Política


Não é do nosso feitio tomar partido gratuitamente. Menos ainda deixar passar batido as tentativas da grande imprensa de difamar pessoas que sabemos ser sérias e comprometidas com a vida pública brasileira.

Pedro Abramovay sempre teve a fama, entre nós, contemporâneos na Universidade de São Paulo e próximos por amizades em comum, de ser um sujeito sério. Precoce, foi o ministro da justiça mais jovem da história do país ao assumir como interino com a ausência do titular da pasta.

Reproduzimos abaixo a nota de Abramovay em resposta às acusações da revista Veja dessa semana.

 

 

Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar, elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder.

A revista Veja, na edição número 2188 de 2010, afirma ter obtido o áudio de uma gravação clandestina entre mim e um ex-colega de trabalho. Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição.

Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus pares respeito decorrente de meu trabalho.

Apesar de ver meu nome exposto desta forma, não foi abalada minha fé na capacidade de transformação de nosso país e tampouco na crença da importância fundamental de uma imprensa livre para o fortalecimento de nossa democracia.

Pedro Vieira Abramovay
Secretário Nacional de Justiça


Olha, vivo campanhas eleitorais desde que me entendo por gente. Já vi muita apelação: Newton Cardoso contra Itamar, Collor e Lula e as incontáveis campanhas anti-PT (inclusive na minha cidade contra o meu pai). Mas nunca reação tão vil como a da campanha contra a candidata Dilma Roussef. Demorei pra perceber, mas correm panfletos apócrifos, spams e manchetes noticiosas desde fevereiro.

Além disso, a imprensa se esforçou para simular ataques à liberdade de expressão mais de uma vez. Mas o argumento não agüentou um sopro. Nas últimas semanas, os dois jornais mais importantes de São Paulo atuaram com muito viço no cerceamento da liberdade de expressão. A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida do Estado de S. Paulo por destoar de sua posição eleitoral e a Folha de S. Paulo recorreu à justiça para censurar o site Falha de S. Paulo. A página é uma das melhores surpresas da eleição e da lavra de um amigo do Guaciara: O Lino Bocchini. Depois da censura, passou a se chamar Desculpe a Nossa Falha.

O Lino é uma figura respeitada da imprensa paulista. Repórter e editor já passou por várias redações da cidade e hoje é redator-chefe da Trip. Ontem, ele esteve em uma linha de produção da baixaria e a mobilização evitou um atentado. Vale a pena ler o relato dele:

 

Militantes de plantão na porta da Pana

 

Cheguei na gráfica Pana por volta das 2h da manhã de hoje, com meu cachorro, o Moreno. Soube da confusão pelo twitter, e como o endereço fica a menos de 10 quadras de minha casa, aproveitei pra dar uma voltinha fora de hora com o bicho e, de quebra, ainda acompanhar de camarote uma das maiores polêmicas da eleição dos últimos dias. Resumindo: após denúncia anônima, o PT descobriu que a Pana havia acabado de imprimir mais de um milhão de folhetos com as baixarias habituais a respeito do aborto que têm sido jogadas na internet e na vida real contra Dilma. Mais de uma tonelada de difamação em forma de papel jornal, português ruim e layout de quinta categoria estava prontinha pra ser distribuída. Com a informação na mão, o partido conseguiu na Justiça Eleitoral uma liminar no final da tarde de ontem. Um mandado de busca e apreensão foi expedido.

 

Rui Falcão na porta de gráfica às 3h da manhã

 

Quando estacionei meu carro na porta da Pana, três policiais federais à paisana batiam papo do outro lado da calçada, enquanto cerca de 30 militantes se reuniam em pequenos grupos. A porta da gráfica estava fechada, sem sinal de ter alguém dentro. Mais cedo, teve até militante mais exaltado que queria invadir o local, o que não aconteceu. A polícia tinha que esperar amanhecer pra tentar achar o dono e cumprir o mandado, explicavam os dilmistas. Algumas das pessoas presentes na José Bento, uma ruinha pequena do Cambuci, davam a exata medida da importância do atentado que se conseguiu abortar em cima da hora. O deputado estadual reeleito Rui Falcão, coordenador de comunicação da campanha de Dilma Roussef, ficou por lá até o amanhecer. Saiu exausto, a 13 horas do debate da Rede TV. Também estiveram na porta da gráfica outros parlamentares do PT: o deputado federal reeleito Paulo Teixeira e os estaduais Antônio Mentor e Adriano Diogo. Diogo, aliás, foi um dos primeiros a chegar ontem e hoje ao meio dia, quando voltei à cena do crime, já estava por lá de novo, com uma cara ainda mais cansada do que Rui saiu de la pela manhã. Mas disposto a ficar até que o último folheto fosse apreendido.

 

Porta da gráfica um pouco antes do final da operação, por volta de 12h de hoje

 

A mobilização se justifica. Não se sabe exatamente quantos panfletos ilegais foram impressos. As informações falam entre um e dois milhões. A encomenda original seria de 20 milhões. Esses mesmos folhetos, que fazemos questão de não reproduzir, foram distribuídos Brasil afora no último dia 12 de outubro. Enfim, mais um ato do teatro do absurdo que se tornou essa relação promíscua entre religião e política nessa eleição. Muita gente já disse que regredimos décadas no debate eleitoral. O certo talvez seja séculos. A tão falada separação entre Igreja e Estado era pregada pelo filósofo inglês Thomas Hobbes no século XVI, mas foi revogada por um dos lados dessa campanha.

Admito que me incomoda ver Dilma Roussef sendo obrigada a beijar a mão de um bando de líderes católicos e evangélicos, em sua maioria mais preocupados em manter dogmas inúteis que só servem ao atraso e à infelicidade das pessoas do que, de fato, em melhorar a vida dos mais pobres – isso sim um princípio verdadeiramente cristão. Mas o que me incomoda mesmo é a hipocrisia e o extremo conservadorismo do candidato José Serra. Não consigo engolir um candidato que posa de bastião da família e da moralidade e lê a Bíblia no horário eleitoral mas fala para o seu vice que “ter amantes tudo bem, mas tem que ser discreto” e cuja mulher, segundo a Folha de S. Paulo, abortou um filho seu (e não vejo mal nenhum nisso, e sim na contradição); um candidato que beija terço para os fotógrafos diariamente e se diz top-cristão mas tritura adversários e dissemina o ódio pelo país, a ponto de não ser apoiado por boa parte de seu próprio partido –Arthur Virgílio, Albano Franco e Aécio Neves que o digam.

Voto Dilma? Claro. Prefiro mil vezes estar do lado da turma que ficou tomando uma cervejinha, dando risada e debatendo política na madrugada de ontem na porta da gráfica para evitar um golpe igrejeiro na continuidade do governo Lula do que estar do lado de quem mandou imprimir aquela sandice.

 

Moreno desconfiado sobre a autoria dos panfletos

 

Em tempo 1: os deputados não estavam tomando cervejinha. Eu e outros, sim.

Em tempo 2: os panfletos foram finalmente apreendidos só no começo da tarde de hoje

Em tempo 3: fora eu, só um outro jornalista da Carta Capital esteve por lá a madrugada toda.

Em tempo 4: os panfletos são assinados por 3 bispos católicos. Mas eles juram por Deus que não têm nada com isso. Enfim, esse caminhão de panfletos (na verdade foram preciso dois caminhões pra levar tudo) continua sem pai nem mãe.
ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE: Hoje a Folha noticia que a gráfica é de uma filiada ao PSDB, irmã de um dos coordenadores de campanha de Serra. Meu cachorro Moreno, que estava desconfiado sobre a autoria dos panfletos, teve suas suspeitas confirmadas. Cabe a pergunta: Quem é Sérgio Kobaiyashi.

 

Lula mandando seu recado: mais quatro anos de avanços econômicos e sociais com Dilma e aliados!

 

Mais uma vez o Demétrio faz com que este blog se torne melhor. Agora explica e desfaz algumas bobagens difundidas sobre o pré-sal. Assim que descobriram os recursos na profundidade, começaram a falar sobre a sorte do presidente Lula, como se as riquezas houvessem sido descobertas espontaneamente. O Demétrio desfez a bobagem nos debates acadêmicos, políticos e nas mesas de botequim. Disse que sem um ativismo científico do estado, típico do governo Lula, a fonte nunca teria sido descoberta. Desde então, a cada notícia publicada, checo com o representante do Guaciara em Massachussets. O texto, os links, as imagens e as legendas são do Demétrio. O cabra já virou blogueiro. RA!

  • O pré-sal, para todos os efeitos, ainda não existe. Ele precisará ser “criado” por meio de tecnologias e processos capazes de recuperar quantidades assombrosas de petróleo e gás nas condições mais adversas de exploração já enfrentadas desde as gigantescas descobertas no Mar do Norte na década de 1960.



  • A riqueza do pré-sal, essa então não apenas ainda não existe como pode nunca realizar todo o seu potencial. Maior ainda do que os desafios de desenvolver as tecnologias e processos de exploração e recuperação do petróleo e gás do pré-sal são os desafios políticos, econômicos e sociais de transformar essa riqueza potencial em motor do desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista.
  • O primeiro desafio, o desenvolvimento tecnológico e científico aplicado à exploração, beneficiamento e comercialização das riquezas do pré-sal, a Petrobrás já demonstrou que podemos vencer, como, aliás, vencemos, sob condições relativamente parecidas de dificuldades tecnológicas e produtivas, quando das descobertas das reservas nos campos de Albacora e Marlim na Bacia de Santos, na década de 1980. Enfrentar e vencer esses desafios colocou a Petrobrás na condição de líder mundial em exploração petrolífera em águas profundas.

  • O segundo desafio, transformar a riqueza do pré-sal em desenvolvimento nacional econômico e justo, distributivo e progressista é muito mais difícil.  As dificuldades podem assumir duas ordens: a maldição dos recursos naturais e a doença holandesa. A maldição da abundância de recursos naturais refere-se à correlação negativa entre crescimento econômico e abundância de recursos naturais: quanto mais abundantes os recursos naturais, menor o crescimento econômico. A doença holandesa é mais específica, pois identifica um tipo de recurso natural (petróleo e gás) e o mecanismo causal que gera um crescimento econômico mais modesto e de menor qualidade, além de tratar de um caso histórico específico, os efeitos deletérios das descobertas de reservas petrolíferas no Mar do Norte sobre a economia holandesa. O argumento é o seguinte: a maior rentabilidade do setor de exploração do petróleo e gás, combinada aos efeitos da apreciação cambial causada pelo enxurrada de divisas externas que afluirão ao país, resultará em um movimento de fatores (capital e trabalho) dos setores manufatureiros para o setor de exploração dos recursos naturais e de serviços, diminuindo a competitividade do setor industrial exportador, deixando  no lugar uma economia especializada na extração e comercialização de recursos naturais que cedo ou tarde se esgotarão.
  • A descoberta de petróleo e gás no Mar do Norte na década de 1960 oferece um raríssimo exemplo de quase-experimento nas ciências sociais: duas economias bastante parecidas – a holandesa e a norueguesa; o mesmo evento exógeno – descobertas de petróleo e gás no Mar do Norte – na mesma época – década de 1960; mas resultados muito diferentes a médio e longo prazo, com a Noruega desenvolvendo uma das sociedades mais justas e desenvolvidas do mundo , superando suas irmãs escandinavas Suécia e Dinamarca, e a Holanda emprestando seu nome a uma “doença”, feito, convenhamos, de pouco ou nenhum mérito. A figura abaixo mostra a Noruega tirando a distância dos outros dois países escandinavos, Suécia e Dinamarca, em termos de PIB per capita (Produto Interno Bruto=Gross Domestic Product), de um ridículo terceiro e último lugar até a década de 1960 até a inquestionável dianteira:

  • Como explicar resultados tão diferentes? A Noruega, ao contrário da Holanda, adotou uma abordagem que tratava a enorme riqueza a que a sociedade norueguesa teria acesso nas décadas seguintes como uma oportunidade cheia de perigos e desafios. Trataram logo de garantir que  80% da riqueza gerada pelo petróleo e gás da plataforma continental norueguesa seria propriedade da nação; ampliaram e desenvolveram a companhia estatal norueguesa de petróleo (StatOil), dando a ela primazia na exploração e desenvolvimento do setor de petróleo e gás na Noruega; deram às companhias internacionais papel secundário e auxuliar no setor petrolífero norueguês, valendo-se das parcerias para garantir transferência de conhecimento das multinacionais para as empresas norueguesas – em um processo conhecido como capacidade adaptativa, em que um país consegue se apropriar de conhecimentos de fontes externas e aplicá-los para o desenvolvimento do país; desenvolveram o setor de subsea norueguês, dedicado a tudo que diz respeito à exploração subaquática, de risers – basicamente, tubos e conexões que, como sabemos, podem ser um baita mico nas mãos erradas – até robótica e computação aplicadas à exploração de petróleo e gás – hoje em dia a norueguesa Aker Kværner é uma das maiores e mais importantes companhias do setor de subsea do mundo, setor altamente intensivo em capital e tecnologia e presente no mundo inteiro, isto é, em todo lugar onde existam desafios tecnológicos para a extração do petróleo, logo, em que os custos envolvidos, portanto os lucros potenciais, são grandes; e a criação de um fundo soberano para reter e aplicar os dividendos do setor de petróleo e gás, evitando com isso a sobrevalorização cambial e as consequências da doença holandesa e a maldição que recai sobre quase todos os países ricos em recursos naturais mas pobres em futuro.
  • O pré-sal como fronteira tecnológica da exploração do petróleo é brasileiro, é nosso, foi feito por pessoas como você e eu que têm se dedicado a fazer do nosso país um lugar melhor para todos nós. O pré-sal como fenômeno geológico é muito provavelmente mundial, isto é, as condições geológicas de presença de petróleo nas camadas de pré-sal mundo afora são muito favoráveis e existem seguramente na costa ocidental da África (países como Nigéria e Angola já exploram petróleo e gás em suas plataformas marítimas) e possivelmente no Japão, no Golfo do México e no Mar Cáspio. O país que dominar as tecnologias de exploração dessa fronteira tecnológica terá uma vantagem competitiva de pelo menos duas décadas (o tempo que levou para o Brasil desenvolver a tecnologia capaz de extrair petróleo e gás do pré-sal) em relação aos demais – e no momento esse país é o Brasil.
  • Os desafios políticos, econômicos e sociais exigem muita atenção e sentido de futuro e de nação. Como mostram as histórias de inúmeros países ricos em recursos naturais – aqueles afetados pela maldição da abundância de recursos naturais – só isso não basta, é necessário saber o que fazer com tanta riqueza.
  • O Brasil precisa evitar a todo custo a tentação de gastar as riquezas do pré-sal em atividades e ações imediatas e com alto retorno político imediato mas baixo retorno no médio e longo prazo. Para isso, é preciso que o Brasil direcione a riqueza gerada pelo pré-sal para:
  1. Investir em educação em todos os níveis, de modo a qualificar a mão de obra não apenas do setor de petróleo mas de todos os outros setores da economia brasileira, mas sobretudo como forma de ampliar as condições mínimas de uma cidadania plena;
  2. Investir em inovação em todos os setores da economia brasileira, de modo a desenvolver no Brasil um tecido produtivo intensivo em conhecimento e competitivo internacionalmente;
  3. Garantir em alto grau o retorno das riquezas do pré-sal à sociedade brasileira, tanto no investimento dos recursos em políticas públicas de educação, inovação, ciência e tecnologia como na constituição de empresas brasileiras capazes de competir internacionalmente e gerar para o país empregos e dividendos que possam ser, via tributação, redistribuídos, reduzindo as tremendas desigualdades e injutiças que ainda existem no Brasil.
  • Mas pré-sal não é apenas e nem mesmo principalmente extrair petróleo e gás do fundo do mar de modo responsável e fazer com que isso se se reverta em um desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista. Como a experiência da Noruega nos mostra, para extrairmos todos os benefícios do pré-sal e evitarmos as armadilhas e roubadas que podem vir junto, uma geração inteira terá que se empenhar no esforço coletivo para aplicar da melhor maneira possível essa enorme riqueza. Nós precisaremos nos dedicar de corpo e alma à tarefa de compreender quais os impactos dessas descobertas sobre a fauna e flora marinhas, a chamada Amazônia Azul; as profundas alterações sociais e urbanísticas que afetarão os municípios e estados mais beneficiados com os royalties do pré-sal; os movimentos demográficos, a reconfiguração do mercado de trabalho e seus impactos sobre os ambientes urbanos que tenderão a crescer naquelas áreas; os desafios ambientais envolvidos na utilização intensiva de recuros energéticos de fontes fósseis; o que fazer para não perdermos a liderança no desenvolvimento e produção de biocombustíveis; e quais as políticas sociais mais adequadas para redistribuir toda essa riqueza sem com isso colocar em risco nosso futuro, uma vez que cedo ou tarde toda essa riqueza irá acabar e teremos que ter algo para colocar no lugar. Nossa geração e a de nossos filhos serão beneficiárias dessas riquezas, mas precisamos fazer com que nossos netos e bisnetos, assim como todos os brasileiros que vieram antes nós e sofreram a tragédia de um país injusto, racista e desigual, sejam contemplados com um país melhor.
  • É preciso lembrar, por último, que as forças reacionárias da sociedade brasileira encarnadas na candidatura de José Serra e sua aliança neo-udenista com a escória mais baixa da ditadura, o PFL, prometem fazer, no que toca ao pré-sal, mas não apenas a isso, o contrário de tudo que a experiência histórica de países que se desenvolveram com qualidade recomenda.  O mesmo partido que buscou sem sucesso privatizar a Petrobrás ameaça, segundo declarações de David Zilberstajn, assessor para assuntos energéticos de Serra: acabar com a necessidade de participação da Petrobrás na operação das áreas licitadas de modo a abrir caminho para as multinacionais do petróleo e gás, entregando de mão beijada a riqueza nacional para o capital estrangeiro à moda do que se fazia à época da colônia, e depois no império e por boa parte da história da república. Nós, nossos filhos e nossos netos pagaremos caro por isso se não agirmos a tempo e decididamente. E o momento é já!
  • Este filminho é aquele que nos enche de orgulho e nos informa mais sobre o pré-sal:

