A bela Avacoelhada

A bela Avacoelhada

Para a maioria dos brasileiros, o Campeonato Brasileiro  está chegando ao meio. Só agora as coisas começam a se definir. Terminados os outros campeonatos e a temporada de demissões e contratações, é hora  de ver quem serão os  candidatos ao título e quais os times vão ter estrutura pra aguentar o tranco pesado do Brasileirão.

Eu que sou torcedor do Coelho, também conhecido como América Mineiro, vivo momentos de decisão. A euforia deve ser parecida com a do sujeito que tá pra entrar em liberdade condicional. É que o meu time, nesse domingo, enfrenta o Brasil de Pelotas (RS) pelas quartas-de-final da Série C do Brasileiro. Se ganhar, o time volta a figurar na classe média do futebol verde-e-amarelo, a Série B.

Há dois anos atrás, o Coelho mergulhou no poço mais fundo de sua quase centenária história, além de despencar vergonhosamente para a Série C do Brasileirão, o time caiu pra segunda divisão do Campeonato Mineiro.

Uma mistura de displicência e de administração que pensava o América pequeno (e que em muitos sentidos ainda pensa) foi convertendo o América de time médio para pequeno. Apesar de ser um torcedor pijamão do Coelho, confesso que temi pela extinção do meu time. Afinal é uma das tradições mais bonitas do lado paterno da minha família, é um orgulho que em muitos sentidos me faz me sentir muito autêntico e que mostra que futebol no Brasil vai além das quatro linhas.

Fora que na minha casa ser América sempre teve muito mais a ver com celebrar uma coisa comum a pessoas com quem eu tenho uma intimidade e uma simpatia enormes. Quando o time parecia que ia acabar, eu tremi e achei que alguma coisa muito triste poderia acontecer na minha vida, era como se um amigo muito querido – que eu via muito pouco, mas sempre lembrava em papos quase todos os dias – estivesse entre a vida e a morte.

Por isso  o jogo desse domingo é tão importante. O Coelho não está mais moribundo, mas ainda está baqueado e acho que essa vitória pode ser o primeiro passo pra que o América deixe de ser só o time que revelou tantos craques para o futebol brasileiro – como Tostão, Éder Aleixo, Palhinha, Euller, Alex Mineiro, Gilberto Silva e Fred.

Muito antes do Brasil se tornar um mero fornecedor de craques para a Europa o Coelho tinha se reduzido a um fornecedor de ótimos jogadores para times do Clube dos 13. A triste história começa em 1963 quando Tostão partiu do América com 16 anos e foi fazer história no Cruzeiro. Ninguém sabe o que seria da história do futebol brasileiro se Tostão tivesse ficado.

Pra conseguir o passe do jogador, o diretor do Cruzeiro, Felício Brandi, chegou atrasado mais de uma hora ao próprio casamento só para concluir a contratação.

O América é um time muito mais legal que isso. Coloca na letra de um dos seus hinos que “sua torcida feminina é demais” (e é mesmo) e que o time mantém “seu espírito esportivo, social e cultural”. Ous seja além de torcer para um baita time, o torcedor americano ainda ganha curtição de sobra com sua torcida.

Por isso, nesse domingo eu farei o possível e o impossível para estar no Independência e torcer pelo meu querido Coelho! Acho que poucos times e poucas torcidas merecem tanto essa vitória.

Segue o hino original: