Acabei de saber da morte de Johnny Alf. Já tinha falado sobre ele aqui no blog. Fiquei numa tristeza brava. A história dele cala fundo nos que pensam sobre quanto a vida do artista é insegura no Brasil.

Machuca mesmo. Por que é uma história exemplar do preconceito, da desatenção e do abandono.

Compositor que cantou tanto a desilusão e o amor distante lutou contra um câncer de próstata por três anos. E mesmo com tantos clássicos da música brasileira e com uma influência inegável sob a Bossa Nova, não vivia de direitos milionários (que no Brasil nunca foram assegurados para o artista, é bom lembrar) e era um dos moradores de uma casa de repouso em Santo André.

Johnny não tinha familiares era só e era só ele. Sua musicalidade tão única vai deixar saudades. E sua trajetória tão errante e de certa maneira angustiante me deixa com um aperto no coração. Me entristece que um gigante de talento tenha um destino tão injusto.

Vale a pena saber tudo sobre esse artista genial e um triste exemplo das contradições e dos dramas brasileiros. A letra abaixo deixa bem clara a tristeza de uma vida que não pode ser vivida integralmente – porque há racismo e homofobia no Brasil–, uma vida que o preconceito e os entraves sociais fazem incompleta:

Eu acho engraçado quando um certo alguém
Se aproxima de mim
Trazendo exuberância que me extasia
Meus olhos sentem, minhas mãos transpiram
É um amor que guardo há muito dentro em mim, dentro em mim
E é a voz do coração que canta assim, assim
Olha, somente um dia longe dos teus olhos
Trouxe a saudade de um amor tão perto
E o mundo inteiro fez-se tão tristonho
Mas embora agora eu te tenha perto
Eu acho graça do meu pensamento
A conduzir o nosso amor discreto
Sim, amor discreto pra uma só pessoa
Pois nem de leve sabes que eu te quero
E me apraz essa ilusão à toa”

Johnny Alf era tímido e era bem maior que essas minhas lamúrias agora. Me peguei chateado com a história toda. Saibam mais sobre ele. Assistam o documentário da TV Cultura. Ele merece todas as homenagens: