Política


Nos últimos dias finalmente todos nós do Guaciara conseguimos dar um tempinho e correr um pouco da febre de Internet da campanha eleitoral. Os dois turnos das eleições presidenciais (principalmente o segundo) trabalharam em uma chave de teste de convicções e de uma necessidade intrínseca do eleitorado buscar provas e argumentos convincentes pra desmontar qualquer tipo de especulação levantada na imprensa. Em geral, especulações distantes do que poderia vir a ser o governo do pós-Lula.

Não é estranho que os ataques americanos ao câmbio no mundo inteiro, questões de infraestrutura, segurança e educação só tenham aparecido depois das urnas abertas.

Como pouco se discutiu programa de governo, o tom era de fofoca, de buscar possíveis ilações e denúncias, mas isso todo mundo que passa por aqui com alguma frequência já sabe. O problema é que mal acabou o período eleitoral e o discurso permanece igual. Pouco se fala dos resultados práticos na vida das pessoas de cada decisão governamental e continua se apostando na espuma: uma hora é um bloco governamental novo, outra a ficha da presidenta, outra uma reunião do José Dirceu, o julgamento do caso Celso Daniel, os mal-estares do PT com o PMDB,  o que disse alguém para outro e coisas assim.

Por isso, o que eu mais gostei da entrevista do Lula aos blogueiros foi quando ele se dispôs a falar de governo, como no caso de seu posicionamento contra o AI-5 digital, sobre a abertura de documentos sigilosos – sobretudo dos documentos sobre a ditadura -, as relações internacionais, Copa do Mundo, reforma política,  STF e seu critério de nomeações e principalmente seu compromisso em apresentar tudo que foi feito nos últimos oito anos, mostrando como a institucionalização das medidas é uma das marcas desse governo.

Essa ação coordenada pelos blogueiros progressistas – e articulada pelo Renato Rovai - poderia ser replicada a uma entrevista com a nova presidenta e mesmo em entrevistas temáticas sobre educação, saúde, ciência e tecnologia, economia, desenvolvimento, ação afirmativa, agricultura familiar, jornada de trabalho,  relações internacionais, comércio exterior etc.

Há entre os blogueiros gente muito qualificada para discutir todos esses assuntos. Agora é hora desses blogs se organizarem e colocarem essas questões. Na verdade, a Internet é uma ótima possibilidade para divulgarmos pautas consistentes e levantarmos um debate sobre os destinos do Brasl de agora.

O respeitadíssimo Miguel Nicolelis, por exemplo, acaba de divulgar uma agenda muito relevante  para a ciência e tecnologia brasileira, o Manifesto da Ciência Tropical. O documento pode ser lido na íntegra neste link, mas vale a pena ler as suas 15 metas:

1) Massificação da educação científica infanto-juvenil por todo o território nacional;
2) Criação de centros nacionais de formação de professores de Ciência;
3) Criação da carreira de pesquisador científico em tempo integral nas universidades federais;
4) Criação de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia espalhados pelo país;
5) Criação de 16 Cidades da Ciência;
6) Criação de um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia;
7) Criação de oito “Cidades Marítimas” ao longo da costa brasileira;
8 ) Retomada e Expansão do Programa Espacial Brasileiro;
9) Criação de um Programa Nacional de Iniciação Científica;
10) Investimento de 4-5% do PIB em ações de ciência e tecnologia na próxima década;
11) Reorganização das agências federais de fomento à pesquisa;
12) Criação de “joint ventures” para produção de insumos e materiais de consumo para prática científica dentro do Brasil;
13) Criação do Banco do Cérebro;
14) Ampliação e incentivo a Bolsas de Doutorado e Pós-Doutorado dentro e fora do Brasil;
15) Recrutamento de pesquisadores e professores estrangeiros dispostos a se radicar no Brasil.

Além disso, o site do governo brasileiro implantou um canal sobre a transição. Ainda é pouco centrado nas propostas de governo e acaba reproduzindo o que sai no noticiário, mas é na Internet que a gente deve levantar propostas e pensar o que queremos do governo Dilma e dos próximos.

O filme aí em cima tem texto, narração e direção de Jean-Luc Godard. Está na Bienal e merece atenção e reflexão em uma situação em que a arte vive de uma necessidade de se adequar aos meios, aos estudos acadêmicos, a um discurso de mercado.

O Je Vous Salue Sarajevo está bem na entrada da Bienal de São Paulo, que tem mais um monte de coisas muito boas, principalmente para assistir. Nesse período de falta de tempo para escrever posts mais consistentes, vale muito a pena ver o vídeo pra puxar um papo aí na caixa de comentários. Segue o texto narrado por Godard na íntegra:

De certa forma, medo é a filha de Deus, redimida na noite de sexta-feira santa. Ela não é bela, é zombada, amaldiçoada e renegada por todos. Mas não entenda mal, ela cuida de toda agonia mortal, ela intercede pela humanidade.

Pois há uma regra e uma exceção. Cultura é a regra. E arte a exceção. Todos falam a regra: cigarro, computador, camisetas, TV, turismo, guerra. Ninguém fala a exceção. Ela não é dita, é escrita: Flaubert, Dostoyevski. É composta: Gershwin, Mozart. É pintada: Cézanne, Vermeer. É filmada: Antonioni, Vigo. Ou é vivida, e se torna a arte de viver: Srebenica, Mostar, Sarajevo. A regra quer a morte da exceção. Então a regra para a Europa Cultural é organizar a morte da arte de viver, que ainda floresce.

Quando for hora de fechar o livro, Eu não terei arrependimentos. Eu vi tantos viverem tão mal, e tantos morrerem tão bem.”

…o Blog do Guaciara anuncia explicitamente seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Os motivos foram expostos ao longo dessa campanha, e procuramos contribuir, sem apoio cego nem incondicional, para que fosse bem sucedida.

Só saberemos se a campanha foi vitoriosa amanhã à noite. Mas temos a impressão de que fizemos a nossa parte.

Convidamos todos os nossos amigos e colaboradores a expressar, nos comentários, o seu apoio – ou não – a Dilma.

Desejamos a todos uma boa votação amanhã.

Não é do nosso feitio tomar partido gratuitamente. Menos ainda deixar passar batido as tentativas da grande imprensa de difamar pessoas que sabemos ser sérias e comprometidas com a vida pública brasileira.

Pedro Abramovay sempre teve a fama, entre nós, contemporâneos na Universidade de São Paulo e próximos por amizades em comum, de ser um sujeito sério. Precoce, foi o ministro da justiça mais jovem da história do país ao assumir como interino com a ausência do titular da pasta.

Reproduzimos abaixo a nota de Abramovay em resposta às acusações da revista Veja dessa semana.

 

 

Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar, elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder.

A revista Veja, na edição número 2188 de 2010, afirma ter obtido o áudio de uma gravação clandestina entre mim e um ex-colega de trabalho. Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição.

Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus pares respeito decorrente de meu trabalho.

Apesar de ver meu nome exposto desta forma, não foi abalada minha fé na capacidade de transformação de nosso país e tampouco na crença da importância fundamental de uma imprensa livre para o fortalecimento de nossa democracia.

Pedro Vieira Abramovay
Secretário Nacional de Justiça


Olha, vivo campanhas eleitorais desde que me entendo por gente. Já vi muita apelação: Newton Cardoso contra Itamar, Collor e Lula e as incontáveis campanhas anti-PT (inclusive na minha cidade contra o meu pai). Mas nunca reação tão vil como a da campanha contra a candidata Dilma Roussef. Demorei pra perceber, mas correm panfletos apócrifos, spams e manchetes noticiosas desde fevereiro.

Além disso, a imprensa se esforçou para simular ataques à liberdade de expressão mais de uma vez. Mas o argumento não agüentou um sopro. Nas últimas semanas, os dois jornais mais importantes de São Paulo atuaram com muito viço no cerceamento da liberdade de expressão. A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida do Estado de S. Paulo por destoar de sua posição eleitoral e a Folha de S. Paulo recorreu à justiça para censurar o site Falha de S. Paulo. A página é uma das melhores surpresas da eleição e da lavra de um amigo do Guaciara: O Lino Bocchini. Depois da censura, passou a se chamar Desculpe a Nossa Falha.

O Lino é uma figura respeitada da imprensa paulista. Repórter e editor já passou por várias redações da cidade e hoje é redator-chefe da Trip. Ontem, ele esteve em uma linha de produção da baixaria e a mobilização evitou um atentado. Vale a pena ler o relato dele:

 

Militantes de plantão na porta da Pana

 

Cheguei na gráfica Pana por volta das 2h da manhã de hoje, com meu cachorro, o Moreno. Soube da confusão pelo twitter, e como o endereço fica a menos de 10 quadras de minha casa, aproveitei pra dar uma voltinha fora de hora com o bicho e, de quebra, ainda acompanhar de camarote uma das maiores polêmicas da eleição dos últimos dias. Resumindo: após denúncia anônima, o PT descobriu que a Pana havia acabado de imprimir mais de um milhão de folhetos com as baixarias habituais a respeito do aborto que têm sido jogadas na internet e na vida real contra Dilma. Mais de uma tonelada de difamação em forma de papel jornal, português ruim e layout de quinta categoria estava prontinha pra ser distribuída. Com a informação na mão, o partido conseguiu na Justiça Eleitoral uma liminar no final da tarde de ontem. Um mandado de busca e apreensão foi expedido.

 

Rui Falcão na porta de gráfica às 3h da manhã

 

Quando estacionei meu carro na porta da Pana, três policiais federais à paisana batiam papo do outro lado da calçada, enquanto cerca de 30 militantes se reuniam em pequenos grupos. A porta da gráfica estava fechada, sem sinal de ter alguém dentro. Mais cedo, teve até militante mais exaltado que queria invadir o local, o que não aconteceu. A polícia tinha que esperar amanhecer pra tentar achar o dono e cumprir o mandado, explicavam os dilmistas. Algumas das pessoas presentes na José Bento, uma ruinha pequena do Cambuci, davam a exata medida da importância do atentado que se conseguiu abortar em cima da hora. O deputado estadual reeleito Rui Falcão, coordenador de comunicação da campanha de Dilma Roussef, ficou por lá até o amanhecer. Saiu exausto, a 13 horas do debate da Rede TV. Também estiveram na porta da gráfica outros parlamentares do PT: o deputado federal reeleito Paulo Teixeira e os estaduais Antônio Mentor e Adriano Diogo. Diogo, aliás, foi um dos primeiros a chegar ontem e hoje ao meio dia, quando voltei à cena do crime, já estava por lá de novo, com uma cara ainda mais cansada do que Rui saiu de la pela manhã. Mas disposto a ficar até que o último folheto fosse apreendido.

 

Porta da gráfica um pouco antes do final da operação, por volta de 12h de hoje

 

A mobilização se justifica. Não se sabe exatamente quantos panfletos ilegais foram impressos. As informações falam entre um e dois milhões. A encomenda original seria de 20 milhões. Esses mesmos folhetos, que fazemos questão de não reproduzir, foram distribuídos Brasil afora no último dia 12 de outubro. Enfim, mais um ato do teatro do absurdo que se tornou essa relação promíscua entre religião e política nessa eleição. Muita gente já disse que regredimos décadas no debate eleitoral. O certo talvez seja séculos. A tão falada separação entre Igreja e Estado era pregada pelo filósofo inglês Thomas Hobbes no século XVI, mas foi revogada por um dos lados dessa campanha.

Admito que me incomoda ver Dilma Roussef sendo obrigada a beijar a mão de um bando de líderes católicos e evangélicos, em sua maioria mais preocupados em manter dogmas inúteis que só servem ao atraso e à infelicidade das pessoas do que, de fato, em melhorar a vida dos mais pobres – isso sim um princípio verdadeiramente cristão. Mas o que me incomoda mesmo é a hipocrisia e o extremo conservadorismo do candidato José Serra. Não consigo engolir um candidato que posa de bastião da família e da moralidade e lê a Bíblia no horário eleitoral mas fala para o seu vice que “ter amantes tudo bem, mas tem que ser discreto” e cuja mulher, segundo a Folha de S. Paulo, abortou um filho seu (e não vejo mal nenhum nisso, e sim na contradição); um candidato que beija terço para os fotógrafos diariamente e se diz top-cristão mas tritura adversários e dissemina o ódio pelo país, a ponto de não ser apoiado por boa parte de seu próprio partido –Arthur Virgílio, Albano Franco e Aécio Neves que o digam.

Voto Dilma? Claro. Prefiro mil vezes estar do lado da turma que ficou tomando uma cervejinha, dando risada e debatendo política na madrugada de ontem na porta da gráfica para evitar um golpe igrejeiro na continuidade do governo Lula do que estar do lado de quem mandou imprimir aquela sandice.

 

Moreno desconfiado sobre a autoria dos panfletos

 

Em tempo 1: os deputados não estavam tomando cervejinha. Eu e outros, sim.

Em tempo 2: os panfletos foram finalmente apreendidos só no começo da tarde de hoje

Em tempo 3: fora eu, só um outro jornalista da Carta Capital esteve por lá a madrugada toda.

Em tempo 4: os panfletos são assinados por 3 bispos católicos. Mas eles juram por Deus que não têm nada com isso. Enfim, esse caminhão de panfletos (na verdade foram preciso dois caminhões pra levar tudo) continua sem pai nem mãe.
ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE: Hoje a Folha noticia que a gráfica é de uma filiada ao PSDB, irmã de um dos coordenadores de campanha de Serra. Meu cachorro Moreno, que estava desconfiado sobre a autoria dos panfletos, teve suas suspeitas confirmadas. Cabe a pergunta: Quem é Sérgio Kobaiyashi.

 

Lula mandando seu recado: mais quatro anos de avanços econômicos e sociais com Dilma e aliados!

 

Mais uma vez o Demétrio faz com que este blog se torne melhor. Agora explica e desfaz algumas bobagens difundidas sobre o pré-sal. Assim que descobriram os recursos na profundidade, começaram a falar sobre a sorte do presidente Lula, como se as riquezas houvessem sido descobertas espontaneamente. O Demétrio desfez a bobagem nos debates acadêmicos, políticos e nas mesas de botequim. Disse que sem um ativismo científico do estado, típico do governo Lula, a fonte nunca teria sido descoberta. Desde então, a cada notícia publicada, checo com o representante do Guaciara em Massachussets. O texto, os links, as imagens e as legendas são do Demétrio. O cabra já virou blogueiro. RA!

  • O pré-sal, para todos os efeitos, ainda não existe. Ele precisará ser “criado” por meio de tecnologias e processos capazes de recuperar quantidades assombrosas de petróleo e gás nas condições mais adversas de exploração já enfrentadas desde as gigantescas descobertas no Mar do Norte na década de 1960.



  • A riqueza do pré-sal, essa então não apenas ainda não existe como pode nunca realizar todo o seu potencial. Maior ainda do que os desafios de desenvolver as tecnologias e processos de exploração e recuperação do petróleo e gás do pré-sal são os desafios políticos, econômicos e sociais de transformar essa riqueza potencial em motor do desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista.
  • O primeiro desafio, o desenvolvimento tecnológico e científico aplicado à exploração, beneficiamento e comercialização das riquezas do pré-sal, a Petrobrás já demonstrou que podemos vencer, como, aliás, vencemos, sob condições relativamente parecidas de dificuldades tecnológicas e produtivas, quando das descobertas das reservas nos campos de Albacora e Marlim na Bacia de Santos, na década de 1980. Enfrentar e vencer esses desafios colocou a Petrobrás na condição de líder mundial em exploração petrolífera em águas profundas.

  • O segundo desafio, transformar a riqueza do pré-sal em desenvolvimento nacional econômico e justo, distributivo e progressista é muito mais difícil.  As dificuldades podem assumir duas ordens: a maldição dos recursos naturais e a doença holandesa. A maldição da abundância de recursos naturais refere-se à correlação negativa entre crescimento econômico e abundância de recursos naturais: quanto mais abundantes os recursos naturais, menor o crescimento econômico. A doença holandesa é mais específica, pois identifica um tipo de recurso natural (petróleo e gás) e o mecanismo causal que gera um crescimento econômico mais modesto e de menor qualidade, além de tratar de um caso histórico específico, os efeitos deletérios das descobertas de reservas petrolíferas no Mar do Norte sobre a economia holandesa. O argumento é o seguinte: a maior rentabilidade do setor de exploração do petróleo e gás, combinada aos efeitos da apreciação cambial causada pelo enxurrada de divisas externas que afluirão ao país, resultará em um movimento de fatores (capital e trabalho) dos setores manufatureiros para o setor de exploração dos recursos naturais e de serviços, diminuindo a competitividade do setor industrial exportador, deixando  no lugar uma economia especializada na extração e comercialização de recursos naturais que cedo ou tarde se esgotarão.
  • A descoberta de petróleo e gás no Mar do Norte na década de 1960 oferece um raríssimo exemplo de quase-experimento nas ciências sociais: duas economias bastante parecidas – a holandesa e a norueguesa; o mesmo evento exógeno – descobertas de petróleo e gás no Mar do Norte – na mesma época – década de 1960; mas resultados muito diferentes a médio e longo prazo, com a Noruega desenvolvendo uma das sociedades mais justas e desenvolvidas do mundo , superando suas irmãs escandinavas Suécia e Dinamarca, e a Holanda emprestando seu nome a uma “doença”, feito, convenhamos, de pouco ou nenhum mérito. A figura abaixo mostra a Noruega tirando a distância dos outros dois países escandinavos, Suécia e Dinamarca, em termos de PIB per capita (Produto Interno Bruto=Gross Domestic Product), de um ridículo terceiro e último lugar até a década de 1960 até a inquestionável dianteira:

  • Como explicar resultados tão diferentes? A Noruega, ao contrário da Holanda, adotou uma abordagem que tratava a enorme riqueza a que a sociedade norueguesa teria acesso nas décadas seguintes como uma oportunidade cheia de perigos e desafios. Trataram logo de garantir que  80% da riqueza gerada pelo petróleo e gás da plataforma continental norueguesa seria propriedade da nação; ampliaram e desenvolveram a companhia estatal norueguesa de petróleo (StatOil), dando a ela primazia na exploração e desenvolvimento do setor de petróleo e gás na Noruega; deram às companhias internacionais papel secundário e auxuliar no setor petrolífero norueguês, valendo-se das parcerias para garantir transferência de conhecimento das multinacionais para as empresas norueguesas – em um processo conhecido como capacidade adaptativa, em que um país consegue se apropriar de conhecimentos de fontes externas e aplicá-los para o desenvolvimento do país; desenvolveram o setor de subsea norueguês, dedicado a tudo que diz respeito à exploração subaquática, de risers – basicamente, tubos e conexões que, como sabemos, podem ser um baita mico nas mãos erradas – até robótica e computação aplicadas à exploração de petróleo e gás – hoje em dia a norueguesa Aker Kværner é uma das maiores e mais importantes companhias do setor de subsea do mundo, setor altamente intensivo em capital e tecnologia e presente no mundo inteiro, isto é, em todo lugar onde existam desafios tecnológicos para a extração do petróleo, logo, em que os custos envolvidos, portanto os lucros potenciais, são grandes; e a criação de um fundo soberano para reter e aplicar os dividendos do setor de petróleo e gás, evitando com isso a sobrevalorização cambial e as consequências da doença holandesa e a maldição que recai sobre quase todos os países ricos em recursos naturais mas pobres em futuro.
  • O pré-sal como fronteira tecnológica da exploração do petróleo é brasileiro, é nosso, foi feito por pessoas como você e eu que têm se dedicado a fazer do nosso país um lugar melhor para todos nós. O pré-sal como fenômeno geológico é muito provavelmente mundial, isto é, as condições geológicas de presença de petróleo nas camadas de pré-sal mundo afora são muito favoráveis e existem seguramente na costa ocidental da África (países como Nigéria e Angola já exploram petróleo e gás em suas plataformas marítimas) e possivelmente no Japão, no Golfo do México e no Mar Cáspio. O país que dominar as tecnologias de exploração dessa fronteira tecnológica terá uma vantagem competitiva de pelo menos duas décadas (o tempo que levou para o Brasil desenvolver a tecnologia capaz de extrair petróleo e gás do pré-sal) em relação aos demais – e no momento esse país é o Brasil.
  • Os desafios políticos, econômicos e sociais exigem muita atenção e sentido de futuro e de nação. Como mostram as histórias de inúmeros países ricos em recursos naturais – aqueles afetados pela maldição da abundância de recursos naturais – só isso não basta, é necessário saber o que fazer com tanta riqueza.
  • O Brasil precisa evitar a todo custo a tentação de gastar as riquezas do pré-sal em atividades e ações imediatas e com alto retorno político imediato mas baixo retorno no médio e longo prazo. Para isso, é preciso que o Brasil direcione a riqueza gerada pelo pré-sal para:
  1. Investir em educação em todos os níveis, de modo a qualificar a mão de obra não apenas do setor de petróleo mas de todos os outros setores da economia brasileira, mas sobretudo como forma de ampliar as condições mínimas de uma cidadania plena;
  2. Investir em inovação em todos os setores da economia brasileira, de modo a desenvolver no Brasil um tecido produtivo intensivo em conhecimento e competitivo internacionalmente;
  3. Garantir em alto grau o retorno das riquezas do pré-sal à sociedade brasileira, tanto no investimento dos recursos em políticas públicas de educação, inovação, ciência e tecnologia como na constituição de empresas brasileiras capazes de competir internacionalmente e gerar para o país empregos e dividendos que possam ser, via tributação, redistribuídos, reduzindo as tremendas desigualdades e injutiças que ainda existem no Brasil.
  • Mas pré-sal não é apenas e nem mesmo principalmente extrair petróleo e gás do fundo do mar de modo responsável e fazer com que isso se se reverta em um desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista. Como a experiência da Noruega nos mostra, para extrairmos todos os benefícios do pré-sal e evitarmos as armadilhas e roubadas que podem vir junto, uma geração inteira terá que se empenhar no esforço coletivo para aplicar da melhor maneira possível essa enorme riqueza. Nós precisaremos nos dedicar de corpo e alma à tarefa de compreender quais os impactos dessas descobertas sobre a fauna e flora marinhas, a chamada Amazônia Azul; as profundas alterações sociais e urbanísticas que afetarão os municípios e estados mais beneficiados com os royalties do pré-sal; os movimentos demográficos, a reconfiguração do mercado de trabalho e seus impactos sobre os ambientes urbanos que tenderão a crescer naquelas áreas; os desafios ambientais envolvidos na utilização intensiva de recuros energéticos de fontes fósseis; o que fazer para não perdermos a liderança no desenvolvimento e produção de biocombustíveis; e quais as políticas sociais mais adequadas para redistribuir toda essa riqueza sem com isso colocar em risco nosso futuro, uma vez que cedo ou tarde toda essa riqueza irá acabar e teremos que ter algo para colocar no lugar. Nossa geração e a de nossos filhos serão beneficiárias dessas riquezas, mas precisamos fazer com que nossos netos e bisnetos, assim como todos os brasileiros que vieram antes nós e sofreram a tragédia de um país injusto, racista e desigual, sejam contemplados com um país melhor.
  • É preciso lembrar, por último, que as forças reacionárias da sociedade brasileira encarnadas na candidatura de José Serra e sua aliança neo-udenista com a escória mais baixa da ditadura, o PFL, prometem fazer, no que toca ao pré-sal, mas não apenas a isso, o contrário de tudo que a experiência histórica de países que se desenvolveram com qualidade recomenda.  O mesmo partido que buscou sem sucesso privatizar a Petrobrás ameaça, segundo declarações de David Zilberstajn, assessor para assuntos energéticos de Serra: acabar com a necessidade de participação da Petrobrás na operação das áreas licitadas de modo a abrir caminho para as multinacionais do petróleo e gás, entregando de mão beijada a riqueza nacional para o capital estrangeiro à moda do que se fazia à época da colônia, e depois no império e por boa parte da história da república. Nós, nossos filhos e nossos netos pagaremos caro por isso se não agirmos a tempo e decididamente. E o momento é já!
  • Este filminho é aquele que nos enche de orgulho e nos informa mais sobre o pré-sal:

Não sou de copiar publicações alheias, mas o momento torna isso necessário, mais do que eu pensava. Nas conversas de corredor, percebo o papel que o Spam teve no primeiro turno. O que escuto de menino repetir  essas bobagens não esta no gibi. Esses e-mails apócrifos mudaram o voto de muita gente. Por isso, copio a postagem do Seja dita a verdade e colo aqui. Com isso, não quero definir a posição do eleitor, mas torcer que ela seja feita a partir das propostas de campanha e dos projetos de cada um dos candidatos, não da violência e da mentira. A campanha aqui não é contra um candidato ou outro, não é campanha de pavor, é campanha de amor, de acreditar em uma candidata. Ao contrário dos antipetistas, aqui não fazemos campanha contra um candidato, mas a favor de uma candidata.

Compilação dos emails falsos que circulam nesta campanha sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete ao leitor ao texto em questão. Espalhem:

A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p

PS: Fiquei feliz com o papel central que o Ciro terá na campanha. Espero que ele se repita em um eventual governo da Dilma

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