Não sou de copiar publicações alheias, mas o momento torna isso necessário, mais do que eu pensava. Nas conversas de corredor, percebo o papel que o Spam teve no primeiro turno. O que escuto de menino repetir  essas bobagens não esta no gibi. Esses e-mails apócrifos mudaram o voto de muita gente. Por isso, copio a postagem do Seja dita a verdade e colo aqui. Com isso, não quero definir a posição do eleitor, mas torcer que ela seja feita a partir das propostas de campanha e dos projetos de cada um dos candidatos, não da violência e da mentira. A campanha aqui não é contra um candidato ou outro, não é campanha de pavor, é campanha de amor, de acreditar em uma candidata. Ao contrário dos antipetistas, aqui não fazemos campanha contra um candidato, mas a favor de uma candidata.

Compilação dos emails falsos que circulam nesta campanha sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete ao leitor ao texto em questão. Espalhem:

A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p

PS: Fiquei feliz com o papel central que o Ciro terá na campanha. Espero que ele se repita em um eventual governo da Dilma

Amigos para siempre: "meu presidente" e candidato

O Beto Richa censura pesquisas e blogueiros, o Flávio D’Urso da OAB (e do Cansei, e do PSDB) quer censurar obra de arte,o Serra leva a fita da CNT pra casa e o Gilmar Mendes tá em campanha e interfere, a pedido do Serra,  em votação do STF pra beneficiar o PSDB.

E a ameaça à democracia é o PT?

Reproduzo aqui o texto do Observatório da Imprensa sobre o ocorrido:
“O que está em julgamento é a determinação, criada por lei do ano passado, de que o cidadão tenha que apresentar, na hora da votação, além do seu título eleitoral, outro documento com fotografia.

A direção da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff concluiu, recentemente, que essa norma pode prejudicá-la, pois as pesquisas mostram que ela conta com os votos da maioria da população mais pobre e menos escolarizada, que tem mais dificuldade para obter documentos. Além disso, segundo o partido governista, muitos cidadãos de cidades do Nordeste atingidas por inundações e deslizamentos perderam seus documentos, o que os impediria de exercer o direito de voto.

Até ser interrompido pelo pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes, o julgamento estava 7 a 0 em favor da extinção dessa exigência. Mendes alegou que o caso não era de urgência, uma vez que os interessados tiveram um ano para contestar a lei.

Teoricamente, sua alegação poderia ser justificada, mas a reportagem da Folhasugere que a decisão do ministro foi tomada sob influência de um dos candidatos.

A suspeita de relações impróprias entre um ministro do Supremo Tribunal Federal, ex-presidente da corte, e um candidato em disputa eleitoral, é o escândalo da hora.

O jornal por testemunha

Os jornais O Estado de S.PauloO Globo também noticiaram a suspensão do julgamento, e o Estadão chega a citar especulações sobre um eventual telefonema de José Serra ao ministro Gilmar Mendes, mas acaba optando por valorizar a declaração dos dois personagens, negando a ocorrência do telefonema.

Sabe-se, agora, que houve realmente a conversa telefônica antes da decisão do ministro porque os repórteres da Folha de S.Paulo puderam testemunhá-la. Além disso, se a polêmica se estender, a qualquer momento pode-se confirmar a ocorrência dessa conversação, por decisão judicial, consultando-se a empresa de telefonia celular utilizada.

Esse é o valor crítico do jornalismo presencial, no qual o repórter se coloca junto ao local dos acontecimentos, em vez de fazer a cobertura por telefone ou pela internet.

A informação bancada pela Folha equivale a uma denúncia de tráfico de influência e pode afetar a imagem do Supremo Tribunal Federal, que vem sendo criticado por não haver tomado uma decisão clara no caso da Lei da Ficha Limpa.

Estadão publica na edição de quinta-feira (30/9) um comentário sobre a politização do Supremo, afirmando que a corte “há muito perdeu sua característica essencialmente constitucional”.

O ministro Gilmar Mendes não tem certamente uma imagem pública favorável desde que mandou soltar o banqueiro Daniel Dantas. A suspeita de que toma decisões sob influência de um candidato configura escândalo de proporções republicanas, agravado pelo fato de que o ministro usou como justificativa para interromper o julgamento um argumento utilizado por José Serra na segunda-feira (27) – a de que o PT pretende mudar a regra do jogo na última hora.

Um presente

Diante dos números contraditórios das últimas pesquisas eleitorais, os analistas de campanha vêm afirmando que apenas um fato novo poderia alterar o equilíbrio de forças nas eleições de domingo, 3 de outubro.

Apesar de toda a imprensa estar forçando, nos últimos dias, para que esse fato seja a discussão em torno da legalização do aborto, que em tese prejudicaria a candidata governista, o acontecimento envolvendo o candidato da oposição e um ministro do Supremo Tribunal Federal pode ser o elemento que faltava para definir se teremos ou não segundo turno.

Para os marqueteiros da candidata governista, a reportagem da Folha é um presente dos deuses.”

Fico com o Ceará nessa: “Gilmar, que não deixou Daniel ser preso, atende pedido de Zé.  Daniel é pai de Veronica, sócia da outra Veronica, filha do Zé e empresária de sucesso, que quebrou milhões de sigilos e também teve sigilo fiscal acessado…”

Essa ação entre amigos pode mudar a decisão das eleições e não ir a fundo nesse caso é manchar todas as decisões do STF. A amizade não vem de hoje.

Como diz o Fausto Salvadori Filho: ” O “Lula inimigo da liberdade de expressão” é uma invenção jornalística, tanto quanto o Obama muçulmano ou a Sasha Gay brasileira.”

E o Cansei parece que nunca cansa na capital paulista. Ontem foi a vez de juristas e outros paulistas de casaca subirem no púlpito do Largo São Francisco para protestarem contra o cerceamento da liberdade de imprensa. Não, não era nada sobre o esforço de Flávio D’Urso, presidente da OAB, para censurar  as obras de Gil Vicente e nem dos outros ofendidos com uma obra que demonstra apoios à Dilma.

O problema desses senhores era contra as críticas do presidente à imprensa, para eles uma “ameaça”. Engraçado que até hoje já chamaram o presidente de bêbado, apoiador de guerrilheiro, ditador e o diabo a quatro e nenhum jornal fechou. Em época eleitoral vale tudo, como diz a coordenadora on line do Serra,  e nosso chapa, Walter Hupsel explica melhor essa sanha por “democracia” dos janotas.

Nobres, ilibados e cheirosos, por Walter Hupsel

Os janotas estão invocados

As eleições se aproximam. Como já ficou famoso na internet, a contagem regressiva é feita em quantas edições da revista Veja ainda circularão até o pleito. Faltam duas, e depois deste sábado faltará apenas uma. Ainda bem, não estou agüentando mais o BAxVI eleitoral que está colocado em campo, com ânimos acirrados e radicalizados.

Quero poder conversar com as pessoas, normalmente, sem que o tema tome ares religiosos, como vem acontecendo. Ultimamente virou profissão de fé e o diálogo uma exercício de paciência e ascese.

Há tempos vinha alertando a amigos que esta eleição seria a mais complicada e tensa desde a de 1989, e tinha medo que fosse a mais baixa e suja e que superasse a primeira eleição pós-ditadura militar. Primeiro minha opinião causava risos, achavam que era uma leve paranóia minha; depois uma leve indagação tomava conta do interlocutor: “Será? Ah, não, não é possível”. Agora, na últimas semanas foram convencidos que sim, ainda temos duas edições da Veja para que se abra um alçapão no fundo do poço

A maçaneta deste alçapão foi quebrada ontem, dia 22 de setembro, no Largo de São Francisco, aqui em São Paulo. Nobres, ilibados e cheirosos jurisconsultos fizeram uma manifestação “em defesa da democracia” num lugar símbolo da luta contra a ditadura militar. Em que pese na defesa deste nobres, ilibados e cheirosos jurisconsultos, outras classes profissionais também estavam representadas pelos seus próprios membros nobres, ilibados e cheirosos.

Lá, suando um pouco dentro dos seus paletós, os já não-tão-cheirosos-assim vociferaram contra a venezuelização do Brasil, contra os constantes ataques do governo à liberdade de imprensa.

A esta altura os nobres e ilibados jurisconsultos compararam o governo brasileiro ao de Mussolini. A camisa vermelha que parou o metrô na terça-feira, provocando o caos na cidade,  agora foi tingida de preta.

Os nobres e ilibados jurisconsultos, ou alguns deles lá presentes, esqueceram de dizer que ali, naquele largo, umas sete décadas atrás, quem marchava de camisa parda eram aqueles que agora vociferavam no púlpito. Goffredo, o pai de Reale Jr., os nossos queridos ex-fascistas, acusavam o governo de praticar aquilo que eles mesmo defendiam.

Os nossos nobres jurisconsultos apontavam fugidiamente, en passant, de soslaio, os tais atentados do governo à liberdade de imprensa. Apontavam, mas sem o dedo em riste para não direcionar qual a ameaça, de onde ela realmente vem. Apontavam sem, contudo, apontar.

Por um instante eu achei que Chávez era um menino do maternal e Pol Pot ainda estaria no ensino médio, aprendendo com o nosso governo a disciplina “como controlar a imprensa II”. Mas aí eu lembrei que os nobres jurisconsultos que ali defendiam tão veementemente a nossa democracia, e nossa liberdade, contra um governo tirano e totalitário, fizeram parte de um outro governo, que foram ministros, assessores especiais, e que estavam ali num ato eleitoral, e não político.

Aí eu lembrei também que a defesa de algo em interesse próprio é válida e legítima, mas não é uma atividade nobre, né não, jurisconsultos?

E a campanha eleitoral tá extrapolando em tensão, pelo menos nesse ano ninguém comeu o dedo de ninguém. O clima tá tóxico e até ator que tava defendendo a ditadura até outro dia, agora sobe em palanque pela liberdade de expressão, como se ela estivesse sob algum ataque.

Qualquer um que não estiver contaminado pelo discurso do ódio sabe que todos os poderes agem com independência e que a democracia não corre risco algum. Vale ler o Jânio de Freitas hoje e os tweets do Leonardo Sakamoto, mas sem esquecer que o jogo eleitoral de quem denuncia ameaça à democracia, é, em alguns momentos,  o jogo de quem procura uma ruptura com a normalidade democrática.

E isso pode ser majoritariamente eleitoral, mas tem um viés golpista muito perigoso.

Apesar de toda avalanche, nessas horas quem tá sempre certo é o Rob Mazurek:

Maza mandando brasa

Mazurek é quase um brasileiro a não ser por um detalhe: fala pouco português. Uma das poucas expressões que ele aprendeu e que usa correntemente é: “Calma gente”. Maza sabe muito bem escolher o que aprender. Por isso é um baita músico e um artista plástico excelente.

Se você quiser ouvir o disco com o nome e a capa mais foda do mundo , fique ligado aqui e aqui. Já, já sai mais coisa. Tem mais coisa do Maza nesse site também.

Faltam dez dias para o primeiro turno. Até lá – e depois, se tiver segundo turno – “Calma gente” deve ser uma mantra repetido várias vezes

Nem só de escândalos vive a oposição. Vez ou outra, aquele outro negócio lá que também é importante em campanhas eleitorais, e na vida política em geral – a saber, projeto de governo, projeto de país etc. – é timidamente discutido pelos jornais abertamente, ou quase, identificados com a candidatura de oposição. O problema é o incômodo cheiro de naftalina que suas ideias exalam.

Há pouco mais de dez dias, o jornal O Estado de São Paulo publicou um editorial explicando a perda que significou para o país o nosso “não, obrigado” para a proposta de um mercado livre das Américas (ALCA). O editorial estimava o crescimento que as exportações do Brasil aos EUA poderiam ter tido com base no crescimento das exportações chinesas para o mesmo país nos últimos dez anos, aproximadamente. Ainda que seja verdade que o Brasil não diversificou sua pauta de exportação, o crescimento no período foi grande; só não foi igual ao da China porque, bem, a China é – a China. Só alguém que dormiu em 1949 e acordou em 2010 esperaria que o crescimento de qualquer outro país, em qualquer critério, equivalesse nessa última década ao da China.

De mais a mais, ninguém em sã consciência diria que o efeito do acordo poderia ter trazido resultados diferentes. É tradição esses acordos serem desenhados para favorecer as economias mais fortes segundo o conto-do-vigário das “vantagens comparativas”: você faz soja muito bem, nós a compramos; nós fazemos microcomputadores muito bem, vocês os compram. O resultado é óbvio: estagnação da economia em termos de diversificação, inovação e sofisticação. Quem acompanha essas coisas, mesmo de longe, sabe que esses são termos que voltaram a circular e muito na economia brasileira, depois de anos de ausência quase completa de políticas de desenvolvimento. Perguntem aos mexicanos o que eles acham do NAFTA (adianto, para os desavisados, que a resposta será provavelmente recheada de palavrões e perdigotos de ódio).

A Folha de São Paulo denunciou hoje o esvaziamento das agências reguladoras, criadas principalmente pelo governo FHC. É louvável que haja a intenção de defender o governo FHC durante a campanha: é isso o que todos, tirando os fãs de dossiês e escândalos, estávamos esperando ansiosamente. Mas é um tiro que sai pela culatra: o modelo das agências setoriais reguladoras foi duramente criticado por especialistas ligados ao governo Lula, e por boas razões. Esvaziar essas agências é mais do que simplesmente desmontar um governo, é remontar o Estado brasileiro, que tem recuperado sua capacidade de ação e formulação, fomentação e implementação de políticas para os diversos setores antes largados à boa vontade da iniciativa privada. Alguém imagina a Anatel com capacidade de forçar a expansão da banda larga no Brasil? Com quais instrumentos, se ela é apenas reguladora?

Por último, e sem o proselitismo dos outros dois exemplos, Alberto Carlos Almeida (que desde 2009 vem cantando a bola de que Serra perderia no primeiro turno) sugere, no suplemento de fim de semana do Valor Econômico, alguns temas que Serra poderia usar em sua campanha que resgatam conquistas do governo FHC. Almeida relembra o aumento no consumo durante o governo FHC, e dá exemplos cruciais: entre 1994 e 2000, o brasileiro passou a consumir mais frango, salsicha e refrigerante. É evidente que exemplos como esses são ilustrativos, e podem indicar realmente mudanças no poder aquisitivo da população (Almeida também cita o aumento no consumo de energia elétrica, um indicador mais consistente – mas um aumento que foi, como sabemos, levado a seu limite pela falta de investimento público). Mas o exemplo fica liliputiano, por assim dizer, se comparado às conquistas do governo Lula: crescimento do emprego, aumento do salário mínimo, expansão do crédito, acesso ao ensino  superior.

(Salsicha e refrigerante?! Que tal emprego, moradia, poder de compra, universidade? Me lembra aquele quadro do programa do Silvio Santos em que o sujeito, de dentro de uma cabine com isolamento acústico, precisava decidir se aceitava ou não as trocas que o apresentador lhe propunha: “o senhor quer trocar um curso superior para os seus filhos por um pacote de salsicha?” “Siiiiiiiiim”, responde o cara lá de dentro, sem saber o que lhe espera.)

Política neoliberal: importar (porque produzir não é uma boa) salsicha para todos

Os três exemplos são, obviamente, inspirados numa agenda neoliberal: livre comércio (em acordos necessariamente desiguais, porque envolvendo economias desiguais), o encolhimento da capacidade de ação do Estado (lembrem-se da pérola do Malan, “a melhor política industrial é não ter política industrial”) e uma concepção remediadora da pobreza (dentadura, frango e iogurte) e despreocupada com a promoção real da ascensão social. É a agenda que estão querendo empurrar; mesmo porque, caduca, ela já não anda mais com as próprias pernas. Ainda bem.

Neguinho adora falar do PT, do controle da mídia e da ameaça que o partido representa para sociedade. Ontem o Estadão meteu uma capa com o José Dirceu atribuindo a ele uma frase de que a imprensa tinha excesso de liberdade . É só assistir o vídeo para ver que se trata de uma rematada lorota.

Agora, o engraçado é que o PSDB (e os mirins de sua coalizão) enchem a boca para se arvorarem de defensores diletos da liberdade de expressão. No entanto, como são pouco acostumados a qualquer tipo de questionamento mais sério, foram em vários momentos grosseiros e atuaram para constrangerem e censurarem os repórteres que fazem seu trabalho, questionando o entrevistado.

Confira uma seleção:

O mais recente piti de Serra contra Márcia Peltier que por não gostar da pergunta ameaçou deixar a entrevista. Com certeza a repercussão vai ser mínima. Até a ombudsman da Folha admite que a cobertura da grande imprensa é tendenciosa e não dá espaço para questionamentos aos candidatos tucano.

Como só os blogs o questionam, ele criou os tais blogs sujos, que segundo ele o perseguem sistematicamente. Perseguir, no jargão serrista, é questionar sua capacidade e suas administrações – algo proibido na cabeça do tucano.

Depois é só tomar uma perguntinha inocente e olha o que acontece:

Aqui o Serra é mais uma vez grosseiro e levanta intenções políticas da TV Brasil só por que eles perguntam quando o problema será solucionado para o então governador. A pergunta partiu da TV Brasil (imagina se alguém do PT faz isso com a TV Cultura ou a TV Minas?) – a partir de 1’37”.

Há vários outros exemplos de mau criação do Serra com repórteres (se quiser conhecê-los clique no RS URGENTE), acusando intenções políticas ou simplesmente dizendo que não entende sotaques de outros Estados. Mas essa não é uma prática exclusiva do postulante oposicionista à presidência. Outro ex-candidato, Geraldo Alckmin, também tem sérios  problemas com o questionamento:

Além de barrar mais de 69 CPIs ao longo dos seus seis anos de governo no Estado de São Paulo, o político nascido em Pindamonhangaba se recusa no vídeo acima a falar com a imprensa australiana sobre o fracasso do seu governo em lidar com o PCC.

Mas isso também não para no tucanato paulista. Talvez o caso mais sinistro em todo Brasil seja o do ex-governador mineiro Aécio Neves, que smplesmente barra qualquer oportunidade de questionamento a sua administração. A severidade de sua irmã com a imprensa se tornou nacionalmente conhecida e, pelo jeito, custou cabeças em todos veículos de comunicação de Minas Gerais:

Um documentário em inglês sobre a censura de Aécio

E o clássico Liberdade essa palavra (parte 2 e parte 3 aqui).

Um detetive de seriado americano ruim diria que há um padrão  Homopoderosustucanium, um modelo de comportamento que não pode negar a verdade mais absoluta na cabeça deles: “estamos sempre certos”. Se é temeroso no poder local por que sufoca qualquer manifestação contrária, no nacional, seria um absoluto desastre.

Mesquita na panfletagem

Mesquita na panfletagem

Tinha me esquecido como campanha eleitoral na rua cansa e faz bem. Nesse ano, meu pai, o Marcos Mesquita decidiu sair candidato a deputado federal (para quem quiser votar, o número é 1399). Ele é um quadro do PT sul-mineiro desde que eu me entendo por gente, foi vice-prefeito e secretário da Saúde (por duas vezes). Até semana que vem, eu devo escrever um post mais detalhado sobre a importância de se votar nele. Sou filho da fera, mas acho fundamental colocar uma figura dessas na câmara.

Um link recente do Lula falando sobre o Vinícius de Morais diz muito sobre as razões por que eu acho ele um bom candidato. Médico, músico, professor e político, o Mesquita é o sujeito mais democrático que eu conheço. Isso se reproduz no sorriso e na disposição de dialogar com todos. Não é  à-toa que é uma das pessoas mais celebradas e amadas que eu já vi (e isso vem de muito antes da candidatura). Mas deixa a rasgação de seda de lado, vou contar o que vi nesse feriadão.

A campanha dele passa longe dessas superproduções de parlamentares midiáticos e é bem modesta, sem profissionais com bandeiras ou panfletos. É composta essencialmente de militantes do Sul de Minas e de amigos. E é nesse quesito que ela é forte. Só a injeção de amizade que ele e todos os participantes da campanha recebem quando vão divulgar seu nome já valeu meu feriado inteiro (e olha que ele teve mais um monte de coisas legais).

Nesse 7 de setembro, eu me juntei às dezenas de amigos que foram as ruas divulgar a candidatura do Mesquita na avenida principal de Pouso Alegre. Uma multidão de mais de 10 mil pessoas se reúne ali para ver exército, polícia, bombeiros e escolas públicas desfilarem com suas fanfarras em ritmos monótonos e com pouca dinâmica.No geral, querem ver os tanques, helicópteros, filhos, sobrinhos, primos e netos que se mostram na  avenida.

Tinha gente de tudo quanto é tipo, fazendo campanha e assistindo ao desfile.  Por causa disso, uma panfletagem dessas faz você aprender muito sobre quais são as expectativas das pessoas em relação a política e por que pautar o debate só no que repercute pela Internet – pelo menos por hora – é muito equivocado.

Além disso, é o momento de vivenciar a democracia de verdade. São centenas de cabos eleitorais divulgando as mais diversas plataformas políticas e combinações partidárias (ainda mais em Minas onde o quesito diversidade de alianças ultrapassa bastante os limites imaginados por qualquer cientista político). E entre pessoas de saco cheio, outras receptivas, velhinhos que só querem bater um papo todo mundo pergunta (ou se pergunta) pra que eu vou votar nesse cara.

Os votos para deputado federal e estadual são os últimos a serem colocados nas ponderações dos eleitores brasileiros. Muitas pessoas votam com base em critérios fisiológicos. O Brasil ainda é um país de carências gigantescas. Na opinião de boa parte do eleitorado, o Estado é um´provedor que só aparece na época de eleições.  Mas muita coisa tá mudando e eu acho que o personagem Lula, suas políticas sociais, seu discurso de valorização dos mais pobres e a prática de inserção das pessoas em conferências locais, estaduais e federais alterou positivamente esse cenário, politizou as pessoas quanto aos seus direito e impôs políticas irreversíveis.

Mas fazer campanha na rua me trouxe algumas grandes lições na prática (com toda distorção que a pequena amostragem pode oferecer). A primeira conclusão é óbvia: quem fala mal do Lula na rua hoje em dia corre risco sério de tomar uns cascudos de desconhecido. O pessoal mais pobre defende ele e  “a mulher” (a Dilma) de uma maneira mais entusiasmada que os petistas.  É nessa hora que se percebe que a consolidação dela no eleitorado é bem mais forte do que pode parecer. A principal fonte de informação dos transeuntes que eu encontrei em Pouso Alegre no feriado é a TV. A internet como meio de informação ainda é uma coisa abstrata.

Mas a decisão desse eleitor não se dá pelas notícias veiculadas por essa ou aquela emissora, se dá pela comprovação prática de que a vida deles melhorou, que eles conseguem quitar sua casa, comprar eletrodomésticos e com uma identificação muito profunda com o presidente. A comprovação é do dia-a-dia. Informação mais poderosa que a experiência não há, já dizia Stanislavski.

Depois, é que as menções ao Serra nos materiais de campanha tucanos em Minas são raíssimas e queimam o filme. Em Pouso Alegre, em várias ocasiões me disseram que o FHC e o Serra abandonaram Minas Gerais nos mandatos deles. A derrubada do Aécio foi o golpe final e não é sem motivo que o candidato tucano hoje amargue rejeição recorde no segundo maior colégio eleitoral brasileiro (alguns divulgam algo acima dos 45%). O Dilmasia tem pegado fogo pelo interior e isso se soma às combinações mais esdrúxulas para um eleitor tão acostumado à oposição PT-PSDB. Em Minas Gerais tem aliança para todos os gostos.

Mas o mais importante de tudo, é que diferente da Internet onde tudo é super claro, nas ruas do interior mineiro é tudo mais matizado. Lá não existe esse anti-petismo babão e nem raiva do serrismo. Honduras, Colômbia, Venezuela estão muito distantes da vida do pessoal. As perguntas mais comuns sobre os candidatos a deputado são: o que esse cara vai fazer pra melhorar meu bairro, pra conseguir trazer indústrias pra cá, desovar a produção, arrumar emprego pro meu filho, arrumar um dinheiro pra mim e coisas do tipo. Para esse tipo de problema, a campanha lulista tem a comprovação da realidade como elemento. A de Serra e Marina não têm nada, nem um cenário de uma vida melhor.

A militância profissional que ganha para distribuir os panfletos acaba atuando nessa mesma chave: “vote em tal candidato por que ele me arrumou um serviço”. Ou então repete os chavões básicos sobre cada tema. Só militância comprometida é que tem a informação do voto na ponta da língua e nessas horas é fundamental gente comprometida com a campanha. É a hora em que uma estrutura como a do PT vira votos.

A campanha do Serra não faz comícios e raramente vai às ruas. Os militantes serristas  se reduzem a mandar spams por e-mail, morrem de medo de ir pra rua. Não é à-toa que desconhecem as aspirações dos eleitores e do país. Preferem pensar o governo a partir de editoriais estrangeiros e nacionais. Isso, sem dúvida, é o reflexo do enfraquecimento dos coronéis que se acastelavam no PFL. Eram esses os caras que davam alguma base de realidade nas campanhas antigas do PSDB, um partido que não desgruda do twitter. O caminho do buraco é certo.

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