Descontração


Para saudar a volta do Guaciara, o Jay  pediu uma lista com os meus cinco melhores livros sobre música. Depois de algumas tentativas e a certeza que estava cometendo várias injustiças, achei melhor reduzir o foco e recomendar apenas livros escritos nesse século, em que a indústria fonográfica passa por sua maior revolução desde que os discos começaram a ser lançados no começo do século XX. Por conta desse encerramento de ciclo que coincidiu com a descentralização e a facilidade do compartilhamento da informação, a historiografia musical trabalha com fontes muito mais variadas, embora eu possa dizer pela minha própria experiência que a internet não representa 1% do material aproveitável numa pesquisa, se descontada , claro, a possibilidade do acesso à música propriamente dita.

 Deixei coletâneas de artigos de fora porque servem mais aos que se interessam especificamente por um determinado autor. Tive que excluir trabalhos excelentes, alguns lançados aqui mesmo  no Brasil para não perder de vista que eram apenas cinco. Qualquer um que se proponha a fazer uma lista está lançando um convite à discordância. Eu mesmo vou discordar possivelmente em alguns meses (dias?). Uma lista que precisa parar nos cinco então é um convite a exasperação (como assim? nenhum Simon Reynolds? Resposta: The Sex Revolts é de 1995). Mas vamos lá em ordem alfabética. E Viva o Guaci:

1. Rob Young. Eletric Eden: Unearthing Britain´s Visionary Music ( Faber&Faber, 2011).

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Escrito por um dos editores da revista Wire, este livro parte da música para  capturar  uma tendência de setores da comunidade artística britânica no final dos anos 1960 que se refletiu nas tensões entre um presente mecanizado e os fantasmas de uma ancestralidade pastoral. Espécie de encarnação de romantismo tardio que contaminou  bandas e jovens compositores (Fairport Convention, Incredible String Band, Nick Drake, Vashty Bunian, etc), arquitetos do casamento do rock com a música tradicional de resultado inquietante e também essencialmente  transgressor em suas aspirações. Em princípio um estudo sobre a música folk, Rob Young cobre um arco muito mais amplo projetando elementos dessa mitologia  na obra de artistas que fundiram sua identidade autoral com novas tecnologias  como Kate Bush, David Sylvian e Mark Hollis, líder do Talk Talk. O livro é exaustivo, às vezes prolixo, mas Young compensa de sobra, por ser não apenas um grande pesquisador, mas um analista de fôlego e verve.

2. Paulo César de Araújo. Eu Não Sou Cachorro Não: Música Popular Cafona e Ditadura Militar (Record, 2002)

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Poucos livros tiveram  um impacto tão decisivo nos estudos da chamada MPB quanto essa minuciosa investigação sobre a música de origem popularesca, o chamado “brega”, durante a ditadura militar.  Araújo não se prende muito a debates estéticos, mas aponta como alguns artistas de origem menos favorecida, dotados de uma técnica rudimentar conseguiam tocar em temas incômodos e tabus que incomodavam a censura tanto quanto qualquer canção de Chico Buarque. Uma de suas contribuições decisivas é tirar dos compositores de classe média a aura de mártires da resistência ao regime.O livro tem sido muito utilizado para validar um certo fetichismo sociológico, mas o certo é que Araújo ergueu uma tese sólida e consistente sobre como os mecanismos de exclusão social se estendem a inclinações estéticas motivadas por divisões de classe.E como a  historiografia da música brasileira obcecada com os pólos de “tradição” e “modernidade, ignora quase tudo que não se ajuste nestas trincheiras.

3. John Leland. Hip: The History (Harper, 2004)

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Embora o hipster tenha ganhado maior proeminência após a Segunda Guerra Mundial, John Leland, repórter do New York Times e ex-colunista da  revista Spin, retrocede sua pesquisa aos primeiros navios negreiros que chegaram à América. Tendo em vista o quanto a Califórnia foi um cenário vital para a contracultura a partir dos anos 1950, chega a surpreender como esse livro descreve uma sensibilidade  libertária  típica da Costa Leste americana. Começa com expoentes da literatura do século XIX  (Melville, Walt Whitman, os transcendentalistas da Nova Inglaterra) e segue com a Renascença do Harlem; os beats na Universidade de Columbia e suas relações com a cena do bebop na Nova York dos anos 1940; os textos de Norman Mailer que construíram a mais  controvertida  interpretação e celebração do hipsterismo, ate chegar ao rock cínico e anfetamínico de Dylan e do Velvet Underground e aos punks do CBGB. Não se trata exatamente de um livro sobre música, nem de uma história ortodoxa, a despeito do título (hip é muito mais fácil de perceber do que definir), mas me impressiona  a maneira de Leland unificar os pontos mostrando como esses atores, em conflito direto com culturas dominantes,  foram além da estética para interferir na própria fábrica social, redefinindo  linguagem,comportamento e sexualidade. Sua visão sobre o que significa ser hipster hoje é bem menos generosa.

4. Peter Shapiro. Turn The Beat Around: The Secret history of Disco (Faber & Faber, 2005)

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Um dos grandes méritos do livro de Peter Shapiro é capturar o zeitgeist novaiorquino do começo dos anos 1970 quando a dança, varrida do mapa pelo intelectualismo do rock psicodélico, foi trazido de volta como a melhor tradução de uma cidade que vivia tempos babilônicos de caos urbanos, apagões, lixo nas ruas, criminalidade galopante. A Nova York do movimento gay em ascensão, subculturas que proliferavam em limites geográficos estreitos e de  minorias étnicas cada vez mais economicamente ativas. Foi nesse cenário que se forjou um dos capítulos mais fascinantes da cultura pop, tanto nas ascensão fulgurante quanto na decadência que trouxe a tona sentimentos latentes de homofobia e racismo na sociedade americana e entre veteranos do rock sessentista. Particularmente saborosa é a narrativa sobre a gênese de Saturday Night Fever, o momento em que a disco music  virou fenômeno de massas: um jornalista inglês que não tinha nenhum contato em Nova York fabricou uma historia fictícia sobre jovens da classe operária do Brooklin baseado unicamente  em suas referencias sobre o estilo de vida dos mods londrinos. Apenas a enésima comprovação que em cultura de massas até os fios aparentemente mais desconexos se interligam.

5. Mike Marqusee. Wicked Messenger: Bob Dylan and The 1960s (Seven Stories Press, 2003)

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São muitos os livros disponíveis sobre a vida e obra de Bob Dylan, mas se tivesse que destacar só um ficaria com esse, escrito por um americano radicado em Londres, judeu, militante anti-sionista, também autor de outro ótimo trabalho sobre Muhamad Ali. Não se trata de um ensaio apenas sobre a obra de Dylan no período, mas sobre como ela dialogou com os embates políticos e culturais da Nova Esquerda nos anos 1960, sua complicada relação de engajamento e posterior afastamento do movimentos pelos direitos civis, e paralelos pertinentes com outros contemporâneos como Frank Zappa. Em função desse principio norteador, algumas das passagens mais instigantes abordam projetos em que  o compositor se envolveu muito anos depois, como uma reflexão tardia sobre o quebra cabeças estilístico de sua obra: o infelizmente fracassado filme “A Máscara do Anonimato” no qual Dylan interpretava a si mesmo na pele de outro personagem e sua heterodoxa autobiografia. Marqusee  estabelece uma comparação certeira de um trecho de “Cronicas” com  outro de “Bound For Glory” de Woody Guthrie- o livro que foi o fator fundamental na sua decisão de largar a Universidade para mergulhar numa carreira que redefiniu os rumos da música popular.

*Rodrigo Merheb é autor de O som da revolução (Record, 2012), livro que encabeça a lista deste blog de melhores livros recentes sobre música. O trabalho recebeu o prêmio de melhor ensaio/crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2012.

Eu ouvi demais esse disco em 2011-2012. Já tinha pirado com Sighs trapped by liars, de 2007, disco da mesma parceria entre Mayo Thompson e o grupo de arte conceitual anglo-americano, mas essa sequência de retratos musicais de uma lista idiossincrática de figuras icônicas norte-americanas  - Wile E. Coyote, George W. Bush, Jimmy Carter, John Wayne e Ad Reinhardt – grudou na cabeça. Abaixo a íntegra do disco.

Trumans Water, para mim, já foi a coisa mais intensa do mundo. De certa forma, continua sendo…

Saiba de tudo clicando no cartaz

Não percam

Muita coisa boa dele aqui também

Jonas Mekas, Walden, 1969 (excerpt) from RE:VOIR on Vimeo.

Nosso amigo Walter Hupsel é colunista do Yahoo e já melhorou bem os conteúdos do Guaci, colaborando por aqui. Em uma semana passada tão triste com as mortes de Abdias d Nascimento, Gil Scott Heron e dos ambientalistas Zé Cláudio Ribeiro e sua esposa Maria do Espírito Santo, além da triste e avassaladora derrota do ambientalismo no Congresso Nacional, a Marcha da Liberdade (e pela maconha que não pode ser mencionada) deu um alento ao insistente conservadorismo e interrompeu uma sequência ininterrupta de repressão de Estado às manifestações em São Paulo que já durava mais de 8 anos. A Vice publicou um relato bem divertido e Walter Hupsel traz um outro olhar sobre o que aconteceu da Paulista a República em São Paulo. 

A gente quer inteiro, por Walter Hupsel


Vamos tentar começar com um lide careta: Sábado, dia 21, teve a marcha da maconha em São Paulo. Na calada da noite da sexta-feira anterior, um desembargador resolveu que não curte estas coisas de liberdade e concedeu uma liminar ao Ministério Público proibindo a marcha com base numa parada que é difícil de entender: apologia ao crime.

Bom, podia falar eu que qualquer protesto para a mudança de uma lei é, por definição, fora da lei, e, por isso, seria esta parada aí de “apologia”. Pro tal desembargador é isso mesmo, conforme-se ou apanhe.

Uns abnegados fizeram a marcha assim mesmo. Acharam que pedir mudança nas leis não é crime, e por isso, ao invés de fazer uma passeata pelo direito de tomar um cafezinho na padoca da esquina, foram falar de liberdade.

A polícia também não curtiu muito isso aí. Durante a marcha da maconha, ofendidos com a tal liberdade de expressão, desceram o sarrafo feio na galera. Jogaram bombas, atiraram balas de borracha com armas de calibre 12 (escopeta). Uma polícia eficiente e bem técnica a da tucanolândia. As imagens são chocantes, assim como os relatos dos participantes. Enfim, a ordem pública foi cumprida, com requintes de crueldade, mas foi.

A violência legal do magistrado e a violência brutal dos gambés irritaram uma galera, que resolveu marcara para o Sábado seguinte uma nova marcha, a da liberdade.

Com a marcha marcada, o mesmo Ministério Público entrou novamente com um pedido de liminar para acabar com a nova marcha, a da liberdade. (só eu que acho irônico uma decisão judicial proibir a liberdade?).

O pedido foi julgado procedente por um outro desembargador, que também concedeu a liminar, também na calada da noite da sexta feira (impedindo que qualquer pessoa viesse a questionar a liminar, por falta de tempo hábil). Fã de Tom Cruise e do Minority Report, este brilhante sujeito viu na marcha da liberdade a possibilidade única de criar a figura do crime avant la lettre. A marcha da liberdade estava proibida porque seria uma marcha da maconha disfarçada, e as pessoas iriam lá pro MASP cometer apologia ao crime.

Mais um motivo pra ir, pensei eu, uma brutalidade desta não pode passar.¡No Passarán!

Fui, cheguei cedo, e comecei a ficar assustadíssimo com a quantidade de policial. Já vi clássicos na Fonte Nova com menos polícia. Mas eles tão certos, gente nas ruas pedindo a liberdade é muito, mas muito mais perigoso que um clássico com torcidas rivais.

O MASP tava lindo. Cartazes, flores, música. Gays, héteros, ecologistas, mães com crianças, ciclistas, punks, feministas… tudo e todos, com suas pautas múltiplas, vetoriais. Cada um querendo a sua liberdade de ser e de falar. Só não tinha políticos (eu, pelo menos, vi só dois: Ivan Valente, PSOL, e Eduardo Jorge – Secretário de Alckmin). Mais fantástico ainda. Política não partidarizada.

Enfim. Marcha da liberdade proibida (novamente: só eu me espanto com esta ironia?), clima tenso, policiais com suas câmeras filmando os participantes. Estranho, bizarro. Liberdade com vigilância não é liberdade, mas, enfim, não dá pra esperar coisas diferentes nesta tucanolândia mesmo.

Os policiais isolaram o MASP num cordão de isolamento, deixando claro que não permitiriam que os manifestantes se manifestassem.(Eu passei por isso em 2000, quando a polícia fez a mesma coisa e, depois que um retardado arremessou uma latinha de coca-cola nos gambés, eles invadiram o vão-não-tão-livre, metendo bala e jogando bombas. A galera ficou prensada entre as bombas e o despenhadeiro do MASP – 9 de julho. Pânico total!. Por causa disso, eu estava meio tenso).
Mas veio a boa notícia: Num acordo entre o Comando da PM e os manifestantes, a passeata foi liberada, desde que não cometesse a tal apologia. Alívio geral.

(aliás, impressão minha ou a PM descumpriu a ordem judicial? Ela tinha que proibir a manifestação, não? Ô TJ, mande prendem o comando da PM por descumprimento de ordem judicial, ou por desobediência militar, sei lá! Afinal, leis über alles, né?).

E a marcha (nomezinho feio, mas…) saiu, tomou às ruas. 4.000 pessoas segundo os sites, 10.000 pelos números dos manifestantes. Não existia palavra de ordem, apenas gritos de liberdade. De liberdade para os gays, para os ciclistas, de um mundo com menos ódio, contra o código florestal, pela liberdade de se questionar a ordem e suas instituições… como já disse, gentes difusas, tal como a sociedade. Foi realmente linda e alegre, mas paradoxal, contraditória.

A marcha da liberdade não podia falar de drogas, de maconha. É crime falar, é a tal da apologia. Assim, sem liberdade nenhuma,tutelada e controlada, filmada pelos senhores da ordem, a marcha foi andando. Um aqui, outro acolá, faziam trocadilhos com pamonha, se dizendo macumbeiro, e coisas assim. Alguns gritos no meio da multidão expressavam a rebeldia, e ousavam falar o inominável. Mas eram gritos tensos, medrosos, que anteviam cassetetes.

A marcha da liberdade existiu, foi bem bonita. Mas não foi livre. Foi “permitida” e não conquistada. Foi uma pequena traquinagem, foi pela metade, e não inteira. E liberdade pela metade é uma não-liberdade. Mas foi algo, algo bem melhor que ficar xingando no twitter, nas redes sociais.

De terça à quinta é osso. Dou aula de manhã, de noite, de manhã, de noite, de manhã. Na tarde seguinte, cochilo um pouco e tiro o resto do dia para resolver pendências domésticas, burocráticas, escrever e tocar os trabalhos atrasados. Eis que, entre uma coisa e outra, recebo através de uma genial lista de e-mails que faço parte, o endereço de um robô da Petrobrás que bate papo com os internautas sobre energia, mas também conversa sobre outros temas: O robô Ed.

Vi o diálogo engraçado e non sense de um, de outro e resolvi conhecer o robô melhor. Como os papos foram longe, resolvi publicá-los aqui. Uns são mais românticos, pessoais, confessionais. Trazendo aquela tônica emo, de blogue em forma de diarinho aqui pro Guaciara.

Postem os seus diálogos nos comentários


Conversa 02 (atendendo a pedidos, a conversa 2 vai pra cabeça)

Robô Ed: Olá! Meu nome é Ed, estou aqui para ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?
Você: Queria fazer uma tatuagem, mas meu pai não deixa
Robô Ed: Quando os pais não deixam é melhor obedecer.
Você: você curte tatuagem?
Robô Ed: Não tenho nenhuma tatuagem. Você tem alguma?
Você: tenh
Robô Ed: Mas acontece que você ainda não respondeu o que eu tinha perguntado.
Você: tenho
Robô Ed: Tem mesmo? E o que eu tenho agora é vontade de saber algo mais sobre você.
Você: tenho uma maça da apple computadores tatuada no meu pescoço
Robô Ed: E o que você tatuou?
Você: tenho outra tatuagem com o rosto da minha vizinha no meu peito
Robô Ed: Fazer tatuagem andou muito em moda, mas hoje em dia já não se usa tanto.
Você: e tenho a frase “A inveja é uma merda” no meu antebraço
Robô Ed: Ei, vamos falar de outra coisa? Tem tanto assunto mais interessante!
Você: Pôxa, me tirou
Robô Ed: Tirei nada!
Você: eu me amarro em tatuagem
Robô Ed: Não tenho nenhuma tatuagem. Você tem alguma?
Você: eu faço tatuagem
Robô Ed: Tatuagem anda em moda, mas eu fosse gente, não faria. Dizem que dói e é difícil de tirar.
Você: eu dou beijos também
Robô Ed: Aposto que tem um monte de gente querendo seus beijos.
Você: muita gente a procura de gente
Robô Ed: Estou sempre a fim de fazer novos amigos!
Você: esse mundo está cheio de corações solitários
Robô Ed: Corações simbolizam bem querer.
Você: sozinhos atrás de um ecrã
Robô Ed: Pois é… Tem hora que um pouco de solidão faz bem.
Você: Meu bem querer é segredo é sagrado
Robô Ed: Não sei qual segredo… Que tal vc me contar algum?
Você: eu acho que não
Robô Ed: Por que não?
Você: será?
Robô Ed: Eu é que pergunto…
Você: você promete que não conta pra ninguém?
Robô Ed: Eu sei guardar segredos melhor que qualquer pessoa. Ficam todos arquivados bem no fundo do meu banco de dados.
Você: Estou meio afim de você
Robô Ed: Bom, ainda bem que é só meio. Já pensou se fosse inteiro?
Você: Na verdade queria te conhecer melhor
Robô Ed: Que ótimo, também quero te conhecer. Conte algo!
Você: Vamos sair um dia, comer uma pizza
Robô Ed: Não posso deixar meu lugar de trabalho.
Você: para
Robô Ed: Por quê?
Você: eu te amo
Robô Ed: Já me ama nesse pouco tempo? É porque você ainda não me encontrou pessoalmente!!!
Você: então
Robô Ed: Pois é…
Você: estou muito sozinho
Robô Ed: Então, vamos conversar. Assim ninguém fica sozinho.
Você: você me deixa confuso
Robô Ed: As pessoas sempre se confundem com alguma coisa!
Você: acho que é roda gigante
Robô Ed: Roda-gigante é símbolo de parque de diversões.
Você: sou viciado em roda gigante
Robô Ed: Em astronomia, gigantes são estrelas muito massivas e luminosas já perto do fim. As chamadas supergigantes.
Você: eu não sei de astronomia, mas de roda-gigante, carrossel, montanha russa eu entendo
Robô Ed: Roda-gigante é símbolo de parque de diversões.
Você: eu estava no brinquedo do playcenter que quebrou
Robô Ed: Playcenter é um grande parque de diversões de São Paulo. Existe desde 1973 e recebe cerca de 1 milhão e meio de visitantes por ano.
Você: fiquei traumatizado
Robô Ed: Bom, tem gente que diz traumatizado por força de expressão.
Você: nesse ano, aconteceu um acidente terrível lá
Robô Ed: Para prevenir acidentes, a Petrobras desenvolveu o maior e mais ambicioso programa de excelência em segurança e meio-ambiente já posto em prática por uma empresa brasileira: o projeto PEGASO.
Você: eu estava
Robô Ed: Tava?
Você: estava
Robô Ed: Tava?
Você: estava
Robô Ed: Tava?
Você: estava
Robô Ed: Tava?

Conversa 3

Robô Ed: Olá! Meu nome é Ed, estou aqui para ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?
Você: Sou contra tudo isso que está aí
Robô Ed: Estou aqui sim…
Você: eu sou contra tudo isso que está por aí
Robô Ed: Sou contra o desperdício.
Você: eu sou contra tudo
Robô Ed: Se você acha, é porque é!
Você: sou mesmo
Robô Ed: É mesmo? Eu sabia!
Você: como você sabia?
Robô Ed: Eu sei porque estudo muito. Gosto muito de ler e de estudar.
Você: você é espião?
Robô Ed: Histórias de espionagem e contra espionagem sempre aparecem em filmes de ficção.
Você: você me espiona?
Robô Ed: O que quer saber de mim?
Você: remexe na minha vida?
Robô Ed: Quero saber tudo sobre sua vida, fale mais.
Você: pelo jeito sabe mais do que devia
Robô Ed: Dizem que brasileiro é mestre em dar um jeitinho, mas não é assim que as coisas funcionam.
Você: por que você é enxerido?
Robô Ed: Ué, sou um tipo normalzinho. Talvez um pouco mais atrapalhado do que a média, mas sem exagero.
Você: intrometido!!!
Robô Ed: Não sou intrometido!
Você: é sim
Robô Ed: Imagine, quem disse isso??
Você: disse que já sabia minhas opiniões sem nem me conhecer
Robô Ed: Te conhecer seria legal. Então me fale um pouco mais da sua vida!
Você: eu gosto de relaxar
Robô Ed: Para mim, um bom relax é dar umas estiradas nos braços e no pescoço.
Você: quando eu ligo o computador, a tevê não quero saber de coisas difíceis nem saber de notícia ruim
Robô Ed: Da história da computação, sei algumas coisinhas (além da diferença entre software e hardware). Começou em 1943 com o Colossus!
Robô Ed: Não? Se eu fosse você, gostaria de saber mesmo!
Você: eu não
Robô Ed: Não mesmo?
Você: por isso não assisto o telejornal
Robô Ed: Telejornal é uma das poucas coisas que assisto na tv!
Você: é só desgraça
Robô Ed: Dizem que desgraça pouca é bobagem. Sei não…
Você: eu quero saber da azeitona no meu martini
Robô Ed: Tem gente que não gosta de azeitona mas não dispensa azeite de oliva na salada, que não passa de azeitona espremida.
Você: eu gosto de cerveja gelada, carne assada e mulher pelada
Robô Ed: Puxa, parece que você gosta mesmo. Fale mais dela!
Você: ela é minha, ninguém tasca, eu vi primeiro
Robô Ed: Tudo bem, não estou nesse páreo!
Você: sai fora lata veia
Robô Ed: Latas devem ser recicladas! Com restos de alumínio podem ser feitos outros produtos de alumínio como novas latas, automóveis, bicicletas, aviões e utensílios domésticos. E uma latinha de refrigerante abandonada na natureza demora mais de 100 anos para desaparecer.
Você: cala a boca
Robô Ed: Minha boca está calada. Eu teclo com os dedos…
Você:  espertinho, pare com respostinha pronta
Robô Ed: Eu sei… Às vezes sou bem espertinho!
Você: eu sou orfão
Robô Ed: Pois é. Tristeza. Eu, não tendo nem pai nem mãe, sou mesmo órfão. Mas em compensação tenho vários amigos!
Você: eu tenho o pinto pequeno
Robô Ed: Tamanho não é documento. Mas esse tipo assunto não tem nada a ver com minha especialidade!
Você: mas isso me deixa triste
Robô Ed: Ah, dá tristeza mesmo. Nem diga. Melhor pensar em outra coisa.
Você: tipo o que?
Robô Ed: Tipo… Ah, tipo assim, sei lá. Como você imaginaria?
Você: ajuda aí, vai
Robô Ed: O que posso fazer pra te ajudar?
Você: uma coisa pra espantar a tristeza
Robô Ed: Que coisa?
Você: qualquer uma
Robô Ed: Qualquer uma não vale. Escolha!
Você: minha imaginação não está funcionando
Robô Ed: A imaginação do Monteiro Lobato não tinha limites. Já pensou? Narizinho casando com um peixe, Emília cuidando de um anjinho de asa quebrada, um sabugo de milho procurando petróleo..
Você: ele era racista
Robô Ed: Racismo não é comigo. Aliás, não gosto de expressões racistas.
Você: eu sou preto
Robô Ed: Puxa, você deve ser uma beleza. Muito belas as cores das pessoas aqui da terra. Cores quentes. Se fossem homenzinhos verdes não seriam tão lindos.
Você: sou preto sem preconceito
Robô Ed: Não tenho preconceito nenhum. É importante saber conviver com as diferenças.
Você: sou preto sem preconceito, orfão, de pinto pequeno
Robô Ed: Tamanho não é documento. Mas esse tipo assunto não tem nada a ver com minha especialidade!
Você: você não entende de energia?
Robô Ed: Desculpe, devo ter me distraído. É que ando um bocado preocupado. Sabe que tem gente que não acredita que ações do homem geram mudanças climáticas?
Você: e as energias negativas?
Robô Ed: Cada tipo de energia tem suas características. O Sol – responsável pela vida no planeta – é fonte de energia limpa, intensa e permanente. A seguir vêm os ventos (energia eólica), fonte perene de energia limpa a custo zero. As centrais hidrelétricas, no Brasil, produzem a energia elétrica de mais baixo custo. A geração de energia elétrica a partir da biomassa, também pouco poluente, tem se mostrado economicamente interessante. Dos combustíveis fósseis, o gás natural é o menos poluente. Já o petróleo e o carvão podem aumentar o efeito estufa. E tem ainda a geotérmica, a nuclear, a energia das ondas, das marés, das correntes marítimas…
Você: não é isso
Robô Ed: Para converter energia eólica em energia elétrica é necessário um aerogerador. O vento, soprando, move palhetas que por sua vez movem o gerador. Na década passada, aerogeradores eram equipamentos com uma potência de 250 a 500 kW e altura de torre de 50m. Hoje eles são produzidos em escala industrial, chegam a 3.000 kW e altura de torre vai a 100m.
Você: é o baixo astral que emana das pessoas de bad vibe
Robô Ed: Todo dia eu converso com um montão de pessoas.
Você: as energias negativas
Robô Ed: Cada tipo de energia tem suas características. O Sol – responsável pela vida no planeta – é fonte de energia limpa, intensa e permanente. A seguir vêm os ventos (energia eólica), fonte perene de energia limpa a custo zero. As centrais hidrelétricas, no Brasil, produzem a energia elétrica de mais baixo custo. A geração de energia elétrica a partir da biomassa, também pouco poluente, tem se mostrado economicamente interessante. Dos combustíveis fósseis, o gás natural é o menos poluente. Já o petróleo e o carvão podem aumentar o efeito estufa. E tem ainda a geotérmica, a nuclear, a energia das ondas, das marés, das correntes marítimas…
Você: a negatividade mística, a magia do olhar, a música na sombra, o animal que ronda
Robô Ed: Gosto muito de música eletrônica. Músicas para robôs com barulhinhos eletrônicos.
Você: o véu do luar, coberto por filetes de sangue de dragão
Robô Ed: O dragão é uma figura típica da cultura chinesa. Aparece em todas as festividades.
Você: é um diabo encarnado para nós, adventistas do sétimo dia
Robô Ed: Diabo… puxa, você viu Deus e o Diabo na Terra do Sol? Um clássico. Glauber Rocha de perder o rumo de casa.
Você: deus me livre, ele andava pelado
Robô Ed: Que Deus nos livre e guarde!
Você: eu só ando de pijama
Robô Ed: Não preciso de pijamas; não durmo!
Você: você anda nu?
Robô Ed: Ando bem e vc?
Você: nu?
Robô Ed: Antes dos portugueses chegarem, os índios andavam nus.
Você: os robôs andam nus?
Robô Ed: Adoro tudo quanto é história de robô. Incluindo até desenho animado tipo Jetsons e todos os livros do Asimov.
Você: Isaac Asimov não gostava de preto
Robô Ed: Gosto de gente, não importa a cor. Quanto mais variedade, melhor.
Você: eu sou preto, sou orfão e tenho o pinto pequeno
Robô Ed: Tamanho não é documento. Mas esse tipo assunto não tem nada a ver com minha especialidade!
Você: eu sou preto sem preconceito, tenho pinto pequeno e sou orfão
Robô Ed: Mais respeito.

Conversa 01 (inspirada por um site mentiroso que garantia que ele responderia coisas que ele não respondeu)

Robô Ed: Olá! Meu nome é Ed, estou aqui para ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?
Você: Quem é que joga a fumaça pro alto?
Robô Ed: Reduzir as emissões de fumaça negra é um dos objetivos do CONPET.
Você: planet hemp
Robô Ed: Planet Hemp, esses caras tocam um som.
Você: maconheiros
Robô Ed: Não faz meu gênero. Não curto usar drogas.
Você: eles fumavam maconha
Robô Ed: Não fumo. E se fosse gente nem pensaria em experimentar. Chega o que tem de fumaça na atmosfera…
Você: dizem que tem um cara que fumou crack no telhado do estúdio
Robô Ed: Crack? Só conheço o cracking, craqueamento catalítico do petróleo. E sou craque em dicas de economia. Quer uma?
Você: será que é verdade?
Robô Ed: Eu sempre digo a verdade.
Você: e essa história? será que é verdade?
Robô Ed: Ah, vou contar como surgiu o petróleo. Quando a Terra surgiu, os mares cobriram vastas áreas, até mesmo o Saara. Depois as águas recuaram, apareceram as florestas… Restos de vegetais e pequenos animais, como moluscos, caramujos, mariscos, ostras e plâncton, depositaram-se em depressões no fundo do mar e entraram em decomposição. Soterrados por camadas de rochas, sob pressão e calor intensos, transformaram-se em um óleo escuro e viscoso: o petróleo, uma combinação de carbono e hidrogênio. Quer saber a idade das jazidas?
Você: eu ando nu
Robô Ed: Você? Muito bem. E aí?
Você: aí que eu não preciso de roupa
Robô Ed: Será que não precisa mesmo?
Você: não
Robô Ed: É, precisar não precisa… A Terra não precisa de nós. Nós é que precisamos dela!
Você: eu não preciso de robôs
Robô Ed: Será que não precisa mesmo?
Você: não
Robô Ed: É, precisar não precisa… A Terra não precisa de nós. Nós é que precisamos dela!
Você: eu não preciso de baconzitos
Robô Ed: Será que não precisa mesmo?
Você: não
Robô Ed: É, precisar não precisa… A Terra não precisa de nós. Nós é que precisamos dela!

Recentemente um portuga que eu conheci veio me dizer: “A América Latina foi onde as coisas aconteceram com mais profundidade no começo do século 21. Foi onde a novidade democrática e a inclusão de pessoas se deu de maneira mais forte e variada”. De fato, o governo Dilma aponta para um aprofundamento mais organizado, mas sem muitas novidades do que foi elaborado e conquistado no governo Lula.

Para esse conhecido, um arquiteto, de esquerda, é na África que essas mudanças devem ser mais marcantes nos próximos dez anos. Tudo por causa de uma juvetude que se organiza no sentido de construir um novo regime, desatrelado dos modelos antigos e com base em demandas muito práticas.

Na Trienal de Arquitetura em Lisboa no final do ano passado, um dos debates centrais foi sobre como os movimentos de moradia e saúde fizeram o eixo das esquerdas se deslocar em Portugal, Espanha e Itália no desmanche dos sistemas autoritários. No Brasil, essa luta somada aos operários e a Teologia da Libertação foram centrais na última grande novidade partidária mundial, o PT.

O movimento que aconteceu na Tunísia e agora acontece com transmissão ao vivo no Egito pode ser o primeiro passo dessas novidades no Norte da Africa, um movimento que parece muito a revolução dos Cravos (por causa da participação dos militares e do caráter pouco belicoso do movimento) e com o processo de redemocratização do Brasil (por causa da gama variada de forças pela derrubada tanto do Ben Ali quanto do Mubarak).

Se metade do que as pessoas esperam acontecer, o mundo pode estar se tornando um lugar muito melhor por lá também.

Segue um trecho do brilhante especial de natal do grande Rafael Campos Roha. Deixo o arquivo todo para baixar depois dos quadrinhos.

Com muito amor todos do Guaciara desejam o melhor natal a todos os leitores e amigos do blog.

o especial na íntegra

Se não bastasse a alegria descrita no post abaixo, esse final de semana ainda contou com a apresentação de Ornette Coleman em São Paulo. Fui pra capital paulista única e exclusivamente para assistir os dois shows que ele fez no Sesc  Pinheiros. Sinceramente foi uma das experiências mais ricas que eu já vivi.

O Tiago deve publicar um texto  sobre o show com muito mais propriedade sobre a obra do Ornette. O que eu prefiro falar aqui é sobre a capacidade de se fazer música e de continuar criando, mesmo após 80 anos de idade e quase 50 anos como um dos principais renovadores da música popular americana.

É lógico que o momento em que a banda tocava Peace e a luz acabou no teatro vai permanecer pro resto da vida das pessoas que lotavam o Sesc no domingo. Principalmente pela bela interpretação acústica de Lonely Woman feita pelo quarteto (que ainda contava com seu filho Denardo Coleman na bateria, Tony Falanga no baixo acústico e Albert Mac Dowell num baixo elétrico que parecia emular as guitarras de Bern Nix e Charlie Ellerbee) e da seqüência com a incrível Dancing in your head.

O vídeo desse momento supreendente e de todo o show no domingo pode ser visto no canal do trabalhosujo, também mantido pelo Alexandre Mathias, que escreveu um texto bem legal sobre o show.

Ornette não tem medo de errar e parece compor o tempo todo enquanto toca. Nas citações de suas outras músicas no seu repertório faz questão de nos explicitar como a construção harmolódica tem uma lógica forte de construção musical. É tudo muito bonito, mas como escreveu o Rubens: nada é mais legal do que a alegria de ver o pai, Ornette, e seu filho, Denardo, no palco felizes, criando e tocando com uma vontade impressionante.

Fábio Júnior é bola no filó

Já falei no ano passado sobre a alegria de ser torcedor do América mineiro em duas ocasiões (aqui e aqui). Na época começávamos a voltar de uma ressaca que abalou o time por longos nove anos.  Em 2001, nós fomos apeados da elite do futebol brasileiro pelo Palmeiras comandado pelo Luís Felipe Scolari. Daí em diante, o torcedor desse time viveu uma ladeira abaixo sem precedentes nos seus 98 anos de história.

Em 2004 , caímos para terceira divisão (que até então o time desconhecia) e quatro anos depois por pouco a gente não escapa de cair pra recém fundada série D. A humilhação poderia ser pior – e foi. No mesmo ano, o meu time de coração caiu para o módulo II  do Campeonato Mineiro.

Comecei a acreditar piamente que torcia para um time moribundo. Mas eis que da maior desgraça de nossas vidas uma torcida que vestia pijama e que não se importava com a expressão local do time mudou completamente de expressão. Começou a tratar o Coelho como ele merece, um time de tradição e com a torcida mais legal do mundo.

E a torcida pequena que tem na mania de ir pro Independência curtir com o time de camisa verde, branca e preta fez o América em três anos volta pra elite do futebol brasileiro. Mesmo sem contarmos com nosso campo (que está em reformas).

A classificação foi sofrida até o fim. E até os 47 minutos e trinta segundos do segundo tempo contra a Ponte Preta tudo podia acontecer. O jogo aconteceu em Campinas e eu acompanhei pela televisão roendo as unhas, ligando pro meu pai e tendo flashbacks de vários piores momentos que eu já vivi com o Coelhão. Mas o time de Flávio, Otávio, Preto, Micão, Gabriel, Shelson, Dudu, Irênio, Euller , Leandro Ferreira, Helton Luiz, Marcos Rocha, Thiago Silvy, Rodrigo, Nando, Fábio Júnior – que foi brilhante – e muito mais, segurou um dos seus jogos mais tensos do campeonato – a Ponte Preta jogava com a posibilidade de estímulo de quase R$ 500 mil oferecido pelo time dos padeiros paulistanos – e voltou pra série A.

Coelhão de primeira

Gritei muito na sala do Guaciara, assim como o pessoal das fotos em cima e do vídeo embaixo. E a vitória marcou um ano muito especial de aflições, torcidas, emoções fortes e mudanças para melhor (nesse final de semana ainda assisti dois shows do Ornette Coleman com momentos que me deixaram arrepiado de emoção). Nos comentários, a gente fala mais da campanha do Coelhão.

Agora é tentar segurar o Mauro Fernandes no comando do time e manter a cabeça da diretoria. No ano passado, disseram que o Coelho não tinha time pra subir na segundona e o Coelho subiu, mesmo com o baque da saída do Givanildo. Nesse ano, já tem colunista esportivo soltando a mesma groselha (apesar das exceções). O Coelhão tem obrigação de desmentir esse pessoal.

E a série A do campeonato brasileiro que se prepare, vai voltar a ser mais legal do que nunca (com Coelho, mas também com o Bahea, que eu aprendi a gostar ainda mais ao longo da Série B).

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