca tão pobre fiquei
Por ser assim como sou
E te saber como sei …

só música recente e variada. A última é pra quem bobeou e perdeu a apresentação do quarteto na semana passada.

 

Próxima Página »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 83 other followers