Morreu ontem a noite quem talvez tenha sido o único ídolo do rock nacional que os adolescentes da minha turma, na minha cidade na época admiravam: O Redson.

Quando éramos novos, em Pouso Alegre, não éramos amigos dos meninos por estudarmos na mesma escola e nem mesmo por morarmos na mesma rua. Claro que tínhamos amigos lá e cá, mas a razão das amizades era outra. Era porque gostávamos das mesmas coisas e, mais que isso, detestávamos as mesmas coisas. Era todo mundo roqueiro, de extrema-esquerda e gostávamos do punk (que era ideia, não visual), das loucuras que conhecíamos na casa do Murilo, no Cinema moderno e nos discos que eram vendidos pela RÉR Brasil.

Por isso, detestávamos o rock nacional, heavy metal, cultura e tudo que fosse diboy.

Mas o Redson cantava no Cólera. O melhor grupo punk. Que era radcó, cantado em português paulistano, inteligível e com potresto. Todo mundo adorava.Os anos passavam, os discos do Cólera eram menos tocados e eu nunca mais escutei. Aliás, a maioria dos meus amigos também ouvia pouco.

Mas tenho certeza que ele animou muita gente a gostar de música no Brasil inteiro. Eu me sinto em dívida com ele. Por isso, uma singela homenagem.

Espero que a terra seja leve e o seu sono tranquilo.