Punk


E já que a pauta é a Yoani, mais uma prova de que debate com a CIA no meio é sempre bem melhor:

The Fugs – CIA Man

Who can kill a general in his bed?
Overthrow dictators if they’re red?
Fucking-a man!

CIA Man!

Who can buy a government so cheap?
Change a cabinet without a squeak.
Fucking-a man!
CIA Man!

Who can train guerillas by the dozens?
Send them out to kill their untrained cousins?
Fucking-a man!
CIA Man!

Who can get a budget that’s so great?
Who will be the 51st state?
Who has got the secrets as Service?
The one that makes the other service nervous?
Fucking-a man!
CIA Man!

Who can take the sugar from it’s sack,
Pour in LSD and put it back?
Fucking-a man!
CIA Man!

Who can mine the harbors a’ Nicaragua?
Out hit all the hitman of Chicagua.
Fucking-a man!
CIA Man!

Who can be so overtly covert?
Sometimes even covertly overt.
Fucking-a man!
CIA Man!

Whos the agency well known to God?
The one that copped his staff and copped his rod?
Fucking-a man!
CIA Man!
Fucking-a man!
CIA Man!
Fucking-a man!
CIA Man!
CIA Man!
CIA Man!
CIA Man!
CIA Man!
CIA Man!
C
I
A

Morreu ontem a noite quem talvez tenha sido o único ídolo do rock nacional que os adolescentes da minha turma, na minha cidade na época admiravam: O Redson.

Quando éramos novos, em Pouso Alegre, não éramos amigos dos meninos por estudarmos na mesma escola e nem mesmo por morarmos na mesma rua. Claro que tínhamos amigos lá e cá, mas a razão das amizades era outra. Era porque gostávamos das mesmas coisas e, mais que isso, detestávamos as mesmas coisas. Era todo mundo roqueiro, de extrema-esquerda e gostávamos do punk (que era ideia, não visual), das loucuras que conhecíamos na casa do Murilo, no Cinema moderno e nos discos que eram vendidos pela RÉR Brasil.

Por isso, detestávamos o rock nacional, heavy metal, cultura e tudo que fosse diboy.

Mas o Redson cantava no Cólera. O melhor grupo punk. Que era radcó, cantado em português paulistano, inteligível e com potresto. Todo mundo adorava.Os anos passavam, os discos do Cólera eram menos tocados e eu nunca mais escutei. Aliás, a maioria dos meus amigos também ouvia pouco.

Mas tenho certeza que ele animou muita gente a gostar de música no Brasil inteiro. Eu me sinto em dívida com ele. Por isso, uma singela homenagem.

Espero que a terra seja leve e o seu sono tranquilo.

Vale muito a pena ler o texto do Bernardo, baixista do Elma, sobre o cancelamento do show da banda dele. Apesar de ser uma história muito particular, diz muito sobre o cenário musical atual e da falsa independência que domina as casas noturnas. O Bernardo é um dos caras mais fera que eu já conheci e seu lance com música sempre foi de uma integridade e uma invetividade cada vez mais raras na música brasileira. Vale a pena conhecer o Elma e todos os seus projetos musicais (o Are You God? foi mecionado no post anterior) e o leitor deve se ligar  contra a postura de quem vive de cover e só coloca a fantasia de independente quando convém. 

Foto de Samuel Esteves

Sobre o não-Show do Elma

Senta que lá vem história.

No final de março de 2011 confirmamos uma apresentação do Elma no Studio SP através da Norópolis, que marca a maior parte dos nossos shows. Esse vinha na esteira de uma série de noites que a agência vinha fechando na casa, de artistas como Bodes e Elefantes, Porto, Hurtmold, Chankas e Lurdez da Luz.

Originalmente tínhamos sido agendados pra tocar no Cedo e Sentado do dia 17 de maio, uma terça. Só explicando, essas noites Cedo e Sentado funcionam assim: a banda que tocar aceita um cachê fixo de 500 reais independentemente do público que comparecer, e esse público entra de graça na casa. Pra algumas bandas isso é vantagem, pra outras prejuízo, mas a curadoria dos artistas quem faz é próprio Studio SP, e fomos selecionados. Pra gente tava bom.

Em paralelo, desde o início do ano tem rolado no Studio as chamadas terças Fora do Eixo, noites nas quais o coletivo Fora do Eixo é quem faz a curadoria. Normalmente o segundo horário das terças é deles, pelo que entendemos. De modo que nosso show seria de certa forma abrindo pra uma atração selecionada pelo Coletivo Fora do Eixo. Pra gente tudo bem também.

No meio tempo entre o show ter sido marcado e ele não acontecer, fui chamado pra uma reunião na Casa Fora do Eixo SP, sede recém inaugurada do coletivo, como parte de uma tentativa deles de aproximação com os artistas da capital que ainda não estavam alinhados ativamente com o projeto deles. Fui lá, conversei com o Felipe Altenfelder e Pablo Capilé, e deixamos a porta aberta para colaborações futuras, já sabendo que dividiríamos a noite do dia 17/5, o que na minha cabeça serviria como um termômetro pro que pudéssemos vir a fazer juntos.

Após essa reunião, e aproximadamente um mês antes do não-show do Elma, recebemos um pedido do Studio SP: se aceitaríamos mudar nossa data original pra terça seguinte, 24 de maio, por conta de alguma questão de programação que não foi explicitada. Não vimos problema algum, havia antecedência pra isso, e aceitamos, pra que criar empecilhos de graça? Em breve teríamos um curso grátis.

Pois bem, começa aqui a novelinha. Uma exata semana antes do show ficamos sabendo que a banda que faria a segunda parte da noite seria o Mombojó, como parte da Noite Fora do Eixo SP, tocando com entrada paga (o que não interfere no horário grátis da casa, das 21h as 00h). Honestamente eu tinha a esperança de que fossem parear a gente algum artista que tivesse mais a ver com nosso som, mas ao mesmo tempo tinha simpatia pela banda e achei ok. Porem, junto com essa notícia da escalação, veio outra um pouco mais estranha: estavam perguntando se a gente toparia mudar nossa data novamente. Faltando uma semana pro show, com a divulgação já andando, e já tendo topado uma remarcação anterior, achamos que não era o caso, já tínhamos demonstrado flexibilidade e boa vontade antes, quando ainda havia tempo hábil pra tanto. Aí veio o porquê:

Ao que parecia, o Mombojó havia tido problemas tocando com bandas de abertura no Studio SP, e não aceitavam fazer o show nessas condições, não aceitavam que alguém mexesse em um fio de cabelo sequer do palco deles uma vez que o mesmo fosse montado. Não que a gente estivesse realmente abrindo pra uma banda que só entrou no nosso show quase dois meses depois da gente, mas mesmo assim fica no ar a pergunta: por que colocar o Mombojó justamente numa data em que outra banda já estava marcada pra tocar mais cedo, se isso impossibilita a realização do show deles? Se você quer saber a resposta não perca tempo lendo o resto deste texto pois nunca a recebemos, todas as partes envolvidas (excluindo o Elma e a Norópolis) convenientemente evitaram o ponto central da questão até o amargo fim.

Aqui cabe enumerar quem são as tais partes envolvidas:

1. Nós (Elma), que tivemos nosso show marcado via Norópolis (Fred Finelli), diretamente com o Studio SP

2. O Studio Sp, que agendou nosso show diretamente com a Norópolis, e em paralelo tem o acordo das terças-feiras com o Coletivo Fora do Eixo

3. O Coletivo Fora do Eixo, que cuida das terças Fora do Eixo, e conversava em paralelo com o Elma (como com muitos artistas) a respeito de desenvolver algum tipo de parceria a médio prazo

4. O Mombojó, que escolheu ser representado na negociação pela empresária Katia Cesana, que até o final desta história não irá aparecer pessoalmente em momento algum, pra não expor os meninos.

Recapitulando, o Mombojó colocou que não poderia haver outra banda na mesma noite pois eles não tocam no Studio SP, especificamente, dividindo o palco com ninguém, por problemas passados,

PORÉM

o Elma tem equipamento próprio completo (bateria e amplificadores de guitarra e baixo), o chamado “backline”, e sempre que possível (ou seja, sempre que temos como carregar a tranqueira toda) damos preferência por usar esse backline. Alem disso, nosso palco já é normalmente montado de forma que se encaixe no palco normal da maioria das bandas (inclusive o Mombojó), pois nossa bateria fica montada na frente do palco, e nossos amplificadores ao fundo. Isso significa que seria possível montar simultaneamente o palco do Elma e do Mombojó, sem transtorno pra nenhuma das partes. Logo, este problema estaria solucionado. Não fosse pelo fato de que cada solução oferecida pela gente, já num esforço de boa vontade, seria rebatida com um problema novo e cem por cento inédito pra impossibilitar nosso show.

É aqui que eu lembro que nosso show estava marcado quase dois meses antes do Mombojó sequer aparecer na história?

Mais uma novidade, agora faltando já uns 5 dias pro show: já que o Elma não precisaria mexer no palco do Mombojó, os mesmos tocariam no primeiro horário, as 22h, de graça, e o Elma as 00h. Acompanhou o raciocínio? Quando der me explica, então. Digo, acabamos de apresentar solução pro problema DELES, e logo, arrumaram outro problema. Opa, então o headliner que teria condições de encher a casa cobrando entrada (mesmo que o dinheiro dessa não fosse necessariamente pra mão deles) iria abrir mão disso, só pra não tocar depois do Elma? E se eles tocam antes, isso quer dizer que eles montam o palco deles na lacuna do nosso, cagando toda a montagem de palco preciosa deles? A terra é cônica? Até o final do texto você só vai descobrir a explicação pra uma dessas perguntas. O que eu só fui descobrir dias depois, na conversa que tive com o gerente de palco do Mombojó, é que em nenhum momento houve a verdadeira intenção de deixar o Elma passar o som caso tocássemos no segundo horário. Digo, porque a gente imagina que tá implícito que bandas que se dêem o respeito passam o som. E também que o “segundo horário” seria após o show do Mombojó, que COMEÇARIA a meia-noite, ou seja, queriam na verdade empurrar nosso show pras duas da manhã, no mínimo. Pro pessoal já poder esperar o metrô das 4:15.

Bom, pra quem não é do ramo da dedução, aqui a gente já estava sentindo cheiro do seguinte: isso não tinha cara de atitude de uma banda para com outra banda. Parecia picuinha de produtor medindo forças, intermediários deixando as bandas de peão do JOGUINHO SUJO, e colocando o nome do Mombojó como parte inflexível da história. Apostando nisso, o Fred, nosso produtor, disse ao Studio SP que tendo em vista o impasse em que estávamos entrando (já que o Elma não iria simplesmente ser trocado de horário por um capricho arbitrário de quem quer que fosse), passassem pra gente o contato de qualquer integrante do Mombojó. Ficamos no aguardo.

Continuamos no aguardo.

Mais aguardo.

Vamos lembrar, então: temos uma data no Studio SP marcada com dois meses de antecedência. Uma semana antes da mesma, uma banda aparece pra tocar no segundo horário da noite e começa a fazer exigências. Mais ou menos como imaginamos que pudesse proceder, digamos, um Bon Jovi ou Axl Rose, ou qualquer outra figura digna de piada. Tanto o Studio SP quanto o Coletivo Fora do Eixo em nenhum momento se posicionam de forma concreta (ou seja, ninguém disse que o Mombojó não ia mandar e desmandar na agenda do Studio), e nos vimos obrigados a ir atrás de resolver esse impasse por nós mesmos, por pura vontade de encontrar uma solução simples pra um problema inventado.

Aí já chegamos na segunda feira, 23/5, véspera do show. Mexendo aqui meus pauzinhos (agenda do celular), consigo o telefone do Chiquinho, tecladista do Mombojó, ainda acreditando que, falando com um ser humano como eu, ao invés do equivalente prático de um menu de atendimento ao consumidor, conseguiríamos fazer o bom senso prevalecer e arrumar essa puta bagunça. Uma banda não vai deliberadamente tomar atitudes que vão fuder com a vida de suas bandas semelhantes apenas pra agir em causa própria, certo?

Chiquinho atende o telefone, se mostra confuso com a historia toda, e parece entender meu lado, vendo que a coisa toda não faz sentido nem bem pra ninguém. Diz que vai conversar com a banda dele. Passado um par de horas o Fred fala com ele também pra ver se já temos uma posição, Chiquinho diz novamente que não está a par da história e vai checar com os caras pra resolver tudo da melhor maneira possível.

Bom, foi melhor pra ALGUEM.

Daí pra frente ele se torna incomunicável e não atende mais o telefone.

Em paralelo estou pressionando por email as duas pessoas do Coletivo Fora do Eixo que tinham falado comigo sobre uma parceria com o Elma, mais especificamente Pablo Capilé e Fabio Altenfelder, a respeito de como a tal parceria se iniciaria numa situação dessas, e querendo explicações a respeito de porque havia uma pressão pro Elma não se apresentar na noite do próprio show num suposto e inédito antagonismo com o Mombojó, que mal conhecemos de falar “oi”. O Fora do Eixo coloca que a forma ideal de resolvermos a situação seria uma “reunião presencial”, ou seja, reunião em que os presentes estão todos presentes. Essa reunião idealmente envolveria eu (Bernardo, do Elma) o Fred (Noropolis, agenda de shows) o Felipe Altenfelder e / ou o Pablo Capilé (Fora do Eixo) e o gerente do Studio SP, o Maurício, que até então vinha fazendo a ponte entre o proprietário da casa, Alexandre Youssef, e o Fred. Foi explicitado que a presença da produção do Mombojó na reunião só complicaria as coisas, que eles eram a parte irredutível da negociação (negociação do Mombojó, Studio SP e Fora do Eixo pela desapropriação do show do Elma, mais especificamente).

Eu e Fred ainda apostamos que fazia mais sentido falar diretamente com a banda de seres humanos Mombojó, ao invés da parede de produção que cerca os meninos (mais sobre meninos em breve), e seguramos essa reunião enquanto não desistíamos desse caminho. Continuei insistindo e consegui falar brevemente com o Felipe S, vocalista da banda, me utilizando do brilhante expediente de ADICIONAR NO FEICE. Batata, ele estava online no CHAT e me passou o email dele pra eu explicar tudo melhor. Mandei uma mensagem contando tudo em detalhes, e o que eu pensava disso. Ao mesmo tempo o Fred, já na madrugada de segunda pra terça, recebia do Studio SP um telefonema e um email comunicando nada mais nada menos que o cancelamento do show do Elma. O Fred se posicionou dizendo que não aceitaríamos a situação.

Recapitulando: em março o Elma marcou show pras 22h de uma terça feira de maio; quase dois meses depois Mombojó é colocado pra tocar mais tarde na mesma noite e solicita que o Elma não toque; Studio SP e Fora do Eixo obedecem após leve resistência. VALEU, ABRAÇO!

Acordamos hoje, na terça feira do show em questão, com a vida toda fodida, mas surge uma esperança: Felipe S leu meu email da noite anterior e respondeu, dizendo que achava isso tudo uma merda, mal tinha sido informado do próprio show, que foi marcado de última hora (ao contrário do nosso que foi com DOIS MESES DE ANTECEDÊNCIA), que assim como ele estávamos no dia a dia da música (única aparição da palavra em todas as conversas dessa história) e que ele faria o possível pra colocar a gente pra tocar antes (vulgo “não expulsar a gente do nosso próprio show”), e aqui cito verbatim: “mesmo porque não faz sentido ser diferente.” Claro que não entendemos isso como resolução de nada, e sim como uma abertura por parte do Mombojó, pela primeira vez, de não atropelar nosso show.

Coisa linda de viver. Assim que vi a mensagem comuniquei o Fred e ele falou com o Studio SP, que por intermédio do Maurício imediatamente reverteu o cancelamento do show do Elma, que estava começando a ser divulgado nas redes sociais (totalmente a nossa revelia). Mas enfim, faltando umas cinco horas pra passagem de som, e emails indo e voltando entre eu e Felipe S, músico, partimos pros finalmentes práticos da situação, e pedimos a ele que o Mombojó passasse o som a partir das 17h, como é praxe no Studio SP, pra que nós, a banda do primeiro horário, tivéssemos tempo de fazer a nossa própria passagem de som das 19h as 21h, horário também de praxe da casa e PREVIAMENTE COMUNICADO PELO STUDIO SP para esta ocasião em especial também. Daí pra frente recebi um email breve do Felipe dizendo que ele estava super enrolado com mil coisas de projetos X e Y, e que o problema todo era justamente A PASSAGEM DE SOM DO MOMBOJO, que já havia sido problema no Studio antes, etc, e que o diretor de palco deles estava muito preocupado com essa situação. Imediatamente respondi dizendo que eu falaria diretamente com o diretor de palco deles, pois trabalho no mesmo ramo, lido com esse tipo de coisa quase diariamente e sabia que conseguiríamos desenrolar esse nó em 5 minutos, ainda mais o palco do Elma sendo tão simples quanto é.

É aqui que o Felipe S some e não aparece mais. Nem pra PASSAR O SOM DO MOMBOJÓ. A mesma passagem de som que era o ponto central da picuinha, digo, negociação.

Quando vi que o menino tinha tomado chá de nem me viu apelei pra agenda do celular de novo e por a + b cheguei no telefone do diretor de palco do Mombojó, o Brigídio.

Liguei pro Brigídio.

Você está achando esse texto grande? Dê graças a deus que eu não vou transcrever a ligação que se seguiu. O Brigídio falou ininterruptamente por 15 a 30 minutos (consegui enfiar umas palavras no meio, só pra constar), me explicando repetidas vezes como é impossível o Mombojó dividir palco com outra banda no Studio SP, e me contando da situação traumática que tinha vivido na mesma casa numa ocasião anterior. Daquela vez ele tinha tentado ajudar uma banda de abertura que tinha aparecido de última hora (mais ou menos como o Mombojó apareceu na nossa noite), se viu vitima de inúmeras precariedades técnicas da casa e ao fim da noite, em face a vários problemas de som se viu desrespeitado como profissional, numa situação em que estava apenas tentando ser prestativo. Consegui perfeitamente imaginar a situação dele, digo, consegui me imaginar na mesma roubada como técnico de som (poucos dias antes tinha perdido bastante tempo ajudando uma banda de abertura da Holanda num show no Sesc e eles não hesitaram em prejudicar a gente logo na seqüência, por exemplo), e de qualquer forma era inútil tentar o diálogo, pois para o mesmo é preciso momentos de silêncio para que o interlocutor possa se pronunciar, e evidentemente eu não teria essa cortesia. Lamentando que não havia mais tempo pra tentarmos solucionar a situação antes de que todas as partes se encontrassem na própria casa de show (faltava uma hora e pouco pro soundcheck), fomos pra ultima etapa dessa via crucis ridícula. Ah, o Brigídio deixou também escapar que tinha ficado sabendo desse show apenas um dia antes. Desse show que iria provocar o cancelamento do nosso próprio show, marcado DOIS MESES ANTES. O Brigídio falou também que era uma pena que a gente não tivesse se conhecido em uma outra circunstância, em que todos poderíamos ser amigos e se dar muito bem. Como se a tremenda cagada que estava acontecendo fosse fruto de uma força da natureza, uma coisa inexorável, e não conseqüência de decisões de adultos plenamente conscientes dos efeitos de suas ações.

Nesse ponto tanto eu como Fred entendemos que tínhamos esgotado todas as possibilidades de solucionar o problema (que não era nosso) de um jeito que não fosse ficar feio pra ninguém. É por isso que você está lendo isto.

Chegando no Studio SP encontramos parte da equipe do Mombojó montando o palco, o Felipe Altenfelder, do Fora do Eixo, o gerente do Studio, Maurício, e a produtora Marta, que representava a produtora Kátia, que por sua vez representava o Mombojó. Isso, três graus de separação entre o mundo hostil e o Mombojó.

Num momento inicial da conversa ali, pude ouvir uma das coisas mais incríveis que já tive o privilégio de escutar: que era um absurdo que se tivesse permitido que nós, do Elma, tivéssemos entrado em contato direto com os integrantes do Mombojó, pois isso iria “expor os meninos da banda”, e “expor os meninos da banda” é inaceitável, essa era uma questão de produção. Sendo um homem que está acostumado a ser obrigado a resolver os próprios problemas, entendi perfeitamente a utilização muito feliz do termo “meninos”, que precisam de uma parede de duas produtoras, uma presente apenas por telefone, para que se possa agir do jeito que for em nome da banda sem que eles precisem sentir o cheiro escroto das conseqüências das suas decisões pessoalmente, nem olhar nos olhos das pessoas que se fodem por conta deles. E acredite, ninguém teve a cara de aparecer pra olhar na cara da gente. Nem em nome da PASSAGEM DE SOM DO MOMBOJÓ.

O resumo da conversa que se seguiu é: após um tanto de fala-fala e diz-não-diz, a produtora da produtora da banda, o representante do Fora do Eixo e o gerente do Studio sumiram pra dentro da casa. Voltam Mauricio e Felipe com a notícia: fica ao Elma a opção de montar o palco após a apresentação do Mombojó (que começaria as 00h) pra tocar, ou cancelar o show. Foi também explicitado o porque da preferência pelo Mombojó (aqui você pode fingir que ainda não sabia): eles tem bem mais público, logo, eles podem mexer e remexer na vida dos outros, com a conivência do Studio SP e do Coletivo Fora do Eixo. Bom, a gente não ia se prestar ao ridículo de tocar lá pras duas e meia da manhã, depois de montar o palco na frente de uma casa cheia de gente, sendo que as pessoas que iam ver a gente chegariam pra um show as 22h, como estava previamente acordado e divulgado.

Nossa banda estava tendo o show sumariamente tesourado, e a grande preocupação era não “expor os meninos” do Mombojó. Faz sentido.

Aqui fica claro, então, que:

- o Mombojó iria simplesmente prosseguir com o plano inicial de excluir o Elma da noite, sendo que desta vez estava claro que a banda inteira estava ciente das conseqüências da atitude deles, já que tinham se reunido mais cedo, como ficamos sabendo, pra decidir o que fazer

- o Studio SP não honraria o que foi marcado em março com o Elma, dando prioridade aos caprichos da banda que entrou pra tocar na mesma noite em outro horário, várias semanas mais tarde

- o Coletivo Fora do Eixo iniciaria sua frutífera parceria com o Elma permitindo o cancelamento do nosso show em prol de um artista mais popular

Pois bem, nosso show foi cancelado na nossa cara. Fazer o que? Arrumar briga? Ia resolver muita coisa.

Decidimos que iríamos simplesmente ficar ali e assistir a preciosa PASSAGEM DE SOM DE TRÊS HORAS DO MOMBOJÓ, na esperança de ao menos olhar na cara do Felipe S e do Chiquinho, e ver que cara tem a pessoa que faz uma coisa que não se faz. Descobrimos a resposta: cara nenhuma. O único integrante da banda que compareceu a passagem de som foi o baterista, faltando uns vinte minutos pra abertura da casa. Os outros meninos simplesmente não foram, certamente ocupados com o dever de casa. A gente deixou de tocar e passar o som pra que pudesse ser feita com todo o cuidado uma passagem de som de três horas no Studio SP na qual nem os próprios integrantes da banda se deram ao trabalho de ir, deixando um roadie, um diretor de palco e um técnico de PA pra resolver tudo. Eu olhei no meu relógio, já tinham se passado duas horas e quarenta de passagem de som quando finalmente ouvimos o som de um contrabaixo. As guitarras ficaram prós cinco minutos finais.

Pra não dizer que ficou tudo absolutamente no ar, foi explicitado pelo Pablo Capilé e pelo Mauricio, do Studio, que a produtora Katia Cesana sabia de antemão que a noite não era somente do Mombojó. Originalmente além do Elma tocaria também o Slim Rimografia. A produtora teria então solicitado o rider de ambas as bandas, pra ver como adaptar tecnicamente a situação. Daí pra frente ela teria, segundo Pablo e Maurício, ficado em silêncio a respeito da questão toda, deixando chegar a véspera da data pra fazer que não sabia que havia outras bandas e que era inaceitável que houvesse, que havia sido combinado que a noite seria exclusiva do Mombojó. Não temos como averiguar isso, e o mais importante, estamos pouco nos fudendo. Fica aí o que o Pablo e Maurício disseram.

A gente se viu no meio de um jogo de forças ridículo e fomos refens da completa falta de atitude das pessoas que tinham tratado com a gente desde o início. Por questões políticas e comerciais basicamente deixaram a gente tomar no cu, mesmo sabendo que tínhamos a razão (e repetindo que sabiam que a gente tava certo o tempo todo!). Tem coisa mais típica da caricatura de um político do que alguém olhando no seu rosto e dizendo “você é o cara”, enquanto acende o pavio da bomba que vai explodir o seu saco e as suas bolas?

Cada parte envolvida escolheu o papel que queria fazer, a todo tempo deixamos claro que contaríamos a história no final e aqui está ela, cheia de nomes próprios, pra você entender como quiser. Não coloquei o texto dos emails que foram trocados ao longo da negociação pra não estender ainda mais o texto, mas é só pedir que vão pro ar, dão um colorido especial a essa palhaçada. Acredito porem que todos os envolvidos sabem o que disseram e o que deixaram de dizer, e que isso não será necessário.

A propósito: a terra é plana.

Numa boa, o João da Kombi é genial. Por anos, ele e o Bernardo Pacheco estiveram à frente de uma das melhores coisas do metal nacional: Are You God?  Quem me conhece sabe que eu não gosto do gênero. Nunca escutei o Iron Maiden, Metallica  na minha vida e todo mundo da minha rua gostava. Acho o lado músculos, capetas e espadas das letras do gênero muito besta. Sempre tive muita simpatia pelo Grindcore, Slayer e Napalm Death, mas fora o último grupo, ouvi pouco o resto. Mas o Are you god? sempre me animou como qualquer grupo de rock que eu gosto.

Não bastasse isso, fizeram uma apresentação que era uma espécie de karaokê invertido; em que o cantor se apresentava em vídeo e a banda tocava ao vivo. Em outro show, na casa Hangar 110, reproduziram o show da banda do Paulinho Vilhena no filme O Magnata (sem dúvida uma das piores coisas da história do audiovisual), do Chorão do Charlie Broiwn Jr, com perfeição e contam as ótimas línguas que eles inauguraram o playback no grindcore. Durante esse período ele “atacou de DJ”. De DJ Ouam. E fez músicas pra criançada.

Agora, ele junto com Barata (membro também do D.E.R.) toca no Test. Eles tocam em casas de show e tocam o puteiro na rua também. Fizeram um show clandestino na Virada Cultural, já têm dois discos e um dvd pirata oficial. No dia 17 de abril, eles fizeram um show diante da casa de espetáculos onde o D.R.I.se apresentou em São Paulo (aliás, o show deve ter sido bom) , na rua, sem ser convidado. Tomás Moreira e Samuel Esteves aproveitaram e fizeram o videoclip mais legal dos últimos tempos. O meu irmão me mostrou nessa semana e eu achei demais. Assistam:

Se tem alguém que entendeu o grande barato do punk e do hardcore nesse país foi essa dupla. Depois, estampam em capa de revista que a Nina Becker é punk. Vai vendo …

Todo dia eu dou uma passadinha no Trabalho Sujo e foi lá que eu conheci com um dos personagens mais massa de toda história anarquista: o cachorro Greco ou Anarcodog. Fera destemida e feliz, ele pode fugir de carrocinha e dos donos, mas da luta ele não foge não.

O cão vem sendo fotografado em todos os protestos que fazem Atenas tremer desde 2008. Os três sócios do Guaci curtem o agito libertário e também os cachorros. Ficamos fãs e republicamos as fotos do This Blog Rules aqui (pra ver em tamanho maior é só clicar em cima):

PS – E por falar em protesto, misturado com passeio e curtição, leiam todos o texto Carta de um ciclista chato, do nosso consultor informal, André Maleronka. Além de desancar o comércio metrossexual e o Kassab, ele aproveita pra falar de outro tema caro ao Gua Gua, a bicicleta.

Os irmãos do Pumu descendo o bambu

Os irmãos do Pumu descendo o bambu

Eu vou ficar aqui mesmo em BH, mas já sei que, mesmo com o friozinho, a capital paulista vai pegar fogo.

No sábado quem toca no Centro Cultural São Paulo, às 19h, é o Pumu e o Afasia. Os dois são bandas de amigos e, cada um ao seu modo, tenta ir num limite da música que toca. Formado por Rafael e Paulinho, Pumu trabalha com o formato canção como se o acompanhamento para suas letras e por suas belas melodias fossem passíveis de renvenção constante. É nessa convivência absolutamente necessária entre lirismo e improvisação que mora os encantos dessa banda de conterrâneos, quase irmãos.

O Afasia já é um projeto dos amigos Cacá e Akin. Cada um tem um referencial bem particular. Um vem do rock experimentalista do Objeto Amarelo, que mistura poesia, elementos visuais e um trabalho qcom eletrônica que é cada vez melhor. Rock barulhento porreta, coisa cada vez mais rara entre meus amigos. O segundo de um rap indignado e pouco convecional. Nunca conferi a apresentação dos dois juntos, mas tenho certeza que promete.

A galera do Speeq

A galera do Speeq

Mas o que me emociona e me entristece é a apresentação do Speeq, que acontece no domingo no Centro Cultural da Juventude, às 18h. Emociona por que eles estão chegando. E entristece por que dificilmente eu vou vê-los tocando dessa vez. A banda meio inglesa meio holandesa, reúne dois dos meus heróis musicais: Phil Minton e Luc Ex e faz um ds trabalhos mais interessantes da música de improvisação livre. Nesse show, eles vêm acompanhados do pianista inglês Veryan Weston que, sem exagero nenhum, é um dos maiores gênios da cena improv.

O Veryan já tocou com todo mundo  e como bom improvisador é de uma versatilidade absurda.

A Desmonta ainda promove uma série de outras apresentações dos músicos do Speeq, por São Paulo. Mas a banda mesmo só toca em São Paulo e Porto Alegre.

Quando o cantor inglês Phil Minton esteve no Brasil , eu e muitos amigos vivemos algumas das experiências musicais mais fortes de nossas vidas. Cantor e improvisador, Phil extrapola qualquer limite de instrumentos e oferece narrativas lindas só a partir de sua voz.

Em seus Feral Choirs – que irão acontecer também dessa vez -, ele convida a um exercício de imaginação coletiva que é uma das coisas mais poderosas que eu já vi em minha vida.  Tem um texto muito legal do Paulo Borgia sobre a banda. De qualquer forma o recado tá dado. Dois shows imperdíveis em São Paulo.

Aproveito que o moicano continua levantado e mando Wire para a moçada. Eles foram copiados e influenciaram deus e o mundo. No ano passado, lançaram um disco de respeito, nada demais, mas sem palhaçada.  A banda é uma das prediletas do pessoal do Minutemen.

Eu também devo muito a eles:




montagem da exposição na galeria Zwirner

montagem da exposição na Galeria Zwirner

Há um ano atrás, a prestigiada revista October enviou um questionário a artistas e intelectuais em que fazia perguntas relativas à guerra no Iraque. Entre outras dúvidas, a publicação queria saber se os entrevistados reagiam de alguma forma à invasão americana e ocupação americana e como faziam iso. De forma lúcida, o pintor norte-americano Raymond Pettibon respondeu com o que faz melhor:  Enviou aos editores três belos desenhos da série que ele havia exposto em 2007, na Galeria de David Zwirner. A mostra se chamava Here’s Your Irony Back (The Big Picture) um dos assuntos era política externa norte-americana para o Oriente médio.

As pranchas tratam da relação do presidente Bush com a guerra. São cruas, diretas e sem cor. Sem cor, elas melhoraram. São companhadas de texto, se parecem com cartuns e têm, ao mesmo tempo, algo dos fanzines punk e de uma cultura da imagem existente nos Estados Unidos desde o século XIX. Em preto e branco, eles se parecem com o trabalho que o artista realizava nos seus primórdios. Aliás, eu prefiro quando essa carga de violência dá as caras na sua obra.

Pettibon vem da cena hardcore americana. É irmão de Greg Ginn,o guitarrista do Black Flag e dono do selo SST. Na sua juventude foi o autor de boa parte das imagens do underground dos Estados Unidos. Minutemen, Saccharine Trust, Sonic Youth, Circle Jerks, Fear, todos passaram pela pena de Pettibon. Entre outras coisas, ele é o autor do famoso logo do Black Flag. Seu vínculo com o Minutemen é tão profundo quanto com o Black Flag. Talvez até mais. O artista identifica o trio de Mike Watt, George Hurley e o finado D. Boon como importantes interlocutores. Acredito que isso aconteça pelo aspecto mais vanguardista do grupo e pela relação de amor ambígua que eles têm com a chamada americana.

raypettibon1

Embora seu trabalho preserve muito do espírito DIY, não dá para considerá-lo um artista popular. Ele tem os pés fincados na tradição da arte americana. E olha para uma cultura de imagens com um olhar muito culto. Aliás, o artista é de uma erudição danada. Articula elementos da historiografia do seu país com uma iconografia que seus patrícios querem apagar da memória. Tudo pintado com tintas heróicas, bem ao estilo norte americano, mesmo quando vagabundas. Ele é uma artista que não poderia ter nascido em outro lugar. Lida mais com uma história nacional da arte do que com uma narrativa mais universal.

Heres Your Irony Back

Here's Your Irony Back

Mesmo que declare a sua admiração a escritores irlandeses como Laurence Sterne e James Joyce, acima de quaisquer outros, o que lhe importa é a experiência do seu país.  Ele procura a audácia narrativa de seus ídolo, como eles também, apartir de um retrato da vida do dia a dia. Como os grandes escritores dos EUA procuram the great american novel, ele parece com o olho voltado para o great american drawn. Talvez por isso as suas imagens sejam tão eficazes.

Lado a lado, ele coloca a violência de Melville e a placidez de Fairfield Porter, por exemplo, Woddy Guthrie, Edgard Alan Poe e as pinturas iniciais de Warhol. Hoje, ele, junto com Paul McCarthy, Kara Walker, Cindy Sherman  e Richard Prince, talvez seja um dos artistas americanos que leva essa cultura de imagens  e ícones americanos mais a sério.

Sem título (I Wish I). 2007

Sem título (I Wish I). 2007

Sem título (If Tom Cruise). 2007

Sem título (If Tom Cruise). 2007

Sem título (You killed—Murdered—). 2007. Todos os trabalhos são da galeria de David Zwirner

Sem título (You killed—Murdered—). 2007. Todos os trabalhos são da galeria de David Zwirner

A arte crítica ao establishment dos Estados Unidos não vem de hoje. Aliás, é fundadora da cultura deles. Em 1971, o grande pintor Philip Guston fez uma série de desenhos entitulada Poor Richard. Lá, na forma de cartum, o artista desenhava peripécias do 37° presidente americano.

Nixon era representado com uma gigantesca cara de piroca que ostentava os seus títulos não menos rídiculos. Colocamos alguns desenhos aqui, mas quem disponibiliza tudo são os nossos amigos do Ubu web.

Esse tipo de figuração dos Estados Unidos apareceu tarde na obra de Philip Guston. Na década de quarenta o artista fez trabalhos figurativos e  politizados, mas visualmente eles se pareciam mais com a pintura mexicana da época, realismo socialista. De lá, ele só melhorou. O reconhecimento como um dos grandes nomes da arte moderna veio de sua pintura abstrata e lírica.

Mas no fim da década de sessenta, resolveu figurar elementos pegajosos da cultura de massa dos EUA.Muitos vêm essa pintura como uma espécie de reação à pop (que lhe interessava). À vida superficial, veloz e alienada ele respondia colocando toneladas de carne na sua pintura. Como nos quadrinhos, ele relatava o que havia de patético ali.

O seu amigo Philip Roth relatou essa relação de uma maneira mais bonita e esclarecedora:

O que Philip descobrira era o terror que emana dos utensílios mais comuns do mundo da completa estupidez. A visão nada enobrecedora  das coisas que ele aprendera com os quadrinhos que lia nos jornais na sua fase de formação, numa família de imigrantes judeus na Califórnia, a vulgaridade americana pela qual, mesmo no auge de sua fase lírica e meditativa, como intelectual ele sempre tivera um fraco, passou a ser vista — de um modo fácil de entender para os leitores de Molloy e de O castelo — como se sua vida, tanto como artista quanto como homem, dependesse disso. Essas imagens populares de uma realidade superficial eram imbuídas por ele de tamanha carga de sofrimento pessoal e intensidade artística que deram forma a uma nova paisagem americana de terror

Acrescentaria, que esse terror era feito com humor, um humor patético, mas engraçado.

Julguem por vocês:

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Na minha adolescência, visitei várias cidades do Sul de Minas. Freqüentava shows de bandas identificadas com o anarco-punk. Com 14 anos de idade,  eu já circulava de ônibus e carona por cidades vizinhas à minha que traziam bandas de todos os lados. Antes e depois dos shows tinhámos reuniões e protestos que falavam desde a possibilidade da arte fugir da apropriação burguesa, a rebelião de Makhno e a revolução internacional até os bichos que eram maltratados no Horto Florestal de Pouso Alegre (onde eu morava na época).

Nesses shows, conhecidos como Ataque sonoro, tocava de tudo. Os grupos da minha cidade faziam hardcore, grindcore ou um rock mais doidão, mas a maioria da meninada gostava de todo o tipo de música (desde que não fosse “som de boy”). Em outras cidades, como Carmo da Cachoeira, Machado e Luminárias, só tinha metaleiro. Embora todo mundo fosse muito duro, talvez algum dos meninos que eu conheci na época tenha se tornado empresário. Espero que algum deles esteja por trás dessa iguaria de Carmo.

Mais uma marca das organizações Heavy Metal.

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