Havia prometido um post sobre o jogo do coelho em seus detalhes, mas acho que o Tiago já detalhou bem as emoções da partida em seu comentário. Sei também que o blog anda numa velocidade de joaninha manca, mas é que chega uma época do ano em que tudo se complica. Já já voltamos àquele ritmo mais animado. Enquanto isso, eu cumpro tabela com esse post meio preguiçoso sobre o Coelho – que não merece preguiça alguma.

Apesar de estar sem tempo, faço questão de registrar que o jogo de domingo foi muito importante pra mim. Ser torcedor do América-MG sempre foi uma coisa de poucos na minha vida. Ainda menino em Pouso Alegre, falar sobre o time que eu torcia rendia algumas gargalhadas e uma longa explicação posterior.

Por isso que comemorar os 3 a 1 em cima do Brasil de Pelotas teve um gosto bem especial pra mim. A sensação de estar em meio a um número bem grande de pessoas que sempre viveu com esse estigma da minoria, ainda mais em um jogo que virou celebração, tem um pouco de terapia em grupo, um pouco de festa de família.  

Primeiro pela raríssima oportunidade de me congraçar com mais de dez mil pessoas que como eu têm no time um referencial do que é futebol. E mesmo sem títulos ou participações expressivas em campeonatos recentes, é impressionante a devoção e a alegria com que o torcedor do Coelho torce pro seu time. O sentido é sempre muito familiar. A ponto de grandes craques da história do clube, como o goleiro Milagres estarem no meio da arquibancada, puxando a torcida no grito:

“VAMO SUBIR COELHÔ!”

Apesar de tudo, deu pra ver que as coisas mudam. Existe uma torcida hoje que rejeita esse estigma de time menor ao Coelho. São pessoas que exigem da diretoria uma postura mais firme em relação ao clube e que querem as maiores conquistas, querem que o time cresça. Acho que isso tem muito a ver com a Internet. Os pontos de contato eram poucos antes das redes sociais. Muita gente da torcida participa de comunidades no orkut e milita pelo time nesses canais. O que é muito legal. Tentam mostrar a torcida pra uma diretoria que muitas vezes só se fechava para poucas pessoas.

Se na política essas redes sociais já servem como um paradigma, acho que nos times de futebol, mais do que nunca, elas vão se tornando um componente necessário depressão e mobilização. Pra quem acompanha a Série C do brasileiro, hoje o melhor canal de notícias é o orkut e o YouTube. E os melhores repórteres e comentaristas são os torcedores. Não existe melhor cobertura.

Qual vai ser o resultado dessa participação do torcedor on-line na história do América, só o tempo vai dizer, mas nesse jogo foi emocionante estar junto de dez mil pessoas que tinham esse sentimento tão forte e uma identificação enorme com um clube. E que na Internet, reconstruíram e criaram uma memória sobre o time que estava guardada na cabeça de muitos torcedores que nem iam mais ao campo (muitos deles voltaram para o jogo contra o Brasil de Pelotas).

Como vocês bem devem saber, o torcedor do América não é daqueles que fica arrotando uma enciclopédia de títulos e nem o que se orgulha de ter a torcida mais fanática do Brasil. Além disso, não tem nenhum apreço com intolerâncias ou torcidas volentas. Pelo contrário faz questão de ser gente fina, como foi com a torcida do Brasil de Pelotas no domingão. 

O Coelho é uma curtição em nossas vidas e torcer pro América é participar dessa festa. Acho que se o clube mantiver o Givanildo como técnico, o time vai dar trabalho. É uma pena que o Independência vai estar em obras em boa parte do ano que vem, mas seja onde for, não vai faltar festa verde, preto e branca no ano que vem. Tô botando fé. Enquanto isso, curtam algumas belas imagens do estádio nesse jogo emocionante de domingo…