Qualquer um que acompanha o Guaci já sabe que o Rafa é nosso ídolo. Se já não bastasse as histórias em quadrinhos cada vez melhores, as esculturas, instalações e traquitanas, ele ainda tem muito a falar sobre futebol e arte.
Por causa disso ele produziu uma série de vídeos sem som em que explica a relação entre gênios da pintura e da bola, sem saudosismo e nem caretice – como sempre, diga-se de passagem. Vale a pena assistir tudo, inclusive vale a pena ver tudo que ele faz (a página dele no YouTube tá demais):
Romário é Mondrian
Rivaldo é Courbet
Zidane é Velásquez
Lionel Messi é Wilhelm Sasnal
E, de brinde, uma entrevista com o Rivaldo, também indicada pelo Rafa.
20/01/2010 at 12:10
Que coisa linda viu. Ficou muito bonito. Eu não conhecia a comparação do Raldo com o Courbet, mas é muito boa. Só não acho que o Courbet tinha tantas opções técnicas quanto o Rivaldo por um motivo: a recusa a cor. Mas essa aparência ao mesmo tempo troncha e maravilhosa parece as marinhas do Courbet mesmo.
Como o Rafael já sabe, eu gosto de comparar o Rivaldo (que é um ídolo nosso) com o Rothko. Acho que ele tem algo do deslumbre técnico e de recursos e uma espécie de suspensão da gravidade. Como se tudo estivesse para desmoronar, mas não desmoronasse. Nesse sentido, poderíamos compará-lo ao Giacometti e até ao Richard Serra.
A comparação do Messi com o Sasnal me pareceu mais biográfica, mas achei uma homenagem muito bonita a ambos. Embora eu nunca tenha visto o pintor polaco, acho que prefiro o Volpi, o Goeldi, o Hélio Oiticica. Aliás, é um papo bom tentar entender as analogias entre o bem sucedido futebol brasileiro e as artes daqui(todas).
Agora, o Pelé seria quem? O Picasso? O Mozart?
20/01/2010 at 13:33
Aliás, lá no Impedimento temos hoje mesmo uma tentativa de associar grandes escritores a clubes.
Pelé pra mim seria o übermensch, mas tô fugindo das comparações que estão sendo feitas aqui. Na mesma linha, outro que ficou de fora é o Beckenbauer, que integra o segundo time alemão destruidor de coisas belas (o primeiro claro, foi o de 54), nesse sentido futebol abrange um debate estético que é bem abrangente, pela questão da quantificação proposta pelo placar. Mas isso parece prosa pra outro “post”.
20/01/2010 at 14:18
“abrange um debate estético que é bem abrangente”, haja abrangência, Vishnu!
20/01/2010 at 16:59
Rafa, e se o Pelé fosse o Michelangelo?
22/01/2010 at 8:40
O Pelé é o Maurício de Souza. Ou vocês nunca leram o gibi do Pelezinho?
22/01/2010 at 11:41
E o Garrincha? Seria Pollock?
Maradona é Warhol?
22/01/2010 at 15:05
hã…valeu gente! maradona é warhol e garrincha pollock muito bom. pelé cara…sei lá. ele é meio mão pesada o michelângelo né? pelo menos pra pintar…e é rompedor né…tipo o pelé mesmo. tem a coisa do picasso de querer ser melhor que todo mundo…mas é que eu não consigo ter opinião sobre esses caras que eu não vi no campo, sabe? tem a ver com afeto a minha escolha futebolística e pictórica. tanto que o rivaldo NÃO é o melhor desses futebolistas e é o que eu mais gosto. hummm. tago, vc tá certo com isso do rothko. além do que, tem um ruído da morte no rohtko, como o qe acompanha a carreira inteira do rivaldo. uma coisa de morte mesmo. acho que tem a ver. gostei.
22/01/2010 at 15:10
hummm. rivaldo é richard serra! boa essa!
22/01/2010 at 15:39
eu faço analogia de futebol com drogas. O Pelé é crack, assim como o Maradona é cocaína
PRAW
22/01/2010 at 15:52
Então, o Pelé tem uma série de características michelangescas. O artesanato, a precisão (que deixa o não acabado desse modo porquê quer) e o futebol realizado quase como um ato de pensamento, sem resistência. Quando ele fala da linha reta e dos modos de tocar a bola no isso é pelé me faz muito lembrar o projeto michelangesco. Não sei. Posso estar falando besteira, mas foi algo meio imediato.
Quanto ao Pollock e o Garrincha, pelas direções de um e de ooutro isso faz sentido, embora eu ache que dificilmente o Garrincha, se pintor, pintaria uma tela daquele tamanho. Essa do Maradona e do warhol eu não saquei, mas achei legal. Explica para nós Paulo.
22/01/2010 at 20:28
O Rafa tá muito abusado e brilhante! E esse negócio de futebol-arte vai dar ainda muito pano pra manga…Então vai aí uma questão pra todos: Qual seria o equivalente do Duchamp no futebol?
23/01/2010 at 9:05
O equivalente de Duchamp seria o vestiário, com seus imensos banheiros. Aquele branco é puro Duchamp.
23/01/2010 at 10:41
Acho que Duchamp é o Túlio Maravilha, com todo respeito.
24/01/2010 at 23:25
hahahahahaha
25/01/2010 at 19:08
mestre Rafa, quem seriam o Careca e o Luis Fabuloso?
26/01/2010 at 11:02
O Victor continua o papo lá nas três linhas e faz uma comparação infâme, mas muito boa: Richarlison é o André Gide:
http://victordarosa.blogspot.com/2010/01/duchamp-e-tulio-maravilha.html
26/01/2010 at 12:26
E ele explica melhor essa história do Túlio ser o Duchamp.
29/01/2010 at 18:23
O duchamp é o careca. um idealista e um estrategista. podia ser também o van basten, mas acho que não.
01/02/2010 at 10:27
[...] é uma tabelinha do famigerado Blog do Guaciara, que acaba de completar um ano, e do artista plástico e quadrinista Rafael Campos Rocha. Em sua [...